quarta-feira, novembro 29, 2006

A Dependência de Deus: Um Estudo nas Bem-Aventuranças (Parte II)


Texto Base: Mateus 5: 1 - 12

Introdução

O caminho da bem-aventurança é a recompensa celestial. Os filhos de Deus fazem a vontade do pai e conhecem o pastor de suas vidas. Quando ouvem a voz do pastor elas o reconhecem, não se deixando enganar por aqueles que tentam se passar por “bom pastor”. A dependência delas é total, pois é o pastor que lhes prove tudo do que tem necessidade.

O andar em novidade de vida é assim: “Cristo em nós a esperança da glória!” Colossenses 1: 27. A vida gloriosa reflete a glória de Deus, tudo o que fazemos é para a sua glória. Se acordarmos, acordamos para a glória de Deus, se caminhamos, caminhamos para a glória de Deus, se falamos, falamos para a glória de Deus, se comemos, comemos para a glória de Deus. Uma vida gloriosa só pode existir se o eu for colocado para fora.

I. Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça.

Nesta condição Cristo está fazendo menção a duas necessidades comuns aos homens e que todos conhecem, a fome e a sede. Seus aspectos reais não podem ser esquecidos, pois são necessidades básicas para a vida. Os discípulos que buscavam o sustento no mar sabiam bem o conceito de fome e a sua realidade próxima, pois se a pesca não fosse bem sucedida eles não teriam o que comer.

A sede era algo também real para o povo que peregrinava em uma terra com sol escaldante, e que tinham que caminhar longos percursos. Ambas as necessidades os homens buscam com todo afinco e quando não a encontram perecem, morrem. Estes elementos são vitais para a vida, o corpo humano necessita deles.

Quando Cristo faz menção a estes dois elementos, é impossível não se lembrar da peregrinação pelo deserto e ver dois milagres que Deus realizou no meio de seu povo. Saindo do Egito a primeira queixa é sobre a água (Êxodo 15: 22 – 26), o povo estava com sede e Deus proveu a transformação da água amarga para água doce. Uma segunda queixa foi o mantimento e Deus proveu o maná (Êxodo 16: 1 – 10) ele ordenou a benção da provisão diária. Mas, o que Deus está dizendo é que este sentido literal tão bem entendido deveria ser levado a esfera da justiça.

1.1. O que significa ter fome e sede de justiça .

Fome e Sede devem ser entendidas como fatos complementares para enfatizar a necessidade do anelo por justiça. Quando estamos famintos ou mortos de sede não medimos os esforços para buscar saciar a fome e a sede. Este mesmo desejo deve ser levado a esfera maior, como a da justiça. O desejo de justiça cristã é diferente da “justiça própria”ou do sentimento de vingança. Todos os que nasceram de novo devem buscar a justiça daquele que é justo.

Esta bem-aventurança pode ser entendida na era apostólica como a relação que o mundo teria com os discípulos, de perseguição e ódio ao discurso desafiador do cristianismo. Quando colocados nos tribunais eles testemunharam daquele que é justo e anelavam pela justiça divina. Nos cárceres eles tinham esta fome e sede que Deus tratou de sacia-la. Mas, lembre-se que por fim a justiça de Deus se revelará do céu contra toda impiedade (Romanos 1: 18), mas, para conosco Ele revelará a sua misericórdia.

1.2. Quem são os que têm fome e sede de justiça.

Os que têm este desejo são aqueles que nasceram do Espírito, tendo suas vidas transformadas. Mas é importante lembrar que nem sempre os “cristãos” tem este desejo, porque sua qualidade é a de joio e não a de trigo. Quando a justiça de Deus se manifestar, estes que não são nada diante do tribunal dos homens, serão honrados pelo seu Senhor.

Algumas observações que acontecem no comportamento do sedento por justiça:
· Não toleram a perversidade humana;
· São obstinados pelo advento de cristo;
· Desejam viver o padrão do reino no agora;
· Reprovam e agem contra a impiedade;
· Reprimem a violência: moral e social cometida pelos menos favorecidos;
· São sedentos para pregarem o evangelho; desejam levar os homens ao conhecimento da justificação em cristo e da ira divina para aqueles que não se encontrarem N’Ele;

1.3. Tendo uma expectativa de justiça.
Quando mencionamos o deleite na justiça vinda do alto, relatamos a confiança na vontade, boa, perfeita e agradável de Deus. Não existe uma justiça tão confiável em seu julgamento como a que D’Ele procede. Em seu infinito amor Ele não ignora o julgamento dos homens pelas suas práticas, a diferença para aquele que é nascido de novo esta em ser representado por Cristo.

Cristo levou sobre si, a condenação que merecíamos por natureza transgressora, tornando-nos participantes da vida que D’Ele procede, logo a justiça que em nós opera é para a liberdade e não para a condenação ou escravidão (Gálatas 5: 1 ao 10). Ser encontrado em Cristo é para o povo escolhido de Deus. Que não devem olhar para a justiça condenatória e sim para a imputação do amor que lança fora o terror das trevas. A nossa justiça provém da fé, da confiança inabalável que temos no nosso redentor.

II. Bem-Aventurados os misericordiosos.

Está qualidade citada é prática cristã que deve ser estimulada. Sendo o povo de Deus luzeiros neste mundo, nesta geração. Refletindo a glória de Deus, fazendo tudo para que o Seu nome seja dignificado na boca dos homens. Misericórdia pode ser expresso na caminhada de vida como o amor em ação, exemplos de amor:
amor pelo próximo;
amor pelos inimigos e
amor incondicional.

A misericórdia em nossas vidas deve ter a qualidade perdoadora. Não significa ignorar o mal ou fechar os olhos para a bruta realidade, e sim entendendo as práticas dos homens, amá-los e condoesse por suas práticas pecadoras. A ação deve ser a de ir ao encontro, levando a palavra que transforma o Deus que liberta, fazendo tudo no poder da palavra, pois o evangelho é o poder de Deus.


2.1. O que significa ser misericordioso. (Salmo 18:25)

Ser misericordioso é revelar ao mundo que assim como fomos alvo da misericórdia divina, refletimos este comportamento as pessoas que nos rodeiam. Lembre-se que a divida que tínhamos para com Deus era inesgotável para o homem, pagaríamos, pagaríamos e nunca conseguiríamos quita-la. Mas, um dia o Rei nos chama e nos concede a sua misericórdia, quer dizer, mesmo tendo o direito de nos encarcerar para todo sempre debaixo do domínio das trevas, ele nos revelou sua misericórdia e nos concedeu o perdão.

A atitude do servo grato e que realmente tem a vida de Deus é de propagar este amor inesgotável. Não devemos negligenciar o perdão aos homens, pois fomos perdoados por Deus daquilo que por nós mesmo nunca alcançaríamos o perdão. Ser misericordioso é ver a realidade do homem, com suas fraquezas e defeitos e amá-lo mesmo assim. Observe:
· Quantas vezes negligenciamos o perdão imediato aos nossos filhos e nem sequer os ensinamos o princípio de errar e reconciliar-se;
· Negligenciamos o perdão ao marido que nos machuca com palavras grosseiras ou com atitudes que nos desabone;
· Negligenciamos o perdão a mulher que nos fere;
· Negligenciamos o perdão aos companheiros de trabalho;
· Negligenciamos o perdão aos parentes que nos criticam;
· Negligenciamos o perdão aos irmãos na fé, que convivem conosco, grande parte de nossa vida, e pior, pensamos em uma oportunidade para lhe retribuir o mal;

Seja sábio, não resista a reconciliação. Quando solicitado para o perdão tenha a disposição interior de perdoar e perceberá que gradativamente a vida fica melhor. Não ligue pessoas a você com laços de rancor, não as leve em seu coração com o desejo de ver o troco, ou a recompensa pelo mal cometido. Interceda por ela, pela mudança de suas práticas, a estime em amor incondicional.

2.2. A relação misericórdia X misericórdia. (Efésios 4:32)

O texto de Mateus fala da relação em ser misericordioso e alcançar misericórdia. Ser misericordioso é o que foi mencionado no tópico acima, mas qual a relação entre exercer a misericórdia e alcançar misericórdia? Parece que existe uma estrita relação entre esta comparação e a Oração do Pai-nosso, onde Cristo expressa: “perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”, e logo depois reitera: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará...”. Sabemos que não compramos o favor divino, não adianta o “perdão interesseiro”, dizendo: “vou perdoar para ser perdoado” e sim o perdão genuíno, dizendo: “vou perdoar porque fui perdoado”.

Quem alcança o favor divino não deve negar aos homens o ministério da reconciliação. Revele através de um coração perdoador a infindável obra que Deus está operando em seu coração. Pregue a palavra, e anuncie a razão do seu amor.

2.3. A excelência na vida cristã. (Lucas 17: 3 – 10)

Lembre-se da parábola em Mateus 18: 23 – 35, o servo tem que ser misericordioso, pois foi livre de um juízo maior. Não da para entender entre a comunidade cristã, cristãos genuínos sem um coração disposto ao perdão e que exala o bom perfume de Cristo. O rancor, o ódio, a raiva, a ira não devem superabundar o amor cristão. Talvez o pior de todos ainda seja a indiferença perante a situação dos homens, como exemplo Lucas 10: 25 – 37 onde revela ações de indiferença e a ação de misericórdia. Observe o quadro:
· O homem foi roubado;
· Foi deixado ferido e semimorto;
· O sacerdote passou de lado;
· O levita passou de lado;
· Mas o samaritano passou de perto e o socorreu.

Muitas vezes as nossas práticas não acompanham o discurso do evangelho, é uma vida sem a profundidade da palavra. Passar de lado é a ação da indiferença, é lavar as mãos, é não ter nada a ver com o caso, é a omissão do bem. Agora o passar de perto é o envolvimento pessoal, é a prática do amor, é o socorro para com aquele que estava quase morto. História similar é a nossa, estamos mortos mas Cristo nos deu vida. Ele se envolveu em nossa história e mudou o nosso destino.

III. Bem-Aventurados os limpos de coração. (I Crônicas 29: 17)

Esta bem-aventurança tem uma relação com o estado de glória, este é o nosso estado no reino escatológico de nosso Deus. Seremos mantidos neste estado eternamente . Então a pureza ou limpeza do coração é algo que envolve moralidade e santidade, o nosso Deus prova o coração do homem.

Para ter um coração puro que Deus prova e aprova é necessário: Ter comunhão com Ele; Vigilância na obediência aos seus princípios e prática de vida integra. Tudo começa com Deus em nós, se mantemos comunhão com Ele teremos o seu aprovar. A vigilância é o policiamento diário de nossas ações e pensamentos. Devemos refletir o desejo que tenta nos dominar, a luz da palavra e de seus princípios absolutos. Coração puro e consciência pura são paralelas e um não anda sem o outro.

3.1. O que significa ser limpo de coração. (Jeremias 12:3)

O coração aqui mencionado não é simplesmente a questão muscular e sim o centro da vontade humana, de onde provem nossos desejos e vontades. Purificar e limpar o coração é apresentar intenções, práticas e pensamentos íntegros diante de Deus.

O profeta Jeremias sabia que Deus tudo conhece, tudo vê, e que prova o sentimento do coração. A abrangência desta mensagem é o inesgotável conhecimento que Deus tem a nosso respeito, e a consciência que devemos ter de que diante D’Ele e de seus olhos nada fica oculto. Há uma relação estreita entre coração puro e simplicidade, os cristãos devem ter ambos, a simplicidade que revela um coração grato e sem maldades.

3.2. A purificação do coração na vida prática. (Salmo 51:10)

Lembre-se que o coração puro foi dado por Deus juntamente com a vida cristã, sem esta vida somos fadados ao coração maldoso e pernicioso. Quando caminhamos em novidade de vida, as nossas práticas também são inovadas, exemplo:
· O desejo sexual perverso agora é, um desejo sexual correto;
· O pensamento impuro agora é, um pensamento puro;
· A religiosidade da razão e força humana, agora é, a religião verdadeira;
· Aquele que mentia, deixa de mentir;
· Aquele que prostituía, deixa de prostituir;
· Aquele que era glutão, agora é contido;
· Aquele que era covarde, agora é corajoso;
· Aquele que era corrupto, agora é honesto;
· Aquele que fazia intrigas, agora promove a amizade;

É esta transformação maravilhosa operada em nós pela ação do Espírito Santo, que nos concede a regeneração, que nos capacita a agir de modo tão distinto. Nosso coração quando conduzido pela nossa vontade, é a fonte de todos os males, mas quando conduzido por Deus é a fonte de novos desejos e hábitos.

3.3. A Pureza de coração e o relacionamento com Deus. (Deuteronômio 6: 5)

A expressão do genuíno coração que anela por Deus é a busca incessante, de coração, alma e força. Todo o ser em honra e glórias a Deus. Não há sentimento cristão quando o relacionamento para com Deus é fundamentado em troca, interesse, busca material e religiosidade. E sim quando sustentado pela entrega, pela dependência, pela busca, por um coração grato que foi renovado e transformado do seu estado pedregoso para um coração vivo. Deus se relaciona com os homens de boa vontade, porque a razão de sua boa vontade é a vida que procede D’Ele.

CONCLUSÃO.

Quando olhamos o que Jesus estava ensinando com os conceitos aqui apresentados somos convidados a rever nossas práticas diariamente, e submeter nossas ações a semelhança deste discurso. O anelo pela justiça, o convite a ser misericordioso e a ter um coração limpo revelará que realmente como discípulo de Cristo somos sal e luz.

Devemos refletir o sabor e a luminosidade que transforma vidas, o evangelho não é estático e monopolizado. Somos convidados a crer que quando testemunhamos sobre a ação de Deus e revelamos nossa dependência D’Ele, glorificamos o seu nome. Então mãos a obra, a boa abra, e não mais olhamos para nossa capacidade, mas, para a capacitação que Deus nos dá.

Glória ao seu nome!

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