domingo, setembro 06, 2015

A vida como dádiva.

É comum em nossos dias que cristãos ditos evangélicos estejam olhando para a vida de forma extremamente materialista e esquecendo-se das dimensões futuras que nos aguarda. Esse materialismo "gospel" se apropria da busca pelo prazer como fonte da felicidade e excluídos de qualquer bom senso, vivem uma vida dissoluta.

Diante desse cenário caótico onde líderes e liderados fazem por merecer sua própria condenação, a pergunta que nos resta é: O que fazer para manter uma integridade constante e um crescimento espiritual onde a fidelidade e a glória de Deus seja sempre o objetivo? Para começar as ponderações necessitamos entender o que verdadeiramente significa pecado. Não se trata de leves e pequenos erros sem total relevância e sim uma total oposição a Deus, um ato de rebeldia tão nefasto que nos faz andar "livremente", e em nome dessa liberdade nos deparamos com qualquer possibilidade de restauração própria, o pecado então sem a intervenção redentora de Cristo, torna-se um caminho sem volta. Apartados de Deus nesse mundo e no vindouro, para toda a eternidade.

Para aqueles que tiveram seus olhos iluminados e por total e livre graça foram aceitos diante de Deus, comprados e resgatados pelo sacrifício vicário de Cristo. Agora temos e realidade de vida. Primeiro pelo simples motivo de nosso gozo e prazer virem de Deus e ter que refletir nossa transformação interior e exterior. Segundo, entendemos que nossa vida sem uma relação com Deus, nunca será plena. Terceiro, compreendemos que por nós mesmos a única coisa que fazíamos por nós era nos sujar completamente, dia após dia e nos tornar merecedores do castigo eterno.

Em Cristo, o prazer não nos governa mais, as paixões não nos serve como desculpas para um andar em pecado. Temos uma nova mentalidade, vinda do alto, onde o entendimento é esclarecido, a morte é vencida pela vida. Como cristão não tomamos a forma do mundo, os valores que nele há não são os que Cristo nos chamou a viver.

Vivamos para a glória de Deus.

sábado, novembro 14, 2009

MOSTRA A SUA CARA.

Ao acordar pela manhã de hoje me deparei com o texto de Romanos 1:18 e algo me saltou aos olhos; "...suprimem a verdade pela injustiça...", logo me lembrei de minha adolescência onde ouvindo Barão Vermelho a frase "Brasil mostra a sua cara..." penetrava os meus ouvidos como uma poesia transformadora para uma nação que recentemente havia descoberto o poder da liberdade. Não há liberdade onde não há verdade. A cara do Brasil não é diferente da cara dos cristãos do Brasil, somos como nossa nação é, vivemos como nossa nação vive e somos tão inertes como os nossos políticos são.

Acalorados pelas disputas partidaristas, brigamos por placas e nomes e nos esquecemos do evangelho vivido de forma transparente e genuíno (não aquele genuíno, outro genuíno o da bíblia), ficamos acomodados nas cadeiras de gabinetes e nos esquecemos do envolvimento social, pois os carentes de Deus estão ai fora prontos para serem colhidos, amados e alimentados por uma palavra que mude a vida. A cara a tapa, o oferecer a outra face agora é trocado pelo determinismo que se tornou a fuga da realidade, resolva os seus problemas com - "Eu não te aceito mais em minha vida, SAIA!"

Enquanto somos condenados pela miséria intelectual, a nossa espiritualidade será miserável tal qual. Todos os conhecimentos parecem ser dados ao líder da igreja de forma reveladora e inquestionável, esquecendo-se então da possibilidade remota de o líder ser homem e estar suscetível a erro. A idolatria eclesiástica consumiu o cérebro, dissolveu o bom senso e tirou qualquer possibilidade de construir uma espiritualidade liberta da massa que se contaminou com o fermento dos fariseus.

Tudo na vida deve ser passado pelo crivo das escrituras, ser e ter não pode estar ligado ao meu interesse e sim a vontade de Deus. Cristo entrava no convívio social, para de dentro da sociedade poder transforma-lá. A sua mensagem mostra que o reino de Deus convida pessoas para serem alvo de sua graça transformadora. O Cristo das escrituras frequentava casamentos, tomava vinho, por incrível que pareça Ele sorria, mas, sempre tinha como objetivo mostrar o amor de Deus aos homens. "Quer comais, quer bebais façais todas as coisas para a glória de Deus."

A nossa nação já conheceu as diretas já, o movimento socialista, a intolerância zero, o congelamento de preços, a troca de governo via impchiment e em tudo pode-se dizer que a jovem democracia brasileira tem amadurecido. A igreja já conheceu a separação entre irmãos do sexo masculino e feminino, uma hinódia centralizada nos cânticos de harpa, cantor cristão e etc, já passou pela revolução pentecostal do século anterior, está descobrindo até onde vai os ministérios independentes fruto do neopentecostalismo. Percebesse nisto o clamor popular político e religioso uma coisa tem afetado a outra.

Não é de se admirar que o crescimento cristão está altamente ligado a uma falsa paz, e uma tolerância forçada. Mas, o impresionante é como os debates teológicos perderam força, pois eles descentralizam o poder do homem e o traz para Deus. É quase mecânico o discurso de unidade, o apelo por uma vox populi cristã única. a vox Dei tem sido abafada, pois é melhor calar ou fazer não ouvir a vox Dei do que desprezar a vox populi. Uma geração de homens apelantes a falsa paz tem saído de suas funções sociais menos rentáveis para assumir igrejas como sinonimo de negócio. O sucesso pastoral tem criado um distância entre os líderes e o povo, onde cada vez tem-se menos contato pastor - ovelha e ovelha - pastor.

O campo vocacional tanto para a vida pública quanto para a ministerial vem sendo gradativamente substituída por uma frágil preparação ministerial que não passa da igreja local. O desprezo acadêmico tem feito surgir animadores de culto e não pastores de ovelhas. A cara da igreja de Cristo desfigura o Cristo das escrituras e não reconhece mais o seu mandar, suas ordens supremas e soberanas são suprimidas por um discurso humanista e ao invés de cultuarmos a Deus, cultuamos a nós mesmo. Voltemos ao primeiro amor, e que a primavera da fé nos faça mais tolerantes ao amor cristão e menos hipócritas no campo da fé.

quinta-feira, março 19, 2009

MEDITAÇÃO: O HOMEM A DESMEDIDA DE TODAS AS COISAS (QUE ME DESCULPE PROTAGORAS).




MEDITAÇÃO: O HOMEM A DESMEDIDA DE TODAS AS COISAS (QUE ME DESCULPE PROTAGORAS).

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos nem os vossos caminhos os meus caminhos.” Isaías 55:8

A luz das escrituras sagradas a frase afirmativa de que o homem é a medida de todas as coisas, não pode ser sustentada. Diante da soberania de Deus, Ele é a medida exata de todas as coisas. Não podemos ignorar a importância do homem dentro do reino da criação, ignorar que ele é a coroa de toda a criação de Deus é ignorar as afirmativas bíblicas.

Quando fazemos do homem o máximo juiz de todas as coisas, ignoramos que existe uma lei maior que rege e governa todas as coisas. Não estou aqui simplesmente tratando do problema da moral, da imoral e do amoral. A medida que o homem conheceu o apogeu de seu poder, a capacidade de seu intelecto e principalmente a capacidade de colocar Deus em segundo plano, ele então pode se achar: “a medida”.

Biblicamente o homem foi criado para glorificar o seu Criador, deixando assim claro que a razão de sua existência não encontra fim em si mesmo, mas, naquele que o criou. Deus concede ao homem domínio sobre a sua criação para que este lhe seja servo fiel, governando segundo os ditames de seu Senhor.

Isto afeta em muito a capacidade do cristão de existir com um propósito, o propósito de ser Servo bom e fiel. Quanto mais a sociedade se afasta de Deus, mais ela governa sobre si mesma de forma injusta, desleal, desigual e etc. Ao contrário da sociedade afastada dos valores de Deus, o homem que guia sua vida em fazer o que Deus espera e quer que ele faça, encontra valores como: altruísmo, companheirismo, justiça, igualdade, fraternidade e etc.

A filosofia não é a carta magna e absoluta em questão de valores, fé e pratica. A palavra de Deus é a fiel medidora sobre tudo, e isto não é uma questão mitológica e sim de princípios. Poucos cristãos nesta geração sabe olhar para o texto de Isaías de forma a pensar nos valores filosóficos que regem a nossa sociedade, não nos deixemos enganar. Cristo é o logos desejado, a Vox Dei.

sexta-feira, outubro 26, 2007

A HERMENÊUTICA UM CAMINHO E NÃO UM FIM.





Depois de anos dedicados a hermenêutica como um instrumento cirúrgico ou como uma ciência exata, o estudante de teologia se depara com a práxis interpretativa e com os diversos caminhos do saber, percebendo então que regras e métodos perfeitos são incoerentes em um ou mais pontos.

O método interpretativo restrito faz da ciência hermenêutica aquilo que deveria ser feito somente com a palavra de Deus, a inflexibilidade da interpretação bíblica ignora a multiforme sabedoria de Deus. Durante os últimos tempos alguns teólogos contemporâneos propuseram diversas formas de interpretação1, muitos desses métodos fruto de uma simples ciência e outros incoerentes a luz da própria escritura.

O perigo da hermenêutica em uso principalmente no Brasil é que o pesquisador se coloca acima da Palavra de Deus e despreza o seu caráter divino, sendo assim a análise bíblica só pode ser incoerente a luz das regras interpretativas usadas pelo pesquisador e não ao conflito palavra – pesquisador. Sendo assim, qualquer erro só é erro se comprovadamente o pesquisador desviou-se de sua ferramentas, ou ignorou-as.

Isto pode levar a dois caminhos já conhecidos pela história, o primeiro é o caminho do desprezo ao “transcendente”, o segundo é o desprezo por qualquer ferramenta que limite o livre pensar humano. O cenário latino-americano tem favorecido o surgimento de teologias e junto com estas novos parametros hermenêuticos, a hermenêutica latino-americana é fruto do seu cenário social, e a tentativa de conduzir a interpretação de forma direta ao ouvinte fruto de um ambiente sócio-econômico subdesenvolvido. Levando os teólogos formados por este caminho ao desprezo pela hermenêutica reformada, ou por qualquer leitura que ela tenha tido no passado, propondo um novo caminho. O problema não é o caminho proposto e sim a finalidade do caminho, e a que custo isto tem sido feito.

Como teólogo reformado proponho a leitura hermenêutica como um caminho a verdade das escrituras e não como um fim, nem fecharmos o nosso entendimento para qualquer proposta de mudança, desde que esta esteja bem fundamentada, e não desmorone a luz da palavra de Deus. Não ignoramos que o leitor mesmo que desprovido de qualquer ferramenta conhecida na ciência teológica, possa usar as informações de seu ambiente e formação para a leitura do texto sagrado, chegando a interpreta-lá superficialmente e apropriando-se de forma direta do texto em questão, outros com um pouco de análise textual, mesmo sem conhecer o vernáculo, podem chegar muito mais próximo de sua interpretação correta ou verdadeira. Os caminhos hermenêuticos não podem ignorar a revelação como um fato, não podem lidar com as escrituras como a estrutura de uma religião mitológica hebréia e nem despachar para o espaço qualquer conceito da existência de Deus.

“ Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submeteis de novo a jugo de escravidão.” Galátas 5: 1

terça-feira, agosto 21, 2007

A MISÉRIA NA RELAÇÃO: PREGADORES E MENSAGENS.

Autor: Gustavo Custódio.

Dando continuidade a uma série de comentários sobre a realidade brasileira, mantenho a postura de inconformidade com a relação ministro e ministérios, chegando a pensar absurdamente que alguns estão nesta pela recompensa financeira, pois, se estivessem em outro lugar (profissional) não seriam ninguém. Para tal afirmativa é só ver o procedimento pastoral e “toda dedicação que estes tem para com o rebanho”.


Fazendo aqui uma comparação ente o tempo de Ezequiel e o nosso, vejo uma palavra de esperança para aqueles que genuinamente se dedicam a Deus e ao chamado que tiveram, os ato impuros praticados dentro de alguns ministérios não passaram em branco. “Os profetas de nosso tempo” dão seu tempo a promulgar a sua palavra e o seu ministério pessoal, para sua glória e honra, enquanto o convite de Cristo para os proclamadores da palavra é que sejam profetas da palavra em meio a geração corrupta e perversa.


Pergunto aos pregadores ditos “profetas do nosso tempo”, se pregamos para encher o templo ou para transmitir o evangelho em sua integra? Manifestamos a nossa retórica para iludir ou entreter, ou a manifestaremos para fazer cumprir a grande comissão? Os profetas da palavra são poucos e raros, não se vendem ao seu tempo e a corrupção da verdade, revelam o evangelho de forma contextualizada, mas não mudam seu conteúdo, “enquanto os profetas do nosso tempo” proclamam inovações baratas, mobilizam o sentimento de barganha com Deus, prometem aquilo que não podem cumprir.


Enquanto o profeta da palavra gasta bom tempo do seu pastorado, preparando suas mensagens, como fruto de uma boa exegesse e análise biblica, lutam pela permanência dos cultos de estudos e das E.B.D., os “profetas do nosso tempo” reinventam o que é ser igreja, dizendo agora encontrar um novo método, vindo do céu, e que fora deste as igrejas estão em erros. Trabalham suas mensagens a 15min. antes de expor e não dão a mínima para os cultos de Estudo, tudo que cheira a plantar para depois de algum tempo colher é desprezado, desejam a inovação do sistema fast foud, toma lá - da cá. Falando em cheio para aqueles que tem comichões nos ouvidos, que desejam um evangelho moldado a sua moralidade e intelectualidade.


Que me desculpem os conformados, reforma sempre será necessária.

quarta-feira, julho 25, 2007

Considerações sobre o caos da identitade protestante.



Prof. Gustavo Custódio.



O trabalho pastoral no Brasil nunca enfrentou em sua história tamanha dificuldade para compor uma identidade religiosa no seu rebanho, isso deve-se a:

  1. Velocidade com que membros de determinados grupos “pseudo-cristãos” fazem difundidas as suas idéias;

  2. O caminho televisivo como a forma mais influênciavel para o discurso;

  3. Uma forma de cristianismo nomâde, onde migra-se de denominação em denominação procurando a satisfação pessoal, denominando isto de “vontade de Deus”;

  4. Crise teológica na formação de pastores e conseqüentemente uma orientação sem consistência aos membros;

  5. Tolerância religiosa promulgada pelas novas comunidades, onde substitui-se o discurso apologético e polemista por um cristianismo descaracterizado de convicções;

  6. Uma Hermenêutica relativista para dar novas bases morais no século XXI;

  7. Pregações e pregadores com finalidade de animar e motivar o auditório;

  8. Ênfase literária nos livros de conteúdo superficial;

  9. Liturgia substitutiva para dar ênfase as músicas e não a palavra;

  10. Forma humanista e não Teocêntrica do viver cristão, deixando Deus de lado nas atividades e conseqüências das ações humanas;


Estas breves descrições não limitam as dificuldades pastorais e sim expressam ao meu ver, as mais preocupantes. O caminho teológico que seque-se a esta estrutura de pensamento é a desconstrução do saber. Percorrendo a consistência teológica das Igrejas Históricas, nota-se que é neste período de caos que os grandes fundamentos foram estabelecidos, cabe a nós como Igeja do Senhor Jesus, firmar os ideais biblicos, frente a corruptibilidade de uma geração eclesiástica que aguarda respaldo e voz ativa de seus líderes.

quarta-feira, novembro 29, 2006

A Dependência de Deus: Um Estudo nas Bem-Aventuranças (Parte II)


Texto Base: Mateus 5: 1 - 12

Introdução

O caminho da bem-aventurança é a recompensa celestial. Os filhos de Deus fazem a vontade do pai e conhecem o pastor de suas vidas. Quando ouvem a voz do pastor elas o reconhecem, não se deixando enganar por aqueles que tentam se passar por “bom pastor”. A dependência delas é total, pois é o pastor que lhes prove tudo do que tem necessidade.

O andar em novidade de vida é assim: “Cristo em nós a esperança da glória!” Colossenses 1: 27. A vida gloriosa reflete a glória de Deus, tudo o que fazemos é para a sua glória. Se acordarmos, acordamos para a glória de Deus, se caminhamos, caminhamos para a glória de Deus, se falamos, falamos para a glória de Deus, se comemos, comemos para a glória de Deus. Uma vida gloriosa só pode existir se o eu for colocado para fora.

I. Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça.

Nesta condição Cristo está fazendo menção a duas necessidades comuns aos homens e que todos conhecem, a fome e a sede. Seus aspectos reais não podem ser esquecidos, pois são necessidades básicas para a vida. Os discípulos que buscavam o sustento no mar sabiam bem o conceito de fome e a sua realidade próxima, pois se a pesca não fosse bem sucedida eles não teriam o que comer.

A sede era algo também real para o povo que peregrinava em uma terra com sol escaldante, e que tinham que caminhar longos percursos. Ambas as necessidades os homens buscam com todo afinco e quando não a encontram perecem, morrem. Estes elementos são vitais para a vida, o corpo humano necessita deles.

Quando Cristo faz menção a estes dois elementos, é impossível não se lembrar da peregrinação pelo deserto e ver dois milagres que Deus realizou no meio de seu povo. Saindo do Egito a primeira queixa é sobre a água (Êxodo 15: 22 – 26), o povo estava com sede e Deus proveu a transformação da água amarga para água doce. Uma segunda queixa foi o mantimento e Deus proveu o maná (Êxodo 16: 1 – 10) ele ordenou a benção da provisão diária. Mas, o que Deus está dizendo é que este sentido literal tão bem entendido deveria ser levado a esfera da justiça.

1.1. O que significa ter fome e sede de justiça .

Fome e Sede devem ser entendidas como fatos complementares para enfatizar a necessidade do anelo por justiça. Quando estamos famintos ou mortos de sede não medimos os esforços para buscar saciar a fome e a sede. Este mesmo desejo deve ser levado a esfera maior, como a da justiça. O desejo de justiça cristã é diferente da “justiça própria”ou do sentimento de vingança. Todos os que nasceram de novo devem buscar a justiça daquele que é justo.

Esta bem-aventurança pode ser entendida na era apostólica como a relação que o mundo teria com os discípulos, de perseguição e ódio ao discurso desafiador do cristianismo. Quando colocados nos tribunais eles testemunharam daquele que é justo e anelavam pela justiça divina. Nos cárceres eles tinham esta fome e sede que Deus tratou de sacia-la. Mas, lembre-se que por fim a justiça de Deus se revelará do céu contra toda impiedade (Romanos 1: 18), mas, para conosco Ele revelará a sua misericórdia.

1.2. Quem são os que têm fome e sede de justiça.

Os que têm este desejo são aqueles que nasceram do Espírito, tendo suas vidas transformadas. Mas é importante lembrar que nem sempre os “cristãos” tem este desejo, porque sua qualidade é a de joio e não a de trigo. Quando a justiça de Deus se manifestar, estes que não são nada diante do tribunal dos homens, serão honrados pelo seu Senhor.

Algumas observações que acontecem no comportamento do sedento por justiça:
· Não toleram a perversidade humana;
· São obstinados pelo advento de cristo;
· Desejam viver o padrão do reino no agora;
· Reprovam e agem contra a impiedade;
· Reprimem a violência: moral e social cometida pelos menos favorecidos;
· São sedentos para pregarem o evangelho; desejam levar os homens ao conhecimento da justificação em cristo e da ira divina para aqueles que não se encontrarem N’Ele;

1.3. Tendo uma expectativa de justiça.
Quando mencionamos o deleite na justiça vinda do alto, relatamos a confiança na vontade, boa, perfeita e agradável de Deus. Não existe uma justiça tão confiável em seu julgamento como a que D’Ele procede. Em seu infinito amor Ele não ignora o julgamento dos homens pelas suas práticas, a diferença para aquele que é nascido de novo esta em ser representado por Cristo.

Cristo levou sobre si, a condenação que merecíamos por natureza transgressora, tornando-nos participantes da vida que D’Ele procede, logo a justiça que em nós opera é para a liberdade e não para a condenação ou escravidão (Gálatas 5: 1 ao 10). Ser encontrado em Cristo é para o povo escolhido de Deus. Que não devem olhar para a justiça condenatória e sim para a imputação do amor que lança fora o terror das trevas. A nossa justiça provém da fé, da confiança inabalável que temos no nosso redentor.

II. Bem-Aventurados os misericordiosos.

Está qualidade citada é prática cristã que deve ser estimulada. Sendo o povo de Deus luzeiros neste mundo, nesta geração. Refletindo a glória de Deus, fazendo tudo para que o Seu nome seja dignificado na boca dos homens. Misericórdia pode ser expresso na caminhada de vida como o amor em ação, exemplos de amor:
amor pelo próximo;
amor pelos inimigos e
amor incondicional.

A misericórdia em nossas vidas deve ter a qualidade perdoadora. Não significa ignorar o mal ou fechar os olhos para a bruta realidade, e sim entendendo as práticas dos homens, amá-los e condoesse por suas práticas pecadoras. A ação deve ser a de ir ao encontro, levando a palavra que transforma o Deus que liberta, fazendo tudo no poder da palavra, pois o evangelho é o poder de Deus.


2.1. O que significa ser misericordioso. (Salmo 18:25)

Ser misericordioso é revelar ao mundo que assim como fomos alvo da misericórdia divina, refletimos este comportamento as pessoas que nos rodeiam. Lembre-se que a divida que tínhamos para com Deus era inesgotável para o homem, pagaríamos, pagaríamos e nunca conseguiríamos quita-la. Mas, um dia o Rei nos chama e nos concede a sua misericórdia, quer dizer, mesmo tendo o direito de nos encarcerar para todo sempre debaixo do domínio das trevas, ele nos revelou sua misericórdia e nos concedeu o perdão.

A atitude do servo grato e que realmente tem a vida de Deus é de propagar este amor inesgotável. Não devemos negligenciar o perdão aos homens, pois fomos perdoados por Deus daquilo que por nós mesmo nunca alcançaríamos o perdão. Ser misericordioso é ver a realidade do homem, com suas fraquezas e defeitos e amá-lo mesmo assim. Observe:
· Quantas vezes negligenciamos o perdão imediato aos nossos filhos e nem sequer os ensinamos o princípio de errar e reconciliar-se;
· Negligenciamos o perdão ao marido que nos machuca com palavras grosseiras ou com atitudes que nos desabone;
· Negligenciamos o perdão a mulher que nos fere;
· Negligenciamos o perdão aos companheiros de trabalho;
· Negligenciamos o perdão aos parentes que nos criticam;
· Negligenciamos o perdão aos irmãos na fé, que convivem conosco, grande parte de nossa vida, e pior, pensamos em uma oportunidade para lhe retribuir o mal;

Seja sábio, não resista a reconciliação. Quando solicitado para o perdão tenha a disposição interior de perdoar e perceberá que gradativamente a vida fica melhor. Não ligue pessoas a você com laços de rancor, não as leve em seu coração com o desejo de ver o troco, ou a recompensa pelo mal cometido. Interceda por ela, pela mudança de suas práticas, a estime em amor incondicional.

2.2. A relação misericórdia X misericórdia. (Efésios 4:32)

O texto de Mateus fala da relação em ser misericordioso e alcançar misericórdia. Ser misericordioso é o que foi mencionado no tópico acima, mas qual a relação entre exercer a misericórdia e alcançar misericórdia? Parece que existe uma estrita relação entre esta comparação e a Oração do Pai-nosso, onde Cristo expressa: “perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”, e logo depois reitera: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará...”. Sabemos que não compramos o favor divino, não adianta o “perdão interesseiro”, dizendo: “vou perdoar para ser perdoado” e sim o perdão genuíno, dizendo: “vou perdoar porque fui perdoado”.

Quem alcança o favor divino não deve negar aos homens o ministério da reconciliação. Revele através de um coração perdoador a infindável obra que Deus está operando em seu coração. Pregue a palavra, e anuncie a razão do seu amor.

2.3. A excelência na vida cristã. (Lucas 17: 3 – 10)

Lembre-se da parábola em Mateus 18: 23 – 35, o servo tem que ser misericordioso, pois foi livre de um juízo maior. Não da para entender entre a comunidade cristã, cristãos genuínos sem um coração disposto ao perdão e que exala o bom perfume de Cristo. O rancor, o ódio, a raiva, a ira não devem superabundar o amor cristão. Talvez o pior de todos ainda seja a indiferença perante a situação dos homens, como exemplo Lucas 10: 25 – 37 onde revela ações de indiferença e a ação de misericórdia. Observe o quadro:
· O homem foi roubado;
· Foi deixado ferido e semimorto;
· O sacerdote passou de lado;
· O levita passou de lado;
· Mas o samaritano passou de perto e o socorreu.

Muitas vezes as nossas práticas não acompanham o discurso do evangelho, é uma vida sem a profundidade da palavra. Passar de lado é a ação da indiferença, é lavar as mãos, é não ter nada a ver com o caso, é a omissão do bem. Agora o passar de perto é o envolvimento pessoal, é a prática do amor, é o socorro para com aquele que estava quase morto. História similar é a nossa, estamos mortos mas Cristo nos deu vida. Ele se envolveu em nossa história e mudou o nosso destino.

III. Bem-Aventurados os limpos de coração. (I Crônicas 29: 17)

Esta bem-aventurança tem uma relação com o estado de glória, este é o nosso estado no reino escatológico de nosso Deus. Seremos mantidos neste estado eternamente . Então a pureza ou limpeza do coração é algo que envolve moralidade e santidade, o nosso Deus prova o coração do homem.

Para ter um coração puro que Deus prova e aprova é necessário: Ter comunhão com Ele; Vigilância na obediência aos seus princípios e prática de vida integra. Tudo começa com Deus em nós, se mantemos comunhão com Ele teremos o seu aprovar. A vigilância é o policiamento diário de nossas ações e pensamentos. Devemos refletir o desejo que tenta nos dominar, a luz da palavra e de seus princípios absolutos. Coração puro e consciência pura são paralelas e um não anda sem o outro.

3.1. O que significa ser limpo de coração. (Jeremias 12:3)

O coração aqui mencionado não é simplesmente a questão muscular e sim o centro da vontade humana, de onde provem nossos desejos e vontades. Purificar e limpar o coração é apresentar intenções, práticas e pensamentos íntegros diante de Deus.

O profeta Jeremias sabia que Deus tudo conhece, tudo vê, e que prova o sentimento do coração. A abrangência desta mensagem é o inesgotável conhecimento que Deus tem a nosso respeito, e a consciência que devemos ter de que diante D’Ele e de seus olhos nada fica oculto. Há uma relação estreita entre coração puro e simplicidade, os cristãos devem ter ambos, a simplicidade que revela um coração grato e sem maldades.

3.2. A purificação do coração na vida prática. (Salmo 51:10)

Lembre-se que o coração puro foi dado por Deus juntamente com a vida cristã, sem esta vida somos fadados ao coração maldoso e pernicioso. Quando caminhamos em novidade de vida, as nossas práticas também são inovadas, exemplo:
· O desejo sexual perverso agora é, um desejo sexual correto;
· O pensamento impuro agora é, um pensamento puro;
· A religiosidade da razão e força humana, agora é, a religião verdadeira;
· Aquele que mentia, deixa de mentir;
· Aquele que prostituía, deixa de prostituir;
· Aquele que era glutão, agora é contido;
· Aquele que era covarde, agora é corajoso;
· Aquele que era corrupto, agora é honesto;
· Aquele que fazia intrigas, agora promove a amizade;

É esta transformação maravilhosa operada em nós pela ação do Espírito Santo, que nos concede a regeneração, que nos capacita a agir de modo tão distinto. Nosso coração quando conduzido pela nossa vontade, é a fonte de todos os males, mas quando conduzido por Deus é a fonte de novos desejos e hábitos.

3.3. A Pureza de coração e o relacionamento com Deus. (Deuteronômio 6: 5)

A expressão do genuíno coração que anela por Deus é a busca incessante, de coração, alma e força. Todo o ser em honra e glórias a Deus. Não há sentimento cristão quando o relacionamento para com Deus é fundamentado em troca, interesse, busca material e religiosidade. E sim quando sustentado pela entrega, pela dependência, pela busca, por um coração grato que foi renovado e transformado do seu estado pedregoso para um coração vivo. Deus se relaciona com os homens de boa vontade, porque a razão de sua boa vontade é a vida que procede D’Ele.

CONCLUSÃO.

Quando olhamos o que Jesus estava ensinando com os conceitos aqui apresentados somos convidados a rever nossas práticas diariamente, e submeter nossas ações a semelhança deste discurso. O anelo pela justiça, o convite a ser misericordioso e a ter um coração limpo revelará que realmente como discípulo de Cristo somos sal e luz.

Devemos refletir o sabor e a luminosidade que transforma vidas, o evangelho não é estático e monopolizado. Somos convidados a crer que quando testemunhamos sobre a ação de Deus e revelamos nossa dependência D’Ele, glorificamos o seu nome. Então mãos a obra, a boa abra, e não mais olhamos para nossa capacidade, mas, para a capacitação que Deus nos dá.

Glória ao seu nome!

quarta-feira, novembro 22, 2006

A DEPENDÊNCIA DE DEUS: UM ESTUDO NAS BEM-AVENTURANÇAS. (PARTE I)


Texto Base: Mateus 5: 1 - 12



Introdução

A bem-aventurança é o início do sermão do monte, sermão este que Cristo anuncia logo após a chamada dos discípulos. A sua conotação é lançar os fundamentos da vida cristã, é como se Cristo estivesse dizendo: Serás meu discípulo? Então ouça o que irá acontecer em e com você.

Quando se narra as bem-aventuranças Cristo está revelando-se como o prometido de Deus, o redentor do seu povo, o esperado pelo povo, o anunciado pelos profetas, isto é, o messias. Sendo então está mensagem em muito ligada ao texto de Isaías 61: 1 – 3, o messias marcaria um novo tempo onde o reino de Deus seria promulgado, os oprimidos pelo diabo seriam libertos, os envergonhados seriam exaltados, os que estavam em trevas verão a luz, os que estavam tristes serão alegres, os que choravam serão consolados e aqueles que estavam com vestes de tristezas (rasgadas) teriam vestes novas. Cristo traz um novo modelo de vida para as ovelhas do seu rebanho.

Esta mensagem não tem caráter triunfalista para o cumprimento total somente agora, existem aspectos que se cumpriram cabalmente no Escathon. O triunfo desta mensagem é a libertação daqueles que estavam cativos. Estes que foram alvos desta mensagem não foram salvos e libertos pelo seu próprio poder, observe que, estes são dependentes do que Deus operou e sem Ele nada somos e nada podemos fazer. Este é o aspecto do seu triunfo,

I. Bem-Aventurados os Pobres de Espírito.

A primeira bem-aventurança é marcada por muitas interpretações equivocadas, como exemplo quero citar aqueles que interpretam como sendo os pobres literalmente. Se fosse assim seria a exclusão daqueles que se encontram em abastança, e está abastança só poderia ser punido caso desenvolve-se a desigualdade e a opressão ao próximo. A palavra usada para pobres é: Ptochós (vocábulo grego) que pode ser entendida tanto por pobres como por humilde.

1.1. Quem são os Pobres.

O conceito de pobreza e humildade é entendido como pequenez, fraqueza, dependentes e contristados. “A regra de modéstia, de não escolher nas refeições o primeiro lugar mas o último (ver Provérbios 25:6ss), expressa para Jesus a necessidade da humildade para aquele que quer entrar no Reino de Deus (Lucas 14: 10). Deus dá o seu reino só àqueles que não se gabam de suas próprias ações, mas antes esperam tudo humildemente dele e sabem que eles mesmos são servos inúteis (Lucas 17: 7 – 10). Os que se justificam a si mesmos não podem encontrar a justificação, mas somente os que se humilham perante Deus com coração contrito (Lucas 18: 9 – 14).”[1]

Esta condição imposta por Cristo qualifica os pertencentes ao seu reino e os identifica em caráter. Ser pobre e humilde é ser dependente da graça e favor divino, aqueles que pensam herdar a vida por mérito próprio serão decepcionados e herdarão a morte, pois a vida é uma dádiva impagável ao homem e somente Cristo pode pagar no lugar de pecadores. Veja o comportamento que pode identificar na prática os humildes e pobres de espírito:
· Submissos;
· Desprendido;
· Dependentes e
· Servos.

Um exemplo da dependência é citado em Mateus 21: 31 e 32, dizendo que publicanos e meretrizes precederiam os religiosos no reino dos céus, pois estes haviam crido na mensagem enquanto os religiosos estiveram com o coração endurecido.Veja que Jesus usa duas classes de pessoas desmerecidas pelos homens mas, que abriam suas casas, vidas e corações para as boas novas do evangelho. A humildade está refletida em estar de ouvidos atentos e se sujeitarem a vontade do Pai, enquanto a pobreza esta ligada a miséria de coração, miséria espiritual que aguarda em Deus o seu consolo.

Outro exemplo é o de Lucas 18: 9 – 14, onde o comportamento do fariseu e do publicano são comparados:

Fariseu: Orava de si para si; Qualificava-se superior; Desprezava o próximo; Exaltava as suas obras;
Publicano: Orava ao longe; Portava-se reverentemente; Clamava o favor divino; Reconhecia sua pecaminosidade;

A intenção de Cristo era a de coloca-los em seu devido lugar, e esta parábola tinha o intuito de falar a cerca da confiança em si e o demérito para com o próximo. No fim do texto Cristo revela quem saiu daquele momento justificado, claro, o publicano, pois havia reconhecido a graça e clamado pelo favor de Deus.

Semelhante aos fariseus existe hoje um grupo de cristãos que se acham os donos do mundo, e o senhor até sobre Deus. No uso de palavras imperativas, ousam dar ordem a Deus, como se o colocando contra a parede. Ousam reivindicar direitos e clamarem por restituição. Semelhante ao publicano existe um grupo de pessoas que vem a Deus como Senhor Soberano e que mediante o seu favor e graça é que são justificados, se humilham diante da poderosa mão de Deus e só tem motivo de gratidão.

1.2. A relação pobreza e reino dos céus.

Os pobres e humildes herdarão o reino dos céus, está é a promessa. Mas a pergunta é: Qual a relação? Em primeiro lugar o reino dos céus é governado pelo Senhor da Glória; em segundo lugar a entrada neste reino está vinculada a conversão a Cristo; em terceiro lugar ninguém herdará o reino por sua própria paga e nem como recompensa da sua boa conduta. A relação é Dependente de Deus, reino de Deus; não há espaço para a glória humana e sim para a glória de Deus, porque tudo vem D’Ele e é para Ele.

Os pobres humilham-se para que Cristo seja exaltado e diminuem para que Cristo apareça, a sua vida é Cristocentrica, não existindo espaço para o egoísmo. Os humildes reconhecem a glória de Deus, o exaltam como Senhor e tem prazer em servi-lo. Os valores do reino penetram seu coração e a ansiedade da vida da lugar a paz que vem do alto (Mateus 6: 25 – 34). Há uma certeza inabalável da providência de Deus para a vida Diária, o seu coração não esta no acumulo de bens.

1.3. Sendo alvo da graça de Deus.

Estes que são desprovidos de mérito próprio foram envolvidos pela graça perdoadora e salvadora revelada em Cristo. Os seus pecados foram removidos porque através da morte do justo, estes que eram injustos e tinham como destinos à morte e as trevas (Efésios 2: 1 – 10) agora são parte do reino. A obra que os salva é a de Cristo e foi consumada na Cruz.

Lembre-se que uma definição básica de graça é: favor imeresível. Está dádiva de Deus só pode ser recebida e não adquirida pelo homem[2]. Observe alguns exemplos onde podemos ver a graça de Deus em nossas vidas:
· Certeza da vida eterna;
· Perdão dos pecados;
· Santidade e
· Justificação.

Deus nos concedeu tudo isto no amado. Se formos encontrados em Cristo, sendo ovelhas do seu pastoreio temos a vida e a segurança da vida eterna. N’Ele está consumado todo o plano de Deus para a nossa redenção.

II. Bem-Aventurados os que Choram.

No texto bíblico a expressão chorar é literal, aqueles que choram ou que estão inconsoláveis podem expressar este sentimento em ações de descontentamento ou puro desespero. Uma expressão que pode trazer para perto a realidade deste choro é: “clamor em prantos”. O clamor pode ser uma invocação por socorro de modo desesperado, expressando a angustia e a necessidade real da intervenção divina. Ninguém clama para algo real em total quietude, a inquietude é a marca do clamor, podendo ser expresso na alma ou em atitudes externas.

O povo de Deus tinha um motivo para chorar, chorar pela depravação de uma geração religiosa corrupta, chorar pelos filhos que andavam atrás de falsos mestres, chorar pela calamidade social (alguns grupos viviam a exclusão da sociedade, exemplo: Coxos, cegos, leprosos, os oprimidos e etc.) Este choro seria inconsolável caso Deus não intervise na realidade humana, o homem não pode consolar a si mesmo pois ele não possui o refrigério para a alma. Alguns homens e mulheres do nosso tempo podem estar aguardando o consolo de situações como:
· Um filho desviado;
· Um marido agressor;
· Uma família oprimida;
· Uma doença incurável;
· Sentimentos destruídos;
Estes sabem que não podem consolar a si mesmo, se desviam os seus olhos do problema, somente omitem a realidade, se empenham força em resolve-lo, percebem que vai alem de suas forças. Mas, o consolo não vem para aquele que espera no homem, ou no acaso e sim para aqueles que esperam no Senhor e conhecem o poder do seu redentor.

2.1. Qual o sentido do termo chorar[3]?

O sentido é: “Lamentar, prantear (...) entristecer-se com uma profunda tristeza que toma conta de todo ser de tal maneira que não pode ser oculta.”[4] Um exemplo desta tristeza encontra-se em 2Samuel 1: 1 – 16, onde Davi chora pela morte de Saul e Jônatas. O choro de Ana em 1 Samuel 1: 4 – 13, Deus havia fechado a sua madre e ela clamava do seu intimo (na sua alma) e desejava o consolo que só podia vir do Senhor.

Às vezes choramos como Davi, por algo que se perdeu, ele tinha perdido um amigo e o rei a quem tanto estimava e havia poupado a vida. O seu choro veio acompanhado do rasgar as vestes e do jejum, Davi estava condoído pelo povo de Israel pois estes tinham perecido diante dos filisteus. Homens íntegros e de caráter apurado não desejam o mal ao próximo, o seu comportamento é de chorar com os que choram e de alegrar-se na chegada do consolo.

Uma certeza que devemos ter é que o choro pode durar algum tempo, mas, o socorro do alto nos da a paz, trazendo de volta a quietude. Em meio ao choro, em quem confiamos? O Salmo 20 diz que alguns confiam nos homens e na força bélica que o cerca, mas os que nasceram de Deus esperam N’Ele.

2.2. A relação choro e consolo. (Isaías 49:13 e 52: 9 – 10)

A relação choro e consolo possui um intermediário, aquele que é o prometido das nações, que venceu a morte e triunfou sobre principados e potestades. Isaías fala que este é o grande motivo do nosso consolo, pois Deus enviou o seu ungido e Ele com seu braço forte livrou o seu povo. O convite é: Romper em cânticos. Deus removeu a tristeza e o choro trocando pela alegria da sua salvação. Deus compadece dos chorosos e a sua aflição terá fim, pois o prometido é a fonte da liberdade, N’Ele há brados de vitória.

Observe a relação que o profeta faz de: Consolo, compadecer, remissão e salvação. Tudo que Isaías fala esta ligada à pessoa do nosso Redentor, primeiro Ele é o nosso consolo[5], segundo Ele se compadece de nós[6], terceiro nos remiu[7] e quarto Ele é a nossa salvação[8]. Não importa o que tudo e todos digam, eu sou propriedade do Deus eterno, faço parte do povo santo e de uma nação escolhida.

III. Bem-Aventurados os Mansos.

A mansidão é característica imprescindível a aquele que nasceu do Espírito, sem ela não há temperança, não há longanimidade e nem domínio próprio. Ter uma vida santificada é por em prática os valores do reino de Deus. Apesar de muitos crentes conhecerem estes valores, agem como se desconhecessem.

Lembre-se que o Cristão é identificado pelo Espírito como pertencente ao reino de Deus e isto é concedido em seu Selo[9]. Você já se imaginou pertencente a alguém e ao mesmo tempo tendo um comportamento que desagrada ao seu Senhor? É isto que acontece quando ao invés de colocarmos em prática obras de mansidão, damos vazão a ira. Ser guiado pelo Espírito e abandonar a prática carnal não é um convite e sim uma ordem.

3.1. Qual o sentido do termo manso?

A mansidão tem o significado de: meigo, humilde, sem malícia e não vingador. Isto implica em uma vida com posturas bem distintas a vista no mundo. O manso não é um corrupto que justifica seu erro dizendo: Todos roubam! Não difama o próximo para ganhar uma função dentro da empresa. Não responde ofensivamente aquele que pode ter lhe agredido e nem alimenta pensamentos de mal contra outro. Ao contrário, ele é doce em suas palavras e atitudes, mostra-se seguro, mas, não intransigente, revela-se perdoador e compassivo.

“Jesus extraiu do Salmo 37:11 essa bem-aventurança. Ali, ela aponta mais na direção de uma atitude para com Deus do que de uma disposição para com o próximo. É fácil compreender erroneamente a mansidão. Algumas pessoas acham que ela descreve o homem que não possui convicções firmes, que não toma posição em favor de nenhuma causa (...) Talvez o homem secular considere que o manso não tem personalidade, vendo-o como um covarde, mas, segundo a Bíblia, isso não é ser manso. Ser manso não significa ser fraco, tímido ou medroso.”[10] Alguns confundem mansidão e covardia, sendo que elas são antagônicas.

Ser manso é ter uma postura cristã diante dos problemas da vida[11]. É não olhar para as coisas como se fossem pessoas e para as pessoas como se fossem coisas. Tudo o Cristo fez foi atitude de mansidão, o seu comportamento nunca deixou de ser exemplar, o modelo superior.

3.2. A relação mansidão e herdar a terra.

Homens íntegros reinarão com Cristo. O reinado de Cristo será um reinado de um novo comportamento sobre a face da terra (Isaías 65: 17 – 25), não haverá opressão, nem roubo, nem tristeza, nem balança infiel, o justo juiz reinará. Haverá paz no reino da criação e todos os que estiverem em Cristo reinarão com Ele. O reino do Senhor não tem fundamento em comida e bebida, mas na paz e alegria do Espírito. Todos serão mansos e o governo é comunitário.

O reino do Senhor já foi estabelecido sobre a terra com a vinda de seu filho, todos os que o segue pertence a este reino. Este reino não deve ser confundido com:
A Igreja[12];
Nem com pessoas de aparente espiritualidade;
Nem riquezas temporais.
Este reino é um reino no agora em que os salvos em Cristo participam da glória de Deus de forma testemunhal e propagam o evangelho transformador.

CONCLUSÃO.

A dependência de Deus é uma vida onde o centro é Ele, tudo o que se faz é voltado para o padrão das escrituras. Somos bem-aventurados porque temos o privilégio de pertencer, não somente a comunidade dos crentes, mas ao próprio Deus. Os independentes viverão para a sua própria ruína, são os chamados perversos.

Quando em nossa vida experimentamos o governo de Deus podemos testemunhar o quão maravilhoso é andar em seus caminhos, a tal modo que começamos a prantear diante do Senhor para que outros conheçam e vivam deste mesmo modo. Se até hoje a sua vida tem sido governada ao seu bel prazer, tenha a ousadia de entrega-la a Deus.

O justo viverá por fé!
[1] BAUER, Johannes B. Dicionário de Teologia Bíblica. p.482
[2] É uma ação monergista (de Deus para conosco) e não cinergista (eu cooperando com Deus).
[3] Os que choram seguem o exemplo do mestre pois Jesus chorou e lamentou a incredulidade do povo, o endurecer de seus corações pela mensagem do evangelho. O choro do cristão será extinguido na volta do messias.
[4] RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon. Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. p.9
[5] Esta obra de Cristo em nós nos capacita a reconhecer o seu grandioso poder, como aquele que levou o fardo e pagou o preço (expiação definitiva).
[6] Cristo tomou o nosso lugar e morreu a nossa morte. O seu amor veio através da sua ação encarnadora.
[7] Ele nos remiu, tirou de sobre nós a culpa pelo pecado e a conseqüente condenação que viria com ele.
[8] Somente o seu sangue derramado na cruz pagou o preço de nosso resgate, satisfazendo a vontade do Pai. Erramos condenados pela desobediência à lei de Deus, mas, Ele cumpriu toda a lei. A nossa salvação esta consumada.
[9] Diferente da Santificação que possui um caráter instantâneo e progressivo, o selo é um ato instantâneo e concedido na salvação.
[10] SHEDD, Russell P. A Felicidade Segundo Jesus. p.45
[11] “Os primeiros cristãos foram acusados dos crimes mais horrendos, tais como infanticídio e ateísmo. Escarnecedores espalhavam boatos de que os cristãos, durante suas reuniões fechadas, devoravam seus próprios filhos. Afinal de contas, diziam na ceia do Senhor: “Este é o meu corpo... tomai e comei”. Mas a mansidão dos santos desmentia tais tentativas de arruinar a sua reputação. Não era segredo que sustentavam viúvas e órfãos.” SHEDD, Russell P. A Felicidade Segundo Jesus. p.52
[12] A Igreja é a comunidade que se reúne em nome de Cristo, mas, dentro dela há conversos e não conversos. O que será salvo é a igreja verdadeira, vista pelos olhos do Senhor.