sexta-feira, outubro 26, 2007

A HERMENÊUTICA UM CAMINHO E NÃO UM FIM.





Depois de anos dedicados a hermenêutica como um instrumento cirúrgico ou como uma ciência exata, o estudante de teologia se depara com a práxis interpretativa e com os diversos caminhos do saber, percebendo então que regras e métodos perfeitos são incoerentes em um ou mais pontos.

O método interpretativo restrito faz da ciência hermenêutica aquilo que deveria ser feito somente com a palavra de Deus, a inflexibilidade da interpretação bíblica ignora a multiforme sabedoria de Deus. Durante os últimos tempos alguns teólogos contemporâneos propuseram diversas formas de interpretação1, muitos desses métodos fruto de uma simples ciência e outros incoerentes a luz da própria escritura.

O perigo da hermenêutica em uso principalmente no Brasil é que o pesquisador se coloca acima da Palavra de Deus e despreza o seu caráter divino, sendo assim a análise bíblica só pode ser incoerente a luz das regras interpretativas usadas pelo pesquisador e não ao conflito palavra – pesquisador. Sendo assim, qualquer erro só é erro se comprovadamente o pesquisador desviou-se de sua ferramentas, ou ignorou-as.

Isto pode levar a dois caminhos já conhecidos pela história, o primeiro é o caminho do desprezo ao “transcendente”, o segundo é o desprezo por qualquer ferramenta que limite o livre pensar humano. O cenário latino-americano tem favorecido o surgimento de teologias e junto com estas novos parametros hermenêuticos, a hermenêutica latino-americana é fruto do seu cenário social, e a tentativa de conduzir a interpretação de forma direta ao ouvinte fruto de um ambiente sócio-econômico subdesenvolvido. Levando os teólogos formados por este caminho ao desprezo pela hermenêutica reformada, ou por qualquer leitura que ela tenha tido no passado, propondo um novo caminho. O problema não é o caminho proposto e sim a finalidade do caminho, e a que custo isto tem sido feito.

Como teólogo reformado proponho a leitura hermenêutica como um caminho a verdade das escrituras e não como um fim, nem fecharmos o nosso entendimento para qualquer proposta de mudança, desde que esta esteja bem fundamentada, e não desmorone a luz da palavra de Deus. Não ignoramos que o leitor mesmo que desprovido de qualquer ferramenta conhecida na ciência teológica, possa usar as informações de seu ambiente e formação para a leitura do texto sagrado, chegando a interpreta-lá superficialmente e apropriando-se de forma direta do texto em questão, outros com um pouco de análise textual, mesmo sem conhecer o vernáculo, podem chegar muito mais próximo de sua interpretação correta ou verdadeira. Os caminhos hermenêuticos não podem ignorar a revelação como um fato, não podem lidar com as escrituras como a estrutura de uma religião mitológica hebréia e nem despachar para o espaço qualquer conceito da existência de Deus.

“ Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submeteis de novo a jugo de escravidão.” Galátas 5: 1

terça-feira, agosto 21, 2007

A MISÉRIA NA RELAÇÃO: PREGADORES E MENSAGENS.

Autor: Gustavo Custódio.

Dando continuidade a uma série de comentários sobre a realidade brasileira, mantenho a postura de inconformidade com a relação ministro e ministérios, chegando a pensar absurdamente que alguns estão nesta pela recompensa financeira, pois, se estivessem em outro lugar (profissional) não seriam ninguém. Para tal afirmativa é só ver o procedimento pastoral e “toda dedicação que estes tem para com o rebanho”.


Fazendo aqui uma comparação ente o tempo de Ezequiel e o nosso, vejo uma palavra de esperança para aqueles que genuinamente se dedicam a Deus e ao chamado que tiveram, os ato impuros praticados dentro de alguns ministérios não passaram em branco. “Os profetas de nosso tempo” dão seu tempo a promulgar a sua palavra e o seu ministério pessoal, para sua glória e honra, enquanto o convite de Cristo para os proclamadores da palavra é que sejam profetas da palavra em meio a geração corrupta e perversa.


Pergunto aos pregadores ditos “profetas do nosso tempo”, se pregamos para encher o templo ou para transmitir o evangelho em sua integra? Manifestamos a nossa retórica para iludir ou entreter, ou a manifestaremos para fazer cumprir a grande comissão? Os profetas da palavra são poucos e raros, não se vendem ao seu tempo e a corrupção da verdade, revelam o evangelho de forma contextualizada, mas não mudam seu conteúdo, “enquanto os profetas do nosso tempo” proclamam inovações baratas, mobilizam o sentimento de barganha com Deus, prometem aquilo que não podem cumprir.


Enquanto o profeta da palavra gasta bom tempo do seu pastorado, preparando suas mensagens, como fruto de uma boa exegesse e análise biblica, lutam pela permanência dos cultos de estudos e das E.B.D., os “profetas do nosso tempo” reinventam o que é ser igreja, dizendo agora encontrar um novo método, vindo do céu, e que fora deste as igrejas estão em erros. Trabalham suas mensagens a 15min. antes de expor e não dão a mínima para os cultos de Estudo, tudo que cheira a plantar para depois de algum tempo colher é desprezado, desejam a inovação do sistema fast foud, toma lá - da cá. Falando em cheio para aqueles que tem comichões nos ouvidos, que desejam um evangelho moldado a sua moralidade e intelectualidade.


Que me desculpem os conformados, reforma sempre será necessária.

quarta-feira, julho 25, 2007

Considerações sobre o caos da identitade protestante.



Prof. Gustavo Custódio.



O trabalho pastoral no Brasil nunca enfrentou em sua história tamanha dificuldade para compor uma identidade religiosa no seu rebanho, isso deve-se a:

  1. Velocidade com que membros de determinados grupos “pseudo-cristãos” fazem difundidas as suas idéias;

  2. O caminho televisivo como a forma mais influênciavel para o discurso;

  3. Uma forma de cristianismo nomâde, onde migra-se de denominação em denominação procurando a satisfação pessoal, denominando isto de “vontade de Deus”;

  4. Crise teológica na formação de pastores e conseqüentemente uma orientação sem consistência aos membros;

  5. Tolerância religiosa promulgada pelas novas comunidades, onde substitui-se o discurso apologético e polemista por um cristianismo descaracterizado de convicções;

  6. Uma Hermenêutica relativista para dar novas bases morais no século XXI;

  7. Pregações e pregadores com finalidade de animar e motivar o auditório;

  8. Ênfase literária nos livros de conteúdo superficial;

  9. Liturgia substitutiva para dar ênfase as músicas e não a palavra;

  10. Forma humanista e não Teocêntrica do viver cristão, deixando Deus de lado nas atividades e conseqüências das ações humanas;


Estas breves descrições não limitam as dificuldades pastorais e sim expressam ao meu ver, as mais preocupantes. O caminho teológico que seque-se a esta estrutura de pensamento é a desconstrução do saber. Percorrendo a consistência teológica das Igrejas Históricas, nota-se que é neste período de caos que os grandes fundamentos foram estabelecidos, cabe a nós como Igeja do Senhor Jesus, firmar os ideais biblicos, frente a corruptibilidade de uma geração eclesiástica que aguarda respaldo e voz ativa de seus líderes.