quinta-feira, agosto 31, 2006

INTRODUÇÃO AOS MÉTODOS DA SOCIOLOGIA.




I – Os métodos

Prof. Gustavo Custódio

“Segundo Calderón, método é um conjunto de regras úteis para a investigação, é um procedimento cuidadosamente elaborado, visando provocar respostas na natureza e na sociedade, e, paulatinamente, descobrir sua lógica e leis. Cada ciência possui um conjunto de métodos.”[1]

O método a abordagem influência no resultado que se terá após a investigação, mas estas concepções já antecipam as análises e conclusões.

O método de abordagem pode ser: indutivo, dedutivo, hipotético-dedutivo e dialético.
O proceder dos métodos específicos é que aponta a objetividade da investigação.

1.1. O método histórico ou a sociologia histórica.

“ Este método consiste em buscar as raízes de um fenômeno social no passado, para descobrir as suas origens e antecedentes.” [2]

1.2. O método comparativo.

“ O método comparativo foi, por longo tempo, considerado como o método por excelência da sociologia.”[3] Empregado por Tylor. Estuda as semelhanças e diferenças entre os grupos, sociedade e povos, e destaca que isto pode trazer melhor compreensão do comportamento humano.

“Dukheim, em As Regras do Método Sociológico, expõe claramente a significação do método... Em muitas das ciências naturais, o estabelecimento de ligações causais é facilitado pela experiência, mas como esta é impossível na Sociologia, somos obrigado, diz Dukheim, a usar o método da experiência indireta, isto é, o método comparativo.”[4]

Um exemplo de eficiência desse método esta no estudo das comunidades rurais e urbanas, destacando suas semelhanças e contraste. “Criado por Le Play, que o empregou ao estudar famílias operárias na Europa. Partindo do Princípio de que qualquer caso que se estude em profundidade pode ser considerado representativo de muitos outros ou até de todos os casos semelhantes.”[5]

Consiste do estudo do todo para obter generalizações. A sua vantagem é de enxergar o todo sem desassociar as partes.

1.3. O método funcionalista

Utilizado por Malinowski. É mais um método dedicado a interpretação do que a investigação.[6] Surge como uma crítica ao método histórico e ao comparativo, influenciou antropólogos a mudarem o rumo de seus estudos para a dedicação detalhada e sistemática do comportamento social.

Na obra de Malinowski, “ a abordagem funcionalista envolvia, a afirmação dogmática da integração funcional de toda sociedade, e não a formulação experimental de uma hipótese sobre inter-relação das instituições.”[7]Sofreu transformação por um de seus seguidores; R.K. Mertron que a apresenta como mais útil. Fazendo distinção entre função e disfunção.[8]

Quando um grupo de pessoas desenvolve seu trabalho coletivamente, em uma região afetada, sobrevive de uma alimentação diferenciada possuí idéias de valores diferentes do todo. Este grupo pode ter as partes analisadas, analisa-se as características que marcam a coletividade do grupo e o porque de sua discrepância com o restante da sociedade.

1.4. O método estatístico

Teve sua origem em Quetelet. Trata-se de reduzir todas as datas e estatística. Baseia-se seu estudo em amostragem, pega-se algo e analisa como isso se faz presente. Pega-se todo um grupo e dentro desse grupo o aspecto a ser estudar e faz-se através de pesquisa, questionários e outras interrogativas a população, e então se obtem o resultado.

1.5. O Método Monográfico

A opção pela técnica monográfica deve ser através de um tema proposto a pesquisa. Implementado por Le Play possuí um estado muito amplo para se resolver o assunto proposto.

O estudo de temas até hoje é utilizado nos trabalhos de conclusão do curso superior.

1.6. O Método Tipológico

O seu expoente maior é Max Weber. Sua estrutura se assemelha a outro método, o comparativo; possuindo alguns aspectos importantes como sua marca.

A grande questão a ser buscada pelo tipológico é a diferença entre aquilo que é e aquilo que deve ser.

O FENÔMENO ___________ TIPO IDEAL.

Exemplo de aplicabilidade do método:

PROFISSÃO __________OUTROS TIPOS DE PROFISSÃO

Uma leitura aconselhada para entender tal método é a obra; A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo de Max Weber.

1.7. O método estruturalista

Tem como referencial Claude Lévi-Strauss. O que a caracteriza e a “...pretensão de descobrir elementos universais na sociedade humana.”[9] A capacidade do homem de estruturar o ambiente onde vive e montar para si o ideal parte de idéias de que todos os homens a têm, a sociedade pode ser diferente enquanto fenômeno, mas é igualitária quanto a sua origem.

Para estudar o homem e a sociedade onde está inserido é necessário estudar os ramos da sociologia. Têm-se como ramos clássicos à sociologia sistemática, descritiva, comparada, diferencial, aplicada e a geral ou teórica. A sistemática se preocupa em organizar as diversas concepções sociais para entender os universais. A descritiva mostra a realidade temporal do fato que marca a sociedade onde a investigação é feita. A comparada busca o relacionamento entendendo a evolução histórica e o ambiente em que está inserido o fenômeno da pesquisa. A diferencial procura entender cada indivíduo dentro do grupo onde está inserido e não lhe entender com base em um tipo de homem. A aplicada “ estuda a intervenção racional sobre as condições sociais de existência.”[10] A geral ou teórica se preocupa com a elaboração de princípios.



II – A história da sociologia.



Para se estudar a história de um ramo da ciência é necessário a maior neutralidade possível nos fatos mencionados, evidenciando as reais contribuições que sofreu o pensamento sociológico.

2.1. Contribuições do Helenismo.

Ainda em seu estado embrionário a sociologia começa a ter suas concepções formadas no meio filosófico, neste período três obras marcam a sociologia, seja pelo estudo do homem ou da sociedade, são elas:

Platão (429 – 341 a.C.) – A república;
Aristóteles (384 – 322 a.C.) – A Política;
Santo Agostinho (354 – 430 d.C.) – A Cidade de Deus.

Essas obras quando fazem menção do papel do homem na sociedade e do ideal de sociedade e da dependência do homem do estado, propõem um ideal da sociedade. É evidente que suas contribuições são mais estudadas na cadeira de filosofia e às vezes lembrada na sociologia como influência sobre todo o desenvolvimento histórico.

2.2. Contribuições na idade média

Vista comumente como idade das trevas esse período foi de grande valia pela sua manutenção das obras antigas e pelos conflitos enriquecedores dos bispos, laicatos e governos que formam uma ponte para o posterior conceito da sociologia.

Quem se destaca como luz neste período é Tomás de Aquino que após Santo Agostinho busca um contraponto entre o platonismo de Agostinho e a apropriação religiosa pelo Aristotelismo no século XIII e movimentada pelo seu pensamento e pela apropriação do mesmo pela Igreja.

O sub-julgar a sociedade ao poder Papal tanto em questões religiosas como na política enfurece principalmente os governos dos estados independentes da Inglaterra, França e Alemanha que não viam nenhuma vantagem nesse controle e logo proporam progressivamente uma ruptura com a Igreja através de idéias reformadas.

2.3. A renascença

Este período é marcado pelo desenvolvimento das artes e a cultura em torno do homem. Os monges e o poder dos bispos estão em decadência por suas preocupações temporais no cuidado da terra e pela desenfreada depravação.

A Itália maior parte sobre o domínio Papal está sobre influência da estética e do secular. As famílias que possuem dinheiro sustentavam artistas para que se desenvolve sua arte. Entre os pensadores se destacam:

1568 – 1639 – Tomás Campanella – A Cidade do Sol
1478 – 1535 – Tomás Morus – A utopia
1561 – 1626 – Francis Bacon – Nova Atlântida
1467 – 1536 – Desidério Erasmo (de Rotterdam) – O Elogio à loucura
1469 – 1527 – Maquiavel – O Príncipe
1598 – 1650 – R. Decartes – Discurso sobre o método
1712 – 1778 – Jean-Jacques Rousseau – O Contrato Social[11]

2.4 As contribuições do século XVIII

Visto como o período anterior ao resplendor da sociologia, as normas da sociologia devem-se a este período.

O mundo passava por mudanças brutais, a independência da América, a revolução Francesa. Com estes movimentos a sociedade passou por mudanças onde a sociedade foi afetada, a classe média teve papel vital e oportunidade de desenvolver suas riquezas, a classe baixa via a sua esperança no trabalho braçal prestado a classe média e os governos se preocupavam com o comércio em outras nações.

O setor educacional se desenvolveu rapidamente agora as universidades não ficavam restritas a regiões já conhecidas como; Alemanha, França, Inglaterra, Itália e Suíça. Houve um crescente interesse em se estudar estas transformações através da observação e da análise da ação e reação.

O ápice se deu com: Augusto Conte, Spencer e Karl Marx. Não se deve ignorar outros pensadores importantes desse período como:

1689 – 1775 – Montesquieu – O espírito das leis
1711 – 1776 – Hume – Tratado sobre a natureza humana
1723 – 1790 – Adam Smith – A riqueza das nações
1772 – 1837 – Fourier – Falanstérias
1771 – 1858 – Owen – Uma nova visão da sociedade
1809 – 1865 – Proudhon – O que é a propriedade
1770 – 1831 – Hegel – A dialética
1772 – 1823 – Ricardo – Princípios de economia política
1766 – 1834 – Matheus – Ensaios sobre o princípio da população.

Uma iluminação ainda maior estava por vir com os referenciais de maior expressão dentro da sociologia.

2.5 Os marcos da sociologia

Como marcos do século XIX surgem três expoentes maiores do desenvolvimento da sociologia que influência o mundo contemporâneo. São eles: Augusto Conte, Hebert Spencer e Karl Marx. Augusto Conte tem suas origens na França mais precisamente em Montpellier. É conhecido pela doutrina positivista e pela sua obra: Curso de Filosofia Positiva.

Alguns princípios básicos por ele desenvolvido foram:

Prioridade do todo sobre sua ramificação;
O homem como sendo um ser sempre igual;

Conte (1798 – 1857) colocará a sociologia como a ração de ser das ciências; e ficou marcada pela lei dos três estados cuja classificação é a seguinte:

“ Estado teológico ou fictício, em que se explicam os diversos fenômenos através das causas primeiras..., estado metafísico ou abstrato. As causas primárias são substituídas por causas mais gerais... estado positivo ou científico. O homem tenta compreender as relações entre as coisas e os acontecimentos através da observação científica e do raciocínio...”[12]

Entende-se que no primeiro estado ele passa por uma divisão natural do crer; primeiro se atribui poderes e milagres a objeto e a animais, mais conhecido como “fetichismo”. O segundo período do mesmo estado o homem passa a crer e dar estas atribuições a deuses. Cada Deus possuí uma personalidade distinta “politeísmo” e a última etapa é o auge do estado sendo conhecido pela adoração a um único Deus e somente a sua existência como eterno “monoteísmo”.

Além da obra citada anteriormente outra obra de desenvolvimento do positivismo é a “Política Positiva”.

O segundo marco desse período é Hebert Spencer sendo de origem inglesa e influenciado por Darwin faz surgir como conseqüência de seus estudos a “Escola Biológica”.

Também como Augusto Conte parte para uma divisão do mundo em três partes: o inogârnico, os orgânicos e os superôrganicos. Influenciado por Darwin aplica a evolução à sociedade em todos os seus estados. A evolução para ele era do simples para o complexo.

Para perpetuar as suas concepções duas obras de Spencer são de vital importância; Princípios de Sociologia e o Estado da Sociedade.

O último marco, não menos e nem mais importante que os outros é Karl Marx é de origem Alemã, para se entender as concepções de Marx é necessário olhar para a História e ver que a sua influência é camponesa e os olhos estão voltados para o sistema de produção. Como demonstração disto é a sua obra; O Capital.

Pra sua concepção ele cria em um modo peculiar de enxergar a sociedade como “infra-estrutura” e “supra-estrutura”

Marx busca através do estado o ideal igualitário sem a discrepância das classes sociais.

2.6. A sociologia no século XX ( modernidade)

Muitos são os nomes da sociologia contemporânea e cada qual com sua contribuição, mas aqui se estudará somente o divisor de áquas, ou não querendo ser injusto, aqueles que parecem ser os grandes nomes.

2.6.1. Émile Durkheim

Durkheim que assim como Conte é Francês, mas as semelhanças param por aí.

É conhecido por fincar estacas na metodologia do estudo da sociologia dando a está a estrutura que era necessária.

Suas obras de maior destaque foram: A divisão do trabalho social; As regras do método sociológico e o Suicídio.

Durkheim em suas pesquisas faz uso do método monográfico e estatístico. Um de seus marcos narradas em o Suicídio foi à característica de um grupo em possuir uma “consciência coletiva”.

2.6.2. Max Weber

Assim como Karl Marx, Weber era alemão, mas também as conhecidências terminam aí.

Weber busca entender a conduta social do individuo e das classes onde esse homem está. Ele desenvolveu o sistema de análise sociológica, onde se estuda o acontecimento para saber e compreender o tipo ideal.

As suas obras mais difundidas no mundo moderno são: A ética protestante e o espírito do capitalismo e a Economia e sociedade. A primeira sendo uma crítica ao movimento da reforma por causa de suas conseqüências na Europa de sua época, Weber vê neste movimento a força motriz do capitalismo moderno.



Bibliografia




TORRE, M.B.L. Della. O homem e a sociedade: uma introdução à sociologia. São Paulo: Companhia Editorial Nacional, [s.d.].

LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral. São Paulo: Atlas, 1989.

ANDERSON, Walfred A. e PARKER, Frederick B. Uma introdução à sociologia. Rio de Jeneiro: Zahar, 1977.

BOTTOMORE. Introdução à Sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.
[1] LAKATOS, Eva Maria. Sociologia Geral. p.31
[2] TORRE, M.B.L. Della. O homem e a sociedade. p.25
[3] BOTTOMORE. Introdução a Sociologia. p. 61
[4] Loc. Cit.
[5] LAKATOS, Eva Maria. Sociologia Geral p. 34
[6] Ibid. p. 37
[7] BOTTOMORE. Op. Cit. p. 65
[8] Ibid. p. 66
[9] BOTTOMORE, Introdução a Sociologia. p. 69
[10] TORRE, M.B.L. Della. O homem e a sociedade. p. 29
[11] Outra obra de extrema importância desse autor é; O discurso sobre a origem da desigualdade.
[12] LAKATOS, Eva Maria. Sociologia Geral. p. 45

segunda-feira, agosto 21, 2006

PSICANÁLISE E RELIGIÃO:


INTRODUÇÃO



Neste trabalho tem-se o interesse de apresentar de forma introdutória o pensamento de Jung e Freud e a relação de ambos com o cristianismo. No primeiro capítulo há o pensamento de Jung exposto e a postura protestante diante de seu pensamento, no segundo capítulo fala-se sobre Freud e sua teoria seguido de uma postura cristã aos seus conceitos.

Ao olhar para estes dois expoentes da Psicologia a primeira pergunta que vem a mente é o uso indiscriminados que Pastores fazem de teorias Freudiana nos seus sermões, será que o conceito de ambos são ou tem base bíblica? Uma das principais observações esta na fundamentação dos pensadores, que eliminam o transcendente, coisa esta que para o cristão é indispensável. A mensagem psicológica não um todo que deve ser aceito e nem um todo que deve ser rejeitado. Este trabalho visa mostrar o porque estas teorias surgiram, suas bases e fundamentos e como o cristão pode ler estas informações.



I – CONCEITOS DE JUNG.



Carl Gustav Jung (1875 – 1961), “filho de um pastor protestante suíço, desejou inicialmente ser arqueólogo. Ele interpretou esse fato como representando o desejo de penetrar profundamente nos mistérios da experiência humana. E, ao contato com a psiquiatria, resolveu dedicar sua vida a essa ciência. (...) Tornou-se colaborador de Sigmund Freud, mas era grande demais para simplesmente seguir a orientação do mestre. A publicação de seu livro A psicologia do Inconsciente (1912) marca a separação definitiva entre Jung e Freud.”[1]

De forma introdutória podemos dizer que Jung cria que a experiência religiosa resulta “do inconsciente coletivo”[2]. O que contribui para este conceito veio de uma pesquisa de campo, no México, no Arizona e notou a similaridade das religiões antigas com os seus ritos e o inconsciente dos pacientes.

1.1. O inconciente

Jung, revela os seus conceitos da psicologia[3] e a forma na tratativa humana descrevendo a sua abordagem da seguinte forma:
“(...) a religião constitui, sem dúvida alguma, uma das expressões mais antigas e universais da alma humana, subentende-se que todo o tipo de psicologia que se ocupa da estrutura psicológica da personalidade humana deve pelo menos constatar que a religião, além de ser um fenômeno sociológico ou histórico, é também um assunto importante para grande número de indivíduos.”[4]
Neste ponto vemos o seu reconhecimento que o trabalho psicológico não deve desprezar o entendimento religioso humano. Os conceitos de religiosidade passados pelos antepassados ou fruto de um confronto existencial formam um cenário que ao ser ignorado não fornece ao profissional o cenário total do homem em questão. O complicado nesta questão é entender que nem sempre a mesma religião possuí o mesmo significado para os indivíduos. Então o processo de análise deve ser individual e não coletivo, os conceitos são o do indivíduo e não do todo[5].

O trabalho de Jung é baseado no empirismo e na fenomenologia, a sua abordagem religiosa é naturalista[6], limitando-se a “(...) observar os fenômenos” e abstendo-se de qualquer abordagem “metafícica”[7], sendo assim o seu trabalho é “(...) exclusivamente científico [tendo] por objeto certos fatos e experiência”[8].

Ao falar da Religião a aborda com o conceito de numinoso[9], colocando o sujeito sobre o seu domínio e sendo independente. Tendo sua causa externa ao indivíduo, podendo estar ligada ao visível ou invisível, produzindo uma modificação na consciência individual ou coletiva. O homem como necessidade de dominar todas as coisas cria os rituais, com a finalidade de deliberar sobre o numinoso, estes atos acontecem da seguinte forma: “(...) artificios mágicos [tendo como exemplo] a invocação, a encantação, o sacrifício, a meditação, a prática da ioga, mortificações voluntárias de diversos tipos, etc.”[10]

Uma definição de religião encontrada em Jung, esta ligada a experiência do indivíduo – e que ele usa Paulo como tipo do que acontece como regra, dizendo: “religião designa a atitude particular de uma consciência transformada pela experiência do numinoso”[11], e esta experiência se transforma e sentimento ou ação de fidelidade.

1.1.1. O inconsciente e a dogmatização

Para Jung a dogmatização é o sacramentar das experiências anteriores, enrijecendo e tornando-a inflexível. Transformando a religião em rituais, e a tornando intolerante a modificações. A liberdade protestante dos dogmas não são tão reais, pois em certo sentido isto permaneceu.

1.1.2. A concepção de religião e a não emissão de juízo

Jung diz: “O psicólogo, que se coloca numa posição puramente científica, não deve considerar a pretensão de todo credo religioso: a de ser o possuidor da verdade exclusiva e eterna. Uma vez que trata da experiência religiosa primordial, deve concentrar sua atenção no aspecto humano do problema religioso, abstraindo o que as confissões religiosas fizeram com ele.”[12]

Descordando de Jung, penso que o trabalho do psicólogo envolve a mudança de comportamento do indivíduo, este deve ser orientado também sobre a sua vida religiosa, mesmo que não venha a seguir os conselhos do psicólogo – o seu trabalho como profissional não esta desvinculado de sua confessionalidade, principalmente se esta for cristã, pois a postura cristã envolve uma cosmovisão.

1.1.3. A Neurose e o psique

Em primeiro lugar Jung revela que a neurose esta ligada a “vida mais íntima do homem”[13], o que inibe o falar da causa pode ser “[a] opinião pública, respeitabilidade ou bom nome”[14], uma questão comum é a vergonha de tomar conhecimento dos próprios erros. A neurose leva a um caso de depressão mesmo que as justivicativas não sejam reais.

Jung coloca em questão o diagnóstico que apontam a causa da neurose como resultado materialista, uma reação orgânica, por mais que esta seja afetada ela não é a causa. Demonstra que em alguns casos a confissão, leva a cura. Cita um paciente que operado de uma dilatação do intestino, voltou a apresentar o caso mas logo que tratado de um problema psíquico, voltou a normalidade[15].

Para ele o psique é a realidade primeira[16], e somente através desta realidade nos apersebemos da física. A ênfase recai quando demonstra mais preocupação com transtorno psíquicos do que com os dos fenômenos naturais. Atribui alguns complexos ao próprio homem (ao psique), mas, este o justifica a luz de uma obra exterior a ele, tipo um despacho ou demônios e etc.

Aponta para o medo como uma força a ser reconhecida e não a ser negada. E fala de uma existência coletiva abaixo da moral da consciência. Veja que Jung esta falando de consciente e inconsciente. Quando isto acontece: “um homem afável pode tornar-se um louco varrido ou uma fera selvagem.”[17], neste caso o homem tende a culpar os fenômenos exteriores a si, mas como diz Jung: “(...) nada poderia explodir em nós que já não existisse de antemão.”[18]

Cita que o subjulgar da psique humana a graça divina levou a uma subestimação da psique. Um exempro se torna o caso dos sonhos, onde um cidadão comum nega ter sonhos reveladores, porque isto pertence ao chefe. Os sonhos bons ou maléficos podem despertar os instintos antes controlados. A questão dos sonhos reveladores estão intimamente liguados a “revelação individual”, o particular agora priorizado sobre o todo. Os sonhos revelam fatores desconhecidos ou desmascarados da psique humana, que podem revelar tendências religiosas. Os sonhos podem ser a defesa de um ponto de vista, em um cenário familiar e que deve ser interpredado coletivamente, com as outras informações.

1.2. A compreensão dos símbolos naturais

A busca de Jung é o consciente coletivo, e como chegar a ele é a questão, uma primeira divisão que pode ajudar a entender a compreensão psíquica de Jung seja a sua divisão em: “persona consciente, inconsciente pessoal, inconsciente coletivo e incognoscível.”[19] A sua relação é de:
· Símbolos e sua relação com os sinais. (aquilo que se manifesta no consciente).
· Os arquétipos – de onde se origina o comportamento humano.

Para explicar a ignorância da idade moderna Jung cita: “Nossa mentalidade moderna olha com desdém as trevas e superstição e a credulidade medieval ou primitiva esquecendo-se por completo de que carregamos em nós todo o passado, escondido nos desvãos dos arranha-céus da nossa consciência racional.”[20] Nesta citação fica clara o seu conceito de arquétipo, que é quase uma construção do homem, desde o primitivo até o moderno – como uma questão de assimilação.

O simbolismo é uma linguagem, por mais que este muitas vezes não seja expresso em palavras, mas em, “imagens concretas, abstratas ou ideológicas para tentar revelar ao consciente o que ainda está oculto ou mesmo desconhecido, para tentar exprimir o que as palavras e a linguagem racional não podem atingir.”[21] Veja que isto esta relacionado com o que foi supracitado, o simbolo e sua relação com o consciente[22].

Para Jung a personalidade é formada de duas partes, a saber:
“A primeira é a consciência e tudo o que ela abrange; a segunda é o interior de amplidão indeterminada da psique inconsciente. A personalidade consciente é mais ou menos definível e determinável. (...) Em toda personalidade existe inevitavelmente algo de indelineável e de indefinível, uma vez que ela apresenta um lado consciente e observável, que não contém determinados fatores, cuja existência no entanto é forçoso admitir, se quisermos explicar a existência de certos fatos. Estes fatores desconhecidos constituem aquilo que designamos como o lado inconsciente da personalidade.”[23]
Jung determina a compreensão dos fenômenos como a consciência e a incompreensão dos fenômenos da psique ao inconsciente. A primeira é compreendida pelos símbolos visuais que são fornecidos e a segunda não é identificada com tanta facilidade pois permanece obscurecida a própria pessoa.

1.3. Uma visão reformada sobre os conceitos de Jung.

O primeiro conceito em análise é a abordagem da religião como resultado do inconsciente coletivo[24], o cristianismo como suas concepções doutrinárias não são símbolos de leituras passadas, que inconscientemente levamos a esta religião. O cristianismo é uma questão de consciência, o contato com o sagrado não é um contato com o meu psique – e sim uma chamada do campo fenomenológico e metafísico, nunca Jung poderia chegar a esta conclusa sem levar em conta o metafísico que é o primeiro erro em seu método.

Jung mostra que a centralidade da fé cristã esta no conceito da trindade, e nisto ele esta cerco, mas comete um equivoco ao buscar fora da religião cristã as outras religiões que tinha uma concepção similar, “trinitária” para basear o ensino cristão na releitura mesmo que sem consciência das influências do passado. Todo cristão sabe que este conceito faz parte da revelação de Deus e por tal deve ser crida.

Uma compreensão acertiva em Jung é o entendimento do homem e sua atividade religiosa como essencial a vida. O homem é um ser religioso, por mais que este conceito tenha sido afetado pelo pecado, e este busque até dentro do cristianismo sua satisfação, só que por motivos equivocados, ou negaremos que uma parte da cristandade sofre realmente de neurose ou qualquer distúrbio mental?



II – CONCEITOS DE FREUD.



Sigmund Freud (1856 – 1939) nasceu na cidade de Freiberg, na Moravia, parte central da região hoje chamada Eslováquia. O seu pai era judeu (Ernest Jones) um homem a quem ele se refere como “de índole mansa, amado por todos da família”[25]. Um influência vivida em Freud é a babá que ele compara a velha pré-histórica. Segundo Jones, a babá católica que o levava aos rituais católicos tenha contribuído para o seu desprezo ao cristianismo[26].

Durante seus estudos de medicina Freud se dedicou mais as ciências biológicas, a sua visão evolucionista veio como influência da formação superior em Viena. Este conceito influenciou o seu conceito de personalidade humana. Trabalhou no Instituto Brucke. Ao contrário de Pavlov, Freud opta por:

Investigação da vida interior do homem.




A postura freudiana era determinista, este determinismo com uma leitura naturalista e monista (crendo na unidade da matéria). Via a natureza humana da seguinte forma:
O inconsciente; Os instintos e O desenvolvimento da Personalidade



2.1. O inconsciente

O seu descobrimento dos mistérios da mente humana se deu graças a influência de Charcot, Freud aprendeu sobre os mecanismos da mente (que envolviam a hipnose e a paralisia histérica). Ao retornar aos seus estudos colocou em prática o uso da hipnose. Começou a formular a sua teoria de: consciente, pré-consciente e inconsciente. Dizia que nas pessoas mais velhas se poderia ter acesso ao inconsciente via uma interpretação dos sonhos[27].

Interpretação dos Sonhos
=
entendimento do inconsciente



Outro conceito de Freud é o da repressão[28], que é a resistência humana para que certos desejos não sejam vividos:

Memória inconsciente > Consciente > repressão.

2.2. A teoria dos instintos[29].

Para Freud isto se relaciona da seguinte forma: Principio de constância = equilíbrio interior. Primariamente afirma que existia dois instintos básicos:

O ego. O Sexual.




“Para ele o instinto de autopreservação abrangia o princípio do prazer e o princípio da realidade. O primeiro leva a evitar a dor por meio de um desejo irreal de ter a satisfação necessária para reduzir a tensão. Essa realização de desejo pode ser substituída pelo comportamento adaptador do princípio da realidade, que auxilia a pessoa a se ajustar ao mundo externo”[30]

Freud denominou este conceito de: Eros – Libido.

2.3. Os estágios de desenvolvimento

A primeira fase é a neonatal – denominada de narcisismo; a segunda a fase oral – a luta pelo prazer, o seu objeto de desejo é o seio materno; a terceira a fase anal – o prazer se encontra tanto na excreção como na retenção das fezes; a quarta fase é a uretral – o prazer em urinar;a quinta é a fálica – o prazer esta nos órgãos genitais; a sexta fase a de latência – o prazer esta no amigo ou no genitor do mesmo sexo; sétima faze é a puberdade – concentra a atenção no sexo oposto[31].

2.4. A teoria da personalidade

Há três mecanismos de personalidade – o id, ego e o superego. O id – repousa no inconsciente. O id obedece cegamente ao principio do prazer. O ego; é a consciência. O superego; geralmente diz respeito a postura moral (o viver social).

A relação do id, ego e superego pode ser ilustrada na comparação com um automóvel: “o id anseia pisar fundo no acelerador e ser completamente dominado por aquela sensação absoluta de dirigir a uma velocidade fantástica (...). O superego é o motorista que vai no assento traseiro, exigindo velocidades mais baixas e cautela excessiva (...) O ego luta por conter e utilizar essas energias opostas, dirigindo de modo realista mas agradável (...).”[32]

2.5. Freud e a Religião

Freuda aborda o assunto religioso em suas obras; Obsessional Actions and Religious practices (1907), Totem and Taboo (1912 – 1913), The Future of na Illusion (1927), Civilization and its discontents (1930) e Moses and Monotheism (1939).

Suas principais concepções de religião são:
· Em Totem and Taboo “sustenta que o anseio por um pai encontra-se na essência da necessidade que sente o homem de ter uma religião”[33]. A humanidade então inventa Deus.
· No The Future of na Illusion mostra que a religião é “uma ilusão originada nos desejos humanos”[34] e “a religião é ‘a neurose obsessiva universal da humanidade’da qual a civilização precisa resultar”[35];
· Em seu conceito da existência de Deus cita, o superego como a residência da crença em um Pai supremo, castigador e recompensador;

2.6. Freud e a psicanálise

Freud empregou no seu método a associação livre[36], que é a base da psicanálise. O envolvimento do cliente com o terapeuta pode levar a transferência inconsciente, que leva o paciente a ter medo do terapeuta, ou projetar nele a neurose em questão. Isto que está surgindo denomiina-se insights, ou seja, a parte do todo que colabora para a solução do problema, para a libertação da culpa ou da repressão.

O analista deve-se manter na retaguarda, e o cliente no esforço do dizer o que lhe vem a mente. O papel do analista é a utilização das técnicas[37] para ajudar o paciente.
Técnicas de Freud: Confrontação - Desafio – O confronta com o medo que ele não admite; Interpretação - Explicação – Admite que o medo é existente e o projeta em uma justificativa e Reconstrução - Relação – Mostrar que o passado se projeta sobre o futuro.

A questão é: Como lidar com o próprio eu. (a psicanálise era um processo demorado que tinha como tempo de tratamento anos de acompanhamento e em um curtos intervalos entre uma seção e outra.

2.7. Freud a luz da perspectiva cristã.

A primeira observação é o reconhecimento do trabalho de Freud e o reconhecimento de sua influência no mundo ocidental. Mas uma questão que pega em relação ao cristianismo é o conceito de culpa, e isto acontece porque seu raciocínio é baseado no naturalismo. Por exemplo: Freud diz que devemos crer “porque nossos mais antigos ancestrais o fizeram”, e isto é contraditório, pois, a natureza não forma o caracter religioso humano. Não se pode ignorar os aspectos da revelação e de um verdadeiro confronto com o Deus todo poderoso.
A sexualidade como base da análise do desenvolvimento é questionada no próprio campo da psicologia. Esta relação de desejo em relação a mãe pode até existir mas não é universal. Muito das neuroses não são solucionadas pelo simples fato de conhecer o problema e sim com a diretiva clemência de Perdão. Deus, não é um Pai projetado pelo homem, isto pode até acontecer com o homem natural, que projeta muito de si na divindade que ele adora, o cristão aceita a revelação e sobre esta é firmado o seu relacionamento, “(...) uma das falhas graves da teoria freudiana é não haver lugar para a expressão sadia de sentimento religioso. Muito de sua crítica pode aplicar-se à religião imatura de muita gente, mas reduzir tudo à dependência infantil ou compulsão é obviamente exagerar e contrariar os fatos da experiência religiosa da humanidade.”[38]
[1] ROSA, Merval. Psicologia da Religião. p.64
[2] ROSA, Merval. Psicologia da Religião. p.64
[3] “(...) nossa psicologia é uma ciência dos fenômenos puros, sem implicações metafísicas de qualquer ordem”. JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião Oriental. p.1
[4] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p. 7
[5] Um exemplo disto é o conceito de Deus para os cristãos, todos sabem ou tem uma noção do que se esta falando, mas o comportamento referente ou não é algo individual. Isto não muda o conceito absoluto de referência, mas pormenoriza a relação do individuo com o sagrado.
[6] A demonstração de naturalismo fica demonstrada da seguinte forma: “O fato é que certas idéias ocorrem quase em toda a parte e em todas as épocas, podendo formar-se de um modo espontâneo, independentemente da migração e da tradição. Não são criadas pelo indivíduo, mas lhe ocorrem simplesmente, e são criadas pelo indivíduo, mas lhe ocorrem simplesmente, e mesmo irrompem, por assim dizer, na consciência individual.” JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p. 9
[7] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p.7
[8] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p.8
[9] “O Crente, (...), procura manter-se em um estado espiritual primitivo, por motivos meramente sentimentais. Não se mostra disposto a abandonar a relação infantil primitiva relativamente às figuras criadas pelo espírito. (...) A fé implica, potencialmente, num sacrificium intellectus (desde que o intelecto exista para ser sacrificado), mas nunca num sacrifício dos sentimentos.” JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião Oriental. p. 3.
[10] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião.p.9
[11] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião p.10
[12] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião p. 11
[13] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p.12
[14] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p12
[15] Cf. JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p.13
[16] “A psique existe, e mais ainda: é a própria existência.” JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p. 14
[17] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p.17
[18] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p.17
[19] DE WINCKEL, Erna van. Do Inconsciente a Deus. p.30
[20] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião. p. 40
[21] DE WINCKEL, Erna van. Do Inconsciente a Deus. p.31
[22] “A Crença é um modo de psique”. HERRMANN, Fabio. Psicanálise da Crença.p.28
[23] JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Religião.p.45
[24] ROSA, Merval. Psicologia da Religião. p.64
[25] Cf. HURDING, Roger F. A Árvore da Cura: Modelos de aconselhamento e de psicoterapia. p.70
[26] HURDING, Roger F. A Árvore da Cura: Modelos de aconselhamento e de psicoterapia. p.71
[27] “Quando sonhamos, dizia Freud, retornamos ou regressamos a um estado mental existente desde o ventre. Nesse mundo interior, nossos desejos mais ocultos podem manifestar-se de forma não intencional – fenômeno a que Freud se referiu como a realização de um desejo” HURDING, Roger F. A Árvore da cura: modelos de aconselhamento e de psicoterapia. p. 74
[28] A repressão só pode acontecer mediante a consciência da existência do desejo. Desejo aquilo que não quero ou não posso, por isso reprimo a minha vontade. Isto posteriormente Freud denominará como sintomas neuróticos.
[29] Como instinto fica entendido: “As forças que liberam essa energia mental...” HURDING, Roger F. A Árvore da cura: modelos de aconselhamento e de psicoterapia. p. 75
[30] HURDING, Roger F. A Árvore da Cura: modelos de aconselhamento e de psicoterapia. p. 75
[31] HURDING, Roger F. A Árvore da Cura: modelos de aconselhamento e de psicoterapia. pp.76 - 78
[32] HURDING, Roger F. A Árvore da Cura: modelos de aconselhamen to e de psicoterapia. p. 80
[33] HURDING, Roger F. A Árvore da Cura: Modelos de Aconselhamento e de Psicoterapia. p.81
[34] HURDING, Roger F. A Árvore da Cura: Modelos de Aconselhamento e de Psicoterapia. p.81
[35] A correspondência completa de Sigmund Freud para Wilhelm Fleiss: 1887 – 1904. Harvard University Press, 1985. Apud. HURDING, Roger F. A Árvore da Cura: Modelos de Aconselhamento e de Psicoterapia. p.81
[36] Falar com total liberdade sobre um nome ou fato que lhe venha a cabeça, e explorar este dado ao máximo.
[37] Confronto, interpretação e a reconstrução
[38] ROSA, Merval. Psicologia da Religião. p.63

quinta-feira, agosto 03, 2006

VIDA FAMILIAR...


Introdução
Autora: Sarah Paula de Oliveira Custódio

“A estrutura familiar está falida”, quem já não ouviu esta frase. Hoje é comum ouvir pessoas questionando sobre a vida familiar, onde o marido e a mulher não se suportam, os filhos não respeitam e não honram seus pais, e os pais estão desorientados na educação de seus filhos. Há uma “guerra silenciosa” dentro da família e ninguém sabe como acabá-la.

A família foi criada por Deus, seus princípios e valores estão baseados nas sagradas escrituras. Não é fácil amar nosso cônjuge ou filhos quando estamos decepcionados com eles, mas saber que Deus é amor em essência e nos capacita com este amor para não só amar nossos familiares como lutar por eles, nos motiva e nos conforta.

Nenhum de nós podemos governar nossas famílias pelas nossas próprias forças, mas pela graça de Deus. A nossa função como pais é depender de Deus para a educação de nossos filhos, e como cônjuges buscar orientação de Deus para a construção ou restauração de nossos casamentos.

Deus nos deixou princípios de vida familiar, que consiste em saber o que é o casamento para Deus, os papéis do homem e da mulher no casamento, o que deve ser prioridade para a família, como organizar as finanças, bem como a educação dos filhos e tudo o que isto envolve. São estes princípios que discutiremos nesta apostila.
I – Princípios Bíblicos Sobre Família

Deus trata Seu relacionamento com os seres humanos como uma aliança, selada pelo amor e indestrutível. Na bíblia existem várias alianças que foram feitas entre Deus e os homens (Aliança Adânica, Abrâmica, Noaica, Mosaica, Davídica e por fim com Jesus).

“Nós consideramos esse vínculo de Aliança como sendo um vínculo de Amor (Dt. 7:9). Mais, é um vínculo de vida. A aliança portanto, é um vínculo de amor real, de vida de amor caracterizado pelo relacionamento indestrutível entre duas partes, especialmente Deus e os seres humanos”. [1]

O casamento como instituição divina, é um casamento de aliança e não de contrato. O casamento de contrato é limitado, onde se um dos cônjuges não cumprir sua parte o contrato é desfeito. O casamento de aliança é ilimitado, baseado em votos (de amar e honrar) até que a morte os separe. A Bíblia diz que é melhor não votar do que votar e não cumpri-los (Ecl. 5:5).

Se o casamento é baseado na aliança, a família constituída por este casamento também.

“As pessoas numa família da aliança estão ligadas por um amor vivo e desfrutam esse relacionamento amoroso em união indissolúvel e inquebrável que é produtiva e dá frutos.” [2]

O casamento foi criado por Deus para trazer glória e honra ao seu nome. A família é o lugar onde colocamos em prática cultuar a presença de Deus e seus princípios, buscando sempre Sua orientação e vontade para a família.

“No cristianismo, o homem e a mulher têm diante de si a tarefa de representar perante o mundo, essa união que existe entre Cristo e a Igreja – uma imagem de altruísmo, devoção e fidelidade.” [3]

O padrão de relacionamento no lar, deve-se basear no padrão divino para a família quanto à questão de ordem e autoridade. Criar a família na maneira de Deus não é uma coisa fácil de se fazer “na verdade, é uma guerra. É guerra santa pela alma da família (...) é o caminho da negação do eu. É o caminho do serviço” [4]
Nossas famílias devem ter como valores o amor, a justiça, a humildade, a unidade e a misericórdia para com os outros.

“Uma das funções mais importantes da família é formar uma unidade capaz de satisfazer as necessidades de cada um de seus membros. Uma família que está funcionando satisfatoriamente supre as necessidades dos seus membros durante a maior parte do seu tempo.” [5]

Cada membro da família possui necessidades que precisam ser supridas, entre elas estão a auto-realização, auto-estima, estima dos outros, amor, afeição, segurança, necessidades físicas e perdão.

“A necessidade de perdão existe em abundância em todos os nossos lares, porque somos pecadores. A Graça do perdão que nós estendemos a outros será proporcional ao nosso entendimento e gratidão pelo perdão imerecido que recebemos”. [6]

Quando os pais são perdoadores, os filhos tendem a praticar o perdão não só com sua família, mas com a família que irão construir no futuro.

Baseado no relacionamento de aliança, existem alguns princípios que podem edificar o relacionamento na família:

Não usar máscaras, sejam transparentes uns para com os outros;
Que o casal viva e pratique ser uma-só-carne;
Sempre colocar-se na posição do outro;
Praticar o perdão diariamente;
Ter expectativas reais perante os outros;
Não anular o outro;
Respeitar as habilidades, competências e debilidades do outro;
Acreditar nas pessoas;
Não projetar as próprias falhas e erros nas outras pessoas, tomando sobre si a responsabilidades de seus erros.

II – Papéis do Homem e da Mulher no Casamento

Quando Deus criou o homem e a mulher (Gn. 1:26 e 2: 22), Ele capacitou cada um com qualidades que eram necessárias ao outro, a fim de que os dois se complementassem e não competissem um com o outro. Cada qualidade ou habilidade traz consigo a responsabilidade de desempenhar um determinado papel. Se um dos cônjuges não desempenha seu papel ou coloca sobre o outro suas responsabilidades, faz com que seu companheiro se sobrecarregue em funções não fazendo nem suas próprias funções.

Na Bíblia Sagrada os papéis do homem e da mulher são comparados com o de Cristo com a Igreja, Ef. 5:22,23.

Jesus ama e é fiel à Igreja (Mt. 28:20b)
Jesus perdoa (Lc. 23:34)
Jesus serve (Jo. 13:1-7)
Jesus lidera (Lc. 9:23)
Jesus Intercede (Lc. 5:16)
Jesus conforta (Mc. 6:34)
Jesus Exorta e Encoraja (Lc. 12:35-48)
Jesus é exemplo do coração de Deus (Jo.14:9)
Jesus respeita a autoridade (Lc. 20:20-26)
Jesus opõe ao pecado (Lc. 19: 45;20:45-47)
Jesus discerne Espíritos (Lc. 5:22)
Jesus tem autoridade sobre as trevas espirituais (Lc. 4:36)

A Igreja ama (Mt. 22:37)
A Igreja honra (I Tm. 1:17)
A Igreja estima, respeita e reverencia-O (Hb. 12:28)
A Igreja toma conta de tudo o que Jesus providenciou (Lc. 19:13)
A Igreja exorta (Hb. 3:13)
A Igreja conforta (II Co. 1:4)
A Igreja dirigida pelo Espírito (Rm. 8:24)
A Igreja serve (Jo. 13:13-16)
A Igreja respeita a autoridade dada por Deus (At. 23:4,5)
A Igreja ora sem cessar (I Tess. 5:17)
A Igreja toma autoridade sobre as trevas espirituais no Nome de Jesus (I Jo.4:1)
A Igreja ministra (Mt. 28:18-20)
A Igreja nutre (I Co. 12:25)

Da mesma forma homens e mulheres têm papéis definidos em seus lares.


1. Papéis do Homem

1.1. Líder (I Co. 11:3 e Pv. 13:16)

Ele foi chamado para exercer autoridade sobre sua casa . “Ele tem o direito de fazê-lo. Ele tem a habilidade de fazê-lo. Autoridade e habilidade não podem ser separadas”. [7]

Esta autoridade deve ser exercida sem brutalidade ou autoritarismo, mas como Cristo exerceu sobre sua Igreja , em amor.

“O homem sábio pede que a esposa dê a sua opinião, respeita a opinião dela e pergunta se ela sente que tem liberdade para dar sua opinião. Ele valoriza a intuição feminina dela e entende que não é bom ele estar só na tomada de decisões”. [8]

Ele deve portanto exercer sua autoridade com humildade, amando e respeitando, dando sua vida por sua esposa. Dar-se totalmente por ela, é submeter-se à cruz diante dela, é deixar que seu ego morra diariamente.

1.2. Ama e Protege ( Ef. 5:25-28, I Co. 7:3-5 e Rt. 3:9).

Uma das funções mais especiais do homem para com sua esposa, é amar e proteger. Toda mulher deseja ser amada, o que significa ser respeitada, honrada e se sentir a pessoa mais importante na vida de seu cônjuge. O marido deve ser o primeiro a expressar o amor no seu relacionamento, e diariamente aumentar este amor. A Bíblia diz: “Maridos amai as vossas mulheres como Cristo amou a Igreja” (Ef. 5: 25-28).

“Marido, considere sua esposa um tesouro que lhe foi dada por um Deus generoso. Ame-a Conceda-lhe honras. Reconheça seus talentos. Mostre gratidão pelo que ela procura fazer, e consideração por seus sentimentos. Procure demonstrar o seu amor por ela, todos os dias, com sinceridade e ternura. Essa”vitamina”diária tornará a vida conjugal muito mais compensadora para ela – e para você”.[9]

O homem pode demonstrar amor praticando alguns princípios:

Elogie sua esposa;
Seja sensível aos medos dela;
Desenvolva segurança emocional a sua esposa;
Lembre-se das “pequenas coisas”;
Providencie horas para as conversas íntimas;
Veja sua esposa como a parte mais frágil ;


A mulher também precisa se sentir protegida e tranqüilizada (Ef. 5:25 e I Pe. 3:7), e não abandonada e sozinha mesmo quando casada. Muitas mulheres têm que assumir esta função porque seu marido se esquiva de cumpri-la.

1.3. Perdoa e Serve ( Mc. 10:44; Mt. 6:14,15).

O marido precisa ser o primeiro, como cabeça, a praticar o perdão e o serviço. Ele deve abençoar sua esposa com estas duas práticas diariamente. Quando ele chega em casa, cansado de tanto trabalhar, deve pensar que o dia de sua esposa também não foi fácil, mesmo que ela não trabalhe fora, ele precisa saber que cuidar da casa e dos filhos é um trabalho árduo e cansativo, o que significa que sua esposa está desejando ansiosamente sua chegada para que seu marido fique um pouco com os filhos, ou lhe ajude com pequenas tarefas da casa enquanto ela faz o jantar, para depois os dois poderem descansar juntos.

Quanto ao perdão, é necessário começar a praticar nas pequenas coisas, a fim de conseguir perdoar as grandes falhas, e deve ser almejado diariamente como algo essencial a qualquer relacionamento. Muitas vezes desejamos misericórdia dos outros em relação as nossas falhas, mas esquecemos que também precisamos ser misericordiosos e perdoar.

1.4. Provedor (I Tm. 5:8; Dt. 6:6-9; Pv. 6:8-11; 10:4,5; 12:11)

O marido é o responsável pelo sustento físico, emocional e espiritual de sua esposa e filhos. Por mais que a esposa trabalhe fora, ela não pode tomar a responsabilidade sobre si do sustento da casa, e sim auxiliar. Em Gn. 3:19 diz: “Do suor do teu rosto comerás”

1.5. Intercessor (Hb. 3:13; Tg. 4:7;5:16).

Ele é responsável pela vida espiritual de seu lar, deve ensinar seus filhos a orar, decorar versículos, fazer o culto no lar, meditar na palavra, dar o dízimo e as ofertas, e ensinar sua família a fazê-lo. Deve ter uma posição firme contra o pecado (Hb. 3:13; II Co. 10:5,6). Deve respeitar toda autoridade dada por Deus (Lc. 19:45). E guerrear contra as ciladas do inimigo contra sua família (Tg. 4:7; 5:16).


2. Papéis da Mulher

2.1. Submissão ( Efésios 5 :22-24)

As mulheres devem ser submissas ao seu marido como a Igreja é para com Cristo. Quando entendemos este princípio achamos fácil a mulher ser submissa a alguém que a ama tanto que vê as necessidades dela acima das suas e é capaz de entregar sua vida por ela.
“A submissão nada tem a ver com status ou supressão. Os homens e as mulheres são iguais. A submissão tem a ver com a função – a maneira que Deus diz que o casamento deve funcionar. A submissão não é um rol legalista de comportamentos” [10]

Ser submissa, não significa se anular, ou acatar todas as “ordens” do marido, mas estar debaixo da mesma missão do marido, que é edificar e fortalecer a família sobre os princípios de Deus.

2.2. Apoiar ( Ef. 5:22-24; I Pe. 3: 1, 2)

Uma das funções de vital importância da mulher para com sua casa, é dar apoio ao marido, respeitando e honrando sua autoridade. Não tomando partido para os filhos desautorizando o pai. É ajudar o marido a enfrentar os desafios da vida e nas tomadas das decisões necessárias para o bom andamento da casa. Ela confia no marido e lhe faz bem (Pv. 31: 11,12).

2.3. Auxiliar/ Companheira (Gn. 2:18; Pv. 31:10-12; I Co. 7: 3-5; I Pe. 3: 4-6)

Quando Deus criou a mulher, disse ao homem que estaria criando uma auxiliadora que lhe fosse idônea, sem mancha. Auxiliar significa circundar o marido com apoio, exortação e conforto. Perante a mulher, é o único lugar em que o homem pode se sentir e dizer que está fraco, que precisa de apoio e ajuda para tomar uma decisão difícil. Perante sua amada, ele pode chorar e dizer que está difícil ou que não sabe o que fazer diante daquela situação. Com sabedoria, ela terá que apoiar, e se necessário exortar ou confortar. Ela é o “radar” quando alguma coisa em volta não está bem, por ser mais sensível, consegue perceber o comportamento das pessoas, mais do que os fatos como os homens, podendo auxilia-los.

2.4. Administrar ( Pv. 31: 13-30)

A mulher tem a função de administrar com zelo, tudo o que entra em sua casa, aumentando e multiplicando aquilo que o marido providenciou.

Multiplicar o que entra dentro de casa nas mínimas coisas. Comprando produtos na data de validade para não jogar comida fora, zelar pelos móveis e eletrodomésticos, saber lavar e passar a roupa de modo a não perde-la depressa. E numa situação financeira difícil, buscar sabedoria divina, em oração e na palavra, para multiplicar aquilo que Deus lhe confiou.

“A mordomia fiel e cuidadosa dos bens materiais cabe bem a esposa; o trabalho árduo e a preocupação de adquiri-los cabem somente ao homem.” [11]

Cabe à mulher dá um bom andamento na casa, como diz o v.27. Não adianta ter um ministério ou profissão bem sucedida fora de casa e negligenciar sua própria família.

2.5. Serve/ Perdoa ( I Jo. 4:19-21; Jo. 13:35)

A esposa, como o marido, deve saber perdoar e servir em amor. Não é fácil cuidar da casa, onde quando se termina, logo se suja novamente, mas a esposa sábia é aquela que cuida da casa com amor, que sabe usar sua boca para edificar e não destruir. A esposa que serve se dedica as necessidades das outras pessoas (Pv. 31:20).

Ela deve também praticar o perdão, e ensinar os seus filhos a fazerem o mesmo.

2.6. Intercessora/ Discernimento ( Ef. 6:18; I Tss. 5:17)

A esposa é a principal intercessora do marido e dos filhos. Ela possui a habilidade do discernimento, onde ela percebe tudo o que está acontecendo de errado em sua volta, é como se fosse um radar, e sua função é falar com seu marido sobre o que está acontecendo, advertindo sobre qualquer ameaça que venha contra sua família. Esta intercessão deve ser feita diariamente, sobre os filhos, sobre si e o marido.

III – Prioridades

Muitos casamentos passam por crises profundas porque o casal tem prioridades diferentes um do outro, às vezes a prioridade de um é o trabalho, ou o ministério e para o outro é a família.

Quando falamos de prioridades para uma família, devemos levar em conta o que Deus diz sobre prioridades. A Palavra de Deus diz que devemos “Amar a Deus sobre todas as coisas” (Dt. 6:5). Neste sentido, a prioridade essencial na vida de qualquer pessoa ou família, é Deus, Ele deve estar acima de qualquer coisa em nossa vida, inclusive família e o ministério.

Em segundo lugar vem à família, esposa (o) e filhos. As necessidades de sua família devem preceder às exigências profissionais, eclesiásticas e comunitárias.

“Proteja sua família, guardando seu coração de querer agradar os homens. A tentação será colocar as expectativas das pessoas de sua congregação antes de sua esposa” [12]

A Bíblia diz: “Pois, se alguém não sabe governar sua própria família, como poderá cuidar da Igreja de Deus?” (I Tm. 3:5), e ainda: “Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um infiel” (I Tm. 5:8). Quando o lar está em ordem , é mais fácil auxiliar o mundo que nos rodeia. O pastor deve ter o cuidado de não perder sua família para o ministério, organize seu tempo para ficar com os filhos e com a esposa, eles precisam de você, eles precisam de proteção e cuidado como suas ovelhas, mas a prioridade para Deus é que a família seja cuidada em primeiro lugar. O pastor não pode esquecer que quem é o dono da “obra” é Deus, e não ele, sendo assim, a “obra” consegue andar sem ele por um tempo (se bem delegado), para que o mesmo possa dedicar mais tempo para sua família.

Algumas pessoas podem assumir mais responsabilidades que outras, neste sentido, as suas prioridades deverão levar em conta as pessoas elas são mais importantes que o dinheiro, prestígio ou poder.


IV – Finanças

Esta é uma área que não deve ser decidida só pelo marido, se não houver acordo entre os cônjuges de como administrar as finanças da casa, certamente haverá conflito entre o casal.

A primeira coisa a se fazer nas finanças de um casamento de aliança é não existir contas separadas entre o casal, por mais que os dois trabalhem fora, os dois devem saber quanto cada um ganha e o que se tem na conta. Quando o casal recebe, eles devem combinar o orçamento junto, receitas e despesas, para que ambos tenham uma visão realista da situação financeira, e não haja cobrança nem acusação posteriormente caso haja dívidas na família. Assim tanto as conquistas como as dificuldades financeiras serão de ambos.

Se só o marido é quem trabalha, ele não deve se achar no direito de comandar sozinho o dinheiro da casa, a mulher deve receber certas quantias sem restrição de acordo com o orçamento familiar, para administrar as necessidades básicas da família e da casa. O marido por sua vez deve valorizar e não menosprezar o trabalho doméstico de sua esposa, como também o cuidado diário dos filhos.

Quando o homem estiver desempregado e a esposa estiver trabalhando, ela deverá ter cuidado para não se tornar “a chefe da família”, ao contrário este papel pertence ao marido e ela deve honrá-lo como tal. O casal deve fazer uma avaliação criteriosa dos gastos, para reduzi-los ao mínimo até que a situação se normalize.

O casal pode seguir alguns princípios para administrar bem as finanças da casa, como:

Saiba comprar com sabedoria e amor;
Saiba economizar na hora do aperto;
Saiba viver com o que ganham, e não fora da realidade financeira da família;
Não comprar coisas desnecessárias;
Compulsão para comprar é doença, deve ser tratado;
Saiba comprar a prazo, evite juros e gastar tudo o que ganha;
Se o casal não tem controle para ter cartão de crédito, evite tê-lo;
Reconheçam que tudo o que vem as nossas mãos pertence a Deus (Sl. 24:1), isto é, através do princípio de mordomia;
Estabeleça um sistema de valores baseado na palavra de Deus (Mt 6:19,20,21 e 33), isto é, baseado no princípio de mordomia;
Procure sair das dívidas (Sl. 37:21; Rm 13:8 e Pv. 22:7);
Estabeleça prioridades na compra;
Pague corretamente os impostos – “Daí a César o que é de César”;
Faça o orçamento familiar com o cônjuge;
Faça Caridades (Pv. 11:24-25);
Trabalhe diligentemente;
Não seja fiador de ninguém (Pv. 20:16; 11:15);
Não viva em desonestidade;
Não tenha segredos financeiros com seu cônjuge;
Dê o dízimo e as ofertas;
Separe 10% para a poupança, estabeleça um valor mensal como se fosse uma contar a ser paga e guarde para “tempos difíceis”.


V – Comunicação

Uma das partes mais importantes do relacionamento é a comunicação. A comunicação envolve transmissão e recebimento de uma mensagem, se houver problema em um destes aspectos à comunicação será prejudicada. Um marido pode dizer para a sua esposa que “sua comida está boa hoje”, a esposa pode interpretar que seu esposo nunca gostou de sua comida, a não ser especificamente neste dia, ou que ele está realmente fazendo um elogio, ou só percebeu o gosto da comida neste dia. Pode-se perceber que a maneira que a pessoa fala e como o receptor está emocionalmente, pode variar a interpretação de uma comunicação.

Uma distorção que também pode ocorrer numa comunicação é a pessoa falar uma coisa com a boca, mas agir de outra maneira, exemplo: quando um dos cônjuges diz que ama o outro, mas age de maneira diferente, desonrando,desrespeitando, manipulando, criticando, etc.

Uma boa comunicação pode se basear em alguns princípios como:

· Seja sempre sincero e transparente com os outros;
· Escolha o tempo certo para a falar;
· Não brigue na frente dos filhos;
· Não brigue em público;
· Fale sempre a verdade em amor (Cl. 3:9; Ef. 4:25);
· Não use o silêncio como manipulação;
· Não agrida verbalmente os outros;
· Não seja precipitado em responder (pense antes de responder);
· Não responda com raiva, evite explodir;
· Faça elogios, evite críticas.

Se os pais quiserem ter uma boa comunicação com os filhos, eles devem mostrar uma boa comunicação entre o marido e a esposa. Todos na família tem o direito de falar, e expressar seus sentimentos. Os filhos precisam saber que suas opiniões são importantes, até para que eles aprendam a sistematizar melhor suas idéias, medos, frustrações e ansiedades.

O momento da alimentação é ideal para que aja uma boa conversação em família, se for necessário, crie regras como não falar enquanto o outro não termine, ou quando alguém fizer uma pergunta, ela deve ser respondida e não ignorada.

Quando seu filho fala, olhe para ele e depois fale, preste atenção no que seu filho está falando, que ele vai prestar atenção quando você falar. Quando é você quem fala, faça perguntas objetivas, mostre que é importante ouvir suas opiniões e observações da vida. Permita a seus filhos expressarem suas emoções.

“Observe seus filhos. Procure as emoções que podem estar registradas em seu rosto. Faça um balanço das tensões emocionais que os afetam. Sempre que for possível, encoraje-os a falar de toda e qualquer preocupação e sentimento. Leve-os a compartilhar o que estejam sentindo – de positivo ou negativo, agradável ou doloroso. Se for difícil de abrirem, dê um empurrão, repartindo com eles alguns de seus próprios sentimentos”. [13]

Aprenda a ler a linguagem não verbal de seus filhos, e valorizar as diferenças individuais de cada filho, um poderá ter facilidades para se comunicar, enquanto que o outro talvez seja extremamente retraído. Estimule quem não fala muito a falar gradualmente, e ensine o que fala demais, a dar espaço para os outros falarem.


VI – Educação de Filhos

Os Filhos são um presente de Deus para a vida dos pais, eles devem ser cuidados como um tesouro que foi confiado para os pais administrar. “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Feliz o homem que enche deles a sua aljava” (Sl. 127:3,5).

Como tesouro, devem ser cuidados com carinho desde que nascem. Este cuidado abrange o direito de moradia, alimento, proteção, carinho e educação (guiar, desenvolver, disciplinar e formar). Por mais que existam escolas, e professores de Escola Dominical, os principais educadores dos filhos são os próprios pais.

“Deus nos dá dezoito anos para a educação dos nossos filhos. Devemos dividir esses anos em duas fases. Muitos pais erram tragicamente porque tentam treinar seu filho de dezesseis anos com o mesmo tratamento que ele daria ao filho de seis anos (...), os pais precisam ser restritivos com os filhos pequenos para poderem ser progressivamente liberais quando chegam à idade da adolescência.” [14]

A educação dos filhos não se restringe só a mãe, por ficar mais tempo com os filhos, a influencia do pai é muito forte e indispensável, ele pode incentivar ou contrariar totalmente o que a mãe ensina durante todo o dia. “Se as crianças tratam sua mãe com desrespeito ou indiferença, o pai precisa examinar sua atitude e comportamento para com sua esposa.” [15]

Em Provérbios 22:6 diz que devemos ensinar os nossos filhos no caminho em que devem andar. A educação dos filhos abrange todos os tipos de instruções, desde como se portar à mesa, até sobre os valores morais. E deve ser ensinada com amor e paciência, sempre mostrando aos filhos o que esperamos deles. “Não basta o filho compreender bem a ordem recebida; os pais precisam ajuda-lo mostrando-lhe como executá-la corretamente”. [16]

Os pais devem ser exemplos de vida, de caráter e moral dos filhos. Falando sempre a verdade, cumprindo as promessas e os advertindo com firmeza. Isto é que vai criar nos filhos o amor pela verdade.

Alguns princípios podem ajudar os pais na educação dos filhos:

· Dar tempo aos filhos, fazer atividades juntos;
· Amar os filhos com ações, palavras e contato físico;
· Não usar a autoridade de maneira imprópria;
· Não disciplinar os filhos nos momentos de raiva;
· Não disciplinar sem boa comunicação;
· Criar na disciplina do Senhor;
· Desenvolver a auto-imagem do filho, com elogios, atenção e estímulo à criatividade. Apoiar os acertos e não menospreza-lo como filho ou pessoa;
· Mesmo que a família tenha condições, as finanças devem ser administradas sem ostentação ou exagero, a criança mesmo com condições não deve ter tudo o que deseja;
· Os filhos podem passar por momentos de ira, depressão, perda, medo, ansiedade e culpa. É importante os pais aprenderem a lidar com estas situações, e se for necessário, procurar ajuda com conselheiros, psicólogos e terapeutas.


VII – Autoridade X Autoritarismo

Quando se fala em educação de filhos, logo se pensa que é o momento onde os pais devem exercer sua autoridade sobre os filhos. Mas muitos pais confundem autoridade com autoritarismo. Autoridade é um poder legítimo e legal, advém de Deus e não é imposto. Autoritarismo é baseado no medo e na imposição, a criança obedece não porque honra ou respeita, mas por medo.

A autoridade dos pais vem diretamente de Deus, e não deles mesmos. Os pais devem exercer a autoridade como agentes de Deus para orientar seus filhos não segundo seus interesses, mas segundo os padrões divinos. Esta autoridade não deve ser exercida com autoritarismo, mas em amor.

“Deus os chama a exercerem autoridade, e não a obrigarem seus filhos a fazerem o que vocês querem. Ele os chama a serem verdadeiros servos, ou seja, autoridade que entregam suas próprias vidas. O propósito de sua autoridade na vida de seus filhos não é mantê-lo debaixo do seu poder, mas capacitá-los a serem pessoas autocontroladas que vivem livremente sob a autoridade de Deus.” [17]

Se a autoridade dos pais vem de Deus, ela não deve ser questionada pelos filhos, a Bíblia não diz que os filhos devem obedecer aos seus pais só quando eles estiverem certos, mas “Filhos obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é Justo” (Ef. 6:1). “Filhos, em tudo obedecei a vossos pais, pois faze-lo é grato diante do Senhor” (Cl. 3:20).

Se os pais estiverem errados ou cometerem algum erro, eles não devem se ater só na reação de seus filhos perante o erro, mas “o que Deus pensará se eu tender esconder os fatos e agir como se nada tivesse acontecido? Deus honra o arrependimento franco e honesto tanto dos pais quanto dos filhos.” [18]. É desejo de todos os pais serem perfeitos na educação de seus filhos, mas como seres humanos imperfeitos que somos, nem sempre isto acontece. O importante neste caso é reconhecer o seu erro, arrepender-se e pedir perdão aos seus filhos. O perdão incentivará um recomeço tanto para os pais quanto para os filhos.


VIII – Pastorear o Coração

“Porque de dentro do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba e a loucura.” Marcos 7:21,22.

Todas estas ações procedem do coração, sendo assim, a educação dos filhos não deve se ater apenas na correção do comportamento dos filhos, mas em corrigir os desígnios de seu coração, ou pastoreá-lo. Pastorear o coração do filho não é só entender “o quê” das suas ações, mas também o “por que”.

“Pastorear envolve investir sua vida em seu filho, através de uma comunicação honesta que expõe o significado e o propósito da vida. Não é simplesmente direção, mas sim direção em que há auto-revelação e compartilhamento – valores e vitalidade espiritual não são simplesmente ensinados, mas assimilados.” [19]

O coração não é fonte apenas dos maus desígnios, mas também de vida, e é isto que deve ser cultivado. “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv. 4:23); “O homem bom do bom tesouro tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal, porque a boca fala o que o coração está cheio”. (Lc 6:45).

As coisas que o filho diz e faz reflete o seu coração, assim, se os pais quiserem ajuda-los precisam compreender os sentimentos que impulsionam o seu comportamento.

“Uma mudança de comportamento que não advém de uma mudança de coração não é recomendável; é condenável. Não foi a hipocrisia que Jesus condenou nos fariseus? (...) Precisa entender, e ajudar seu filho a entender, como seu coração errante produziu um comportamento errado.” [20]

Para exemplificar, pode-se pegar duas crianças que brigam por um brinquedo, a primeira pergunta dos pais é sobre quem pegou o brinquedo primeiro. A justiça opera em favor da criança que foi mais rápida em pegar o brinquedo. Na verdade temos dois ofensores, os dois estão preferindo a si mesmos e não um ao outro. Ambos estão demonstrando que são egoístas. A disciplina não será só sobre o comportamento de brigar, mas tratar o egoísmo.

“O ponto de confronto é o que está acontecendo no coração. Sua preocupação é desmascarar o pecado de seu filho, ajudando-o a entender como seu comportamento reflete um coração pecador.” [21]

Toda família tem seus valores, mas precisamos nos ater aos valores de Cristo. Quando se pergunta a uma criança o que poderia lhe causar mais problema, quebrar um objeto caro ou desobedecer a uma ordem específica de seus pais, o valor ensinado em seu lar será demonstrado em sua resposta. Se ela será disciplinada por causa do objeto, seus pais disciplinam coisas superficiais (mesmo que seja caro), se disciplinam pela desobediência de uma ordem, estão disciplinando o coração, acabando com a rebeldia.

“Existem outros aspectos dos valores familiares. Quais são os limites dentro da família. Onde os segredos são guardados ou revelados? Os relacionamentos com os vizinhos são instintivamente abertos ou restritos? Qual a altura das muralhas em torno da família? Onde estas muralhas podem ser penetradas? Algumas famílias nunca revelaram seus parentes a seus parentes, mas livremente os compartilham com um vizinho que está próximo.” [22]

Os valores são importantes quando se quer pastorear o coração do filho, pois pastorear significa ajuda-lo a entender a si mesmo, a Deus e o mundo que o rodeia. Como os pais podem orientar e disciplinar o filho, se os seus valores são deturpados ou contradizem aos valores de Deus? É necessário portanto que os pais baseiem sua disciplina e orientação na palavra de Deus e na fé em Jesus Cristo.


IX – Regras

Todo ensino implica no estabelecimento de regras, se os pais souberem usar bem este mecanismo para a educação dos filhos, desenvolverá nos mesmos a ordem e a rotina. Uma criança sem regras não possui limites, e vive em sentimentos inconstantes, podendo se tornar impulsiva e retraída. Entretanto, os pais devem se preocupar com os dois extremos das regras, se por um lado usam as regras sem firmeza, do outro podem usá-las em excesso ou de forma injusta.

Fixar regras é de responsabilidade dos pais e não dos filhos, por isto, os pais devem estar atentos ao bom andamento das regras ou não, se for necessário, é preciso muda-las para a adaptação da família. O importante é existir coerência entre os pais, para não haver conflito de regras.

“Numa família há dois supervisores – a mãe e o pai. Supervisão envolve compromisso de ambos os pais com as mesmas regras. A fixação de regras não é uma arena de conflitos latentes entre os pais. O estilo de liderança de vocês pode diferir, mas as regras têm de ser as mesmas.” [23]

Ser supervisor de regras implica, estabelecer as regras, neutralizar a resistência dos filhos através da disciplina e ajudá-los no que for possível para a adaptação e o cumprimento das regras.

“Uma maneira de evitar muitas discussões entre os pais e dar aos filhos sensação de estabilidade e de cooperação familiar é fixar uma estratégia para as pontes problemáticas: hora de dormir, refeições, ir para a escola, ir para a igreja, outras atividades, horário de televisão”. [24]

Se os pais tivessem a noção de como é importante para o filho chegar em casa e ter uma rotina, em ter a previsibilidade do que vai acontecer em cada momento da vida familiar, com certeza, usaria as regras com maior freqüência. A criança desde pequena necessita saber o horário de dormir, de brincar e estudar, ela precisa saber que no horário das refeições, todos sempre que possível, estarão sentados à mesa para conversar.

As regras ajudam a tornar as coisas da casa previsível e proporciona aos pais um campo para trabalhar e se ajustar na educação dos filhos. Ajuda a criança a prever o que vai acontecer e o que se espera dela. Elas devem ser atingíveis, razoáveis e claramente entendidas, de maneira que o filho possa cumprir e até goste de fazê-la. E não devem se exceder em quantidade, de modo que os filhos nunca consigam cumpri-las corretamente.

Em I Samuel 16:23 diz: “Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e o culto a ídolos do lar”. Todo ser humano nasce com a natureza pecaminosa, e ela precisa ser contida através do ensino, disciplina e orientação. Por isto é necessário aproximar a criança de Deus, “porque só Ele pode ajuda-las em seu egoísmo, rebelião e teimosia.” [25]

Os pais devem estar cientes de que as regras vão se ajustando de acordo com a idade da criança, assim como a liberdade, eles podem dar mais ou menos liberdade conforme os filhos tem habilidade para usá-las.


X – Disciplina

A disciplina é parte fundamental na educação dos filhos. É o momento de ajustar o caráter do filho segundo os padrões divinos.

“A palavra disciplina não deve ser separada da palavra discípulo. Na realidade, se nós discipularmos, de acordo com a palavra de Deus, nós estamos fazendo discípulos de Cristo (...) Discipliná-los, portanto, é basicamente treina-los na verdade, distintivamente de ensinar a verdade. A verdade que é ensinada deve ser relevante para a vida e isto deve ser enfatizado e demonstrado todo o tempo.” [26]

Por isto, a disciplina deve ter objetivos claros, que devem ser estabelecidos pelos pais, a curto, médio e longo prazo. Muitos pais se perdem nos objetivos, enquanto um espera algo do filho, o outro espera outra coisa completamente diferente sobre a mesma situação. Se os pais estiverem em desacordo sobre a disciplina dos filhos, não tire a autoridade do cônjuge sobre os filhos, eles devem conversar longe do filho, entrar em acordo e aplicar a disciplina. Se a disciplina já foi efetuada em desacordo, não desautorize o cônjuge, deixe a disciplina ser cumprida e depois conversem. Se o filho perceber que os pais estão em desacordo, ele usará a oportunidade para jogar um pai contra o outro, e aproveitará a situação para “se dar bem “ com o pai que “estiver de seu lado”.

Outra dificuldade de muitos pais é “quando” começar a disciplinar. É comum encontrarmos crianças que até seus dois anos nunca tinham sido disciplinadas, e pior, muitas vezes nunca tinham escutado um não. Isto torna a criança sem limite e como conseqüência, completamente insegura.

A disciplina deve começar logo que a criança começa agir com rebeldia. A palavra “não” deve ser dita desde os primeiros meses de vida.

“A criança sabe se pode ou não manobrar os pais e o fará, se puder. A criancinha que descobre que chorar, prender a respiração, ou fazer birra na hora de comer, a tornarão o centro de atenção da família, irá chorar, prender a respiração e fazer birra na hora de comer.” [27]

A criança já nasce com a natureza pecaminosa e com tendência a se rebelar, é comum vermos crianças com 2 ou 3 meses dando tapas no rosto dos pais. Ninguém lhe ensinou que quando tiver algo que ela não goste é só virar a mão e bater, ela faz isto sozinha. E esta atitude deve ser contida assim que começa.

“Quando houver necessidade diga não e corrija, no início os filhos poderão reclamar, mas se sentirão seguros em saber que seus pais o amam a ponto de correr o risco de vê-lo irritado com eles, e que têm o bom senso e a firmeza necessários para protegê-lo contra sua própria insensatez.” [28]

A disciplina deve ser aplicada imediatamente após a “falta” que o filho cometeu. Em Eclesiastes 8:11 diz: “Visto como o não se executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal”. Os pais não devem “deixar pra lá”ou dizer que vai disciplinar depois e se esquecer, ou achar que não precisa mais. Se os pais prometeram , devem cumprir, se eles não fizerem isto, certamente ficará em descrédito perante o filho.

“Se o filho se recusar a obedecer, o pai deve levá-lo a um lugar onde possam estar a sós, e, então, aplicar nele uma boa dose da disciplina bíblica. Depois disso, deve repetir a ordem. Quando isto é feito desde cedo e de modo coerente, logo a criança aprende que a autoridade de seus pais não é de brincadeira. Será sempre uma criança alegre, confiante e obediente, crescendo sob a autoridade de seu pai e desenvolvendo-se de acordo com o padrão divino.” [29]

Por ter padrões divinos, a disciplina deve ser justa, firme e coerente, ou seja, deve-se tratar da mesma forma (tolerância ou severidade) quando a criança cometer a mesma “falta”, não deve haver distorções.

“Deixar de punir um ato de flagrante desobediência e rebelião é colocar a vontade e sabedoria própria acima da vontade e sabedoria de Deus.” [30]

A disciplina deve ser aplicada com firmeza quando necessário, mas nunca com raiva ou ressentimento “porque a ira dos homens não produz a justiça de Deus” (Tg. 1: 20). Se os pais perderam a paciência e estão descontrolados, precisam se controlar primeiro para depois tratar com a criança. “A correção não é mostrar a ira pela ofensa deles; é lembra-los de que seu comportamento pecaminoso ofende a Deus”. [31]

Quando os pais disciplinam os filhos irados, a única coisa que conseguem é provocar a ira neles. “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef. 6:4).

Caso ocorra dos pais disciplinarem seus filhos irados, eles devem pedir perdão aos seus filhos, e retomarem a disciplina em amor. O perdão faz parte da disciplina. Enquanto o castigo controla o comportamento da criança. O perdão propicia condições para a formação do caráter. Toda vez que a criança fizer ou disser algo, além da disciplina ela deve pedir perdão ao ofendido, seja pais, irmãos, tios, avós, amigos, etc... Ela precisa entender que o que ela fez ou disse, magoou a outra pessoa, e que ela precisa se retratar. E que todos os seus atos tem conseqüências, boas ou ruins.


A disciplina envolve não só correção ou repreensão, mas também encorajamento, apelo, aviso, ensino, admoestação e obediência. Por isto, muitas vezes, os pais precisam buscar orientação divina sobre o quê fazer ou dizer sobre determinada situação. Não se esquecendo de que é o Espírito Santo quem muda o coração e o caráter da criança.


XI – Vara e Comunicação

O uso da vara na disciplina é uma ordenança bíblica, “Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Pv. 23:13). “Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer”(Pv. 23:22).

Estas passagens unem a vara e a comunicação, ambas são essenciais para a criação bíblica dos filhos. “O uso da vara preserva, enraizada biblicamente, a autoridade dos pais.” [32]

Entendemos por comunicação o diálogo, não o monólogo, os pais devem falar com seus filhos e não só “aos seus filhos”. Não é só saber falar, mas saber ouvir. Em Pv. 18:13 diz: “responder antes de ouvir e estultícia e vergonha”.

“A conexão da vara com a sabedoria é de profunda importância, a criança que não está se sujeitando à autoridade paterna ou materna está agindo insensatamente. Está rejeitando a jurisdição de Deus> Está dando sua vida à imediata satisfação da suas vontades e desejos. Enfim, recusar a regra de Deus significa escolher sua própria regra, que leva à morte. Isto é o cúmulo da insensatez.” [33]

Em Pv. 23:14 diz: “Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno”. Os filhos pela desobediência a Deus correm o perigo da morte espiritual, os pais tem o dever de usar a vara como um meio dado por Deus para ensinar os filhos sobre sua insensatez.

No momento da disciplina certamente o filho ficará triste, mas o futuro mostrará que este foi o melhor caminho. Hebreus 12:11 diz: “Toda disciplina com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; depois, entretanto, produz fruto pacífico ao que tem sido por ela exercitados, fruto de justiça”.

A vara é importantíssima para a educação dos filhos, mas deve ser usada só em caso extremo, e somente pelos pais (que não estejam no momento de ira), em hipótese alguma pelos outros adultos que rodeiam a criança, como: tios, avós, professores de escola ou EBD, e muito menos por vizinhos ou estranhos.


XII – Orientação Sexual aos Filhos

Sexo é um assunto muito amplo, não está só ligado as diferenças anatômicas do homem e da mulher, ou só na reprodução humana. Envolve a relação de comportamento do homem para com a mulher, do homem para com o homem, da mulher para com a mulher e da mulher para com o homem. Bem como os papéis sexuais e as maneiras de como se lidar com as diferenças sexuais do homem e da mulher.

Cada criança imita pai ou mãe em seus afazeres, e o modo com que pai ou mãe trata um ao outro conforme sua sexualidade. Os meninos e as meninas desde cedo brincam com coisas concernentes ao seu sexo.
A autora Susan Hunt demonstra a importância do papel dos pais na formação da idéia de sexualidade que os filhos terão no futuro:

“A maneira em que maridos e esposas tratam um ao outro, o respeito que mostram um pelo outro, a forma em que combinam seus dons e graças, e o modo em que juntos servem ao Senhor, ensinam às crianças sobre sua própria sexualidade. Quando os esposos e esposas são felizes e estão confortáveis com seus papéis sexuais, eles formam um lugar saudável para ter conversas sobre sexo. Se os maridos e/ou esposas fazem com que sejam importante à atração física (ou falta de beleza) de outras pessoas, estão ensinando às crianças uma visão errada do sexo”.[34]

Quanto ao momento da conversa em si, não existe um tempo pré-determinado para se falar de sexo com os filhos. Vai depender da própria criança, as perguntas vão surgir naturalmente, e vai ser de acordo com a idade da criança. Quando a criança é pequena, sua principal pergunta é sobre como que nascem os bebes, não minta para os filhos falando da cegonha, diga-lhes a verdade de forma clara e objetiva, pode-se falar das sementinhas do papai e da mamãe que se juntaram e formaram um bebê na barriga da mamãe, mostre para a criança que ela também estava na barriga da mãe numa “caminha” bem confortável até nascer, mostre mulheres grávidas deixe-as sentir o chute da criança, para crianças pequenas é o suficiente.

As orientações vão se complementando gradativamente, já com 5 e 6 anos, a curiosidade vai ser a respeito das diferenças físicas entre o homem e a mulher. Na pré-adolescência já é bom conversar sobre a menstruação com as meninas e sobre a ejaculação noturna com os meninos, para não pegá-los de surpresa. Na adolescência é importante falar da relação sexual propriamente dita, os cuidados , o princípio de Deus para a relação sexual, de ser algo que deve acontecer depois do casamento e com a pessoa amada. Peça a Deus para não contar cedo de mais ou não reter informações por tempo demais ao seu filho.


XIII – Orientação Financeira aos Filhos

A orientação financeira aos filhos deve ser feita através do princípio de mordomia, de que tudo o que os pais recebem vem de Deus, o emprego, o dinheiro, etc..., e que os pais são administradores dos bens que Deus lhes deu. Por isto, é importante gastar ou usar o dinheiro que entra em casa com sabedoria.

Neste sentido, a criança desde pequena precisa saber que não pode ter tudo o que quer, mesmo que a situação financeira permita isso. É importante a introdução da mesada desde cedo, mesmo que a família não seja muito “abastada”, a criança por exemplo, pode receber 1 real e escolher o que quer comprar (um chocolate, um sorvete, bala ou qualquer outra coisa), ela escolhe e sofre a conseqüência da sua escolha (boa ou ruim).
A mesada deve ter limite e a criança precisa entender isto desde cedo. Assim, ela vai compreender que o salário dos pais também tem limite. É comum vermos adultos que sofrem com cartões estourados porque gastam mais do que recebem, achando que seu salário é ilimitado.

A parte financeira é uma das questões mais difíceis de se lhe dar com o adolescente. Eles entram numa fase de querer roupas e sapatos da moda para poderem se adequar no grupo em que estão inseridos. Uma boa maneira de se dar com esta situação, é os pais sentarem e conversarem sobre o valor que os filhos terão de gasto no mês, por exemplo, se os pais decidirem que este será o mês de dar uma calça para o filho, ele soma este valor com o dinheiro da mesada (que é gasto com lanche ou saídas) e dá para o filho, o filho deverá gastá-lo sabendo que não terá mais nada se o dinheiro for mal gasto. Parece uma atitude radical, mas muitos pais irão se surpreender com filhos que irão economizar para comprar outras coisas.

Já com 16 anos, é importante os pais estimularem seus filhos a procurar o 1o. emprego, para assumir seus gastos desde cedo com sabedoria e saber que o quê ele recebe não dá para comprar tudo o que deseja, é uma maneira de ajudar
o filho a respeitar o que os pais lhe dão.

Outra questão importante é estimula-lo a um trabalho voluntário, ou fazer cursos técnicos e de aperfeiçoamento como o inglês e a computação, ajuda o filho a assumir responsabilidades e prepara-lo para o mercado de trabalho. Isto não é uma regra, mas um exemplo de como os pais podem ajudar seus filhos a lhe darem com a situação financeira.

CONCLUSÃO

Podemos concluir que o padrão de Deus para a família é a restauração da aliança entre o homem e o seu criador, e homem x homem. E que o padrão de relacionamento dentro do lar deve se basear no padrão divino, que está revelado nas Escrituras, na questão de ordem e autoridade. A autoridade do homem para com a mulher e dos pais para com os filhos é dada por Deus, por isto é inquestionável.

Os papéis do homem e da mulher são comparados com o de Cristo para com Sua Igreja, e estão bem definidos na bíblia, sendo importante seu cumprimento para um bom andamento da estrutura familiar, bem como na sua própria vida cristã. A aceitação destes papéis e a vivência deles é uma implementação do modelo de vida Cristo em nós.

As prioridades da vida pessoal no casamento, deve estar subjugada ao servir em obediência os padrões estabelecidos por Deus, entendendo que para o cristão isto não é uma alternativa mas uma conseqüência do seu relacionamento íntimo com Deus.

A parte financeira da família deve estar baseado no princípio de mordomia e deve ser ensinado para os filhos e praticados pelos pais. Lembrando-se do honrar a Deus na administração daquilo que Ele nos concede por Sua infinita Graça.

Quanto à educação dos filhos, ela também deve ser norteada pelos princípios divinos, onde os filhos respeitam a autoridade dos pais e os pais respeitam os filhos como um presente dado por Deus para serem cuidados e amados. Sendo os princípios de educação dos filhos não mudam conforme a criança cresce, mas a forma como lidar com estes princípios sim. A disciplina é importante para a formação do caráter da criança, e não deve ser negada a ela, não se baseia somente em repreensões, mas em encorajamento, comunicação ou diálogo, sendo isto uma forma de construir um relacionamento saudável entre pais e filhos.

Buscar de Deus diariamente sabedoria para lidar com situações conflitantes dentro da família é à base do padrão cristão. Direcionando as nossas vidas pelas Escrituras certamente atingiremos o modelo de vida ideal fundamentado em Cristo.

BIBLIOGRAFIA


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[1] Groningen, Harriet & Gerard Van. A Família da Aliança, p. 27.
[2] Idem, p. 29
[3] Christenson, Larry A Família do Cristão, p. 12.
[4] Hunt, Susan . A Graça que Vem do Lar, p. 117.
[5] Babcock, Dorothy E. & Keepers, Terry D.. Pais OK Filhos OK., p. 35.
[6] Hunt, Susan. A Graça que vem do Lar, p. 192.
[7] Groningen, Harriet e Gerard Van. A Família da Aliança, p. 74.
[8] Hunt,Susan. A Graça que vem do Lar, p. 92.
[9] Christenson, Larry. A Família do Cristão, p. 135.
[10] Hunt, Susan. A Graça que Vem do Lar, p. 90.
[11] Christenson, Larry. A Família do Cristão, p. 126.
[12] Tripp, Tedd. Ame Sua Família. Fé para Hoje, no. 28- 2006. São José dos Campos: Fiel. (Extraído do Livro Amado Timóteo, Uma Coletânia de Cartas ao Pastor, Editora Fiel, cap 3, pp. 47-58.
[13] Wright, Norman & Oliver, Gary J. Criando Filhos Emocionalmente Saudáveis, p. 46.
[14] Kemp, Jaime. Sua Família Pode Ser Melhor, , p.p. 132,133
[15] Hunt, Susan. A Graça Que Vem do Lar, p. 197.
[16] Christenson, Larry. A Família do Cristão, p. 65.
[17] Tripp, Tedd. Pastoreando o Coração da Criança, p. 8.
[18] Christenson, Larry. A Família do Cristão, p. 60.
[19] Tripp, Tedd. Pastoreando o Coração da Criança, p. 9.
[20] Tedd Tripp., Pastoreando o Coração da Criança, p. 17.
[21] Idem, p. 18.
[22] Idem, p. 24.
[23] Brandt, Dr. Henry & Landrum, Phil .A Alegria de Ser Pai, p. 165.
[24] Idem, p. 166.
[25] Brandt, Dr. Henry & Landrum, Phil. A Alegria de Ser Pai, p. 163.
[26] Groningen, Harriet e Gerard Van. A Família da Aliança, p. 137,138.
[27] Christenson, Larry. A Família do Cristão, p. 92.
[28] Idem, p. 92.
[29] Idem, p. 12.
[30] Christenson, Larry. A Família do Cristão, p. 115.
[31] Tripp, Tedd. Pastoreando o Coração da Criança, p. 49.
[32] Idem, p. 91.
[33] Tripp, Tedd. Pastoreando o Coração da Criança, p. 123.
[34] Hunt, Susan. A Graça que vem do Lar, p. 197.