segunda-feira, outubro 30, 2006

A Vida Familiar do Discípulo (Parte II)


Autor: Gustavo Custódio

Texto Base: I Pedro 2:11 e 12.

Introdução

O modelo apresentado na primeira epistola de Pedro 2: 11 – 12; mostra a relevância do comportamento cristão para testemunho entre os gentios. Não se ignorava que algumas famílias estavam desfaceladas pelo paganismo que dantes freqüentavam e se dedicavam. Os cultos gregos e as religiões de mistérios (de origem persa e egípcia) estavam estruturados em: liberdade sexual; sacrifício humano; relações múltiplas e abstinência.

O mundo de então e a sociedade de nossos dias são próximas nos agravantes familiares. Algumas crises atuais são: A falta de estrutura financeira; as separações; mães solteiras e a comunicação deficiente. Tudo isto envolve o principio de uma sociedade pós-cristã; onde os valores são até conhecidos e não praticados. O modelo cristão a qual somos convocados é o de ser exemplar, mesmo em meio às dificuldades que nos são impostas ou nos colocamos.

I. Finanças (I Timóteo 6:10)

O principio da administração financeira eficiente, tem como objetivo a mordomia cristã que consiste em:
· Trabalhar fielmente;
· Receber o justo pelo trabalho;
· Gastar o necessário;
Muitas famílias desconhecem este modelo cristão, pois a onda é:
· Trabalhar de qualquer jeito;
· Receber o Salário;
· Gastar mais do que devo;

Não existe uma vida financeira bem sucedida se não for estabelecido o critério de honrar a Deus com minhas finanças. A pergunta que pode ser feita é: Como posso proceder de tal maneira? Em primeiro lugar é necessário o princípio dizimal ( Malaquias 3: 8 – 12), a omissão deste principio é roubo e legalidade para a ação predativa sobre o que temos. Em segundo lugar ofertas de coração voluntário, caracterizada por um coração desprovido da avareza e investidor ou sustentador dos projetos da Igreja.

1.1. Planejamento (Lucas 14: 28 – 30)

O planejamento orçamentário não é uma prática comum nos lares brasileiros, são poucos que trabalham com previsão de gastos, e geralmente isto acaba redundando em gastos excessivos. É necessário para termos uma eficiência orçamentária entender que na relação conjugal não existe o meu salário e o teu salário; ambos convergem para o bem comum. O planejamento só terá resultados se ambos se comprometerem e respeitarem a planilha a ser feita.

Observe algumas dicas para o orçamento:
· Planeje a aquisição de bens juntos e em ordem de prioridades;
· Focalize o crédito junto às financeiras para ser benção;
· Quebre os cartões desnecessários;
· Tenha uma poupança fixa (todo mês iremos poupar 5% das entradas da casa);
· Não trabalhe com o orçamento no limite pois a gastos que nos pegam de surpresa (remédios; concerto do carro; imprevistos na casa e etc...);

Pense que quando administramos melhor, também podemos investir melhor. Optar por princípios que a família ache prioritário, como: Educação; Plano de Saúde; Aquisição de uma casa e outros sonhos que podem ser realizados. Outra forma de investimento é a solidariedade para com o próximo: socorro aos necessitados e investimentos em projetos sociais.

1.2. Vida Financeira dos Filhos (Provérbios 11: 25; Deuteronômio 28: 11)

É importante que a criança aprenda desde cedo a administrar o seu recurso. O que antes era um hábito de parte da classe média brasileira acabou sendo aprovado por educadores e psicólogos, pois desenvolve o senso de responsabilidade e conseqüência de cada ato, isto culmina na formação da cidadania.

Os pais devem estipular para o filho qual será sua renda mensal, o ensine a dizimar; ofertar e a gastar com responsabilidade. Um exemplo é um filho em idade escolar que necessita do lanche na hora do intervalo e os pais estipulam para isto um gasto de R$ 40,00 (mensais), observe que com este valor ele não poderá comer um salgado e tomar um refrigerante por dia, será necessário a boa administração e escolhas corretas para que o dinheiro não acabe antes do fim do mês. Observe:
· Vida Financeira educativa é onde temos a possibilidade de errar e acertar;
· Quando o jovem já entende o princípio, faça-o participar do orçamento com idéias (no futuro eles terão como praticar aquilo que aprenderam);
· O oriente e o elogie em cada atitude (a cobrança em exagero pode gerar medo de errar e então cria-se um adulto sem iniciativa) e
· Abençoe a vida financeira de seu filho.

1.3. Entendimento Assertivo

Como filhos e filhas de Deus sabemos que não somos convidados a ser o dono do mundo; o senso de consumismo não deve fazer parte da nossa rotina de vida. As nossas finanças devem refletir a dependência de Deus (Texto da oferta da viúva pobre).

Coloque em prática:
· Dizimo (com fidelidade);
· Administração participativa;
· Coerência entre: entrada e saída;
· Gastos planejados e
· Honre seu cônjuge sendo fiel na administração (não suje o nome de sua família).


II. Inclusão: Famílias e Igreja Acolhedora (I Tessalonicenses 5: 14 – 15)

O diálogo da inclusão social tem sido feito entre as empresas e em outros setores da economia mundial, mas, é motivo de descaso nas Igrejas. A proposta é que cada família da Igreja seja solidária para com os casos que fogem ao ideal familiar. O acolhimento revela o seu serviço ao mundo e o seu aspecto curativo, as soluções devem ser guiadas pelas escrituras.

Lembre-se que a prática da família-igreja acolhedora nos ajudará a entendermos as debilidades do próximo, nos tornando mais sensíveis e perceptíveis aos seus problemas e angustias e também na efentaulidade disto acontecer no nosso circulo familiar, poderemos ser guiados sabiamente a resolver estes problemas.

2.1. Mãe Solteira

A nomenclatura já soa como descaso, a condição geralmente não é escolha da mãe e sim a conseqüência do abandono da paternidade. Pense que a mulher cristã ou não, já está penando por causa de seu erro e não necessita da acusação. Como igreja somos chamados à cura da alma e dos sentimentos, promovendo a restauração e levando o perdão de Deus.

Conselhos a Igreja:
Indique o caminho para uma vida familiar aos pés da cruz;
Leve mãe e filho a se sentirem bem recebidos;

Conselho a mãe:
O seu erro, da relação sexual antes do casamento, deve ser confessado e Deus lhe perdoará;
Ame o seu filho como fruto de seu amor e não projete nele o insucesso da relação;
Deus proverá a necessidade do pai, e renovará a sua força para o desenvolvimento de seu filho;

Para Deus o valor esta nas pessoas que lhe reconhecem como Senhor e Pai, isto significa viver uma vida renovada dirigida pelo Espírito. Igreja, reconheçamos o valor das pessoas, como Deus as vê, cuidemos integralmente e suportemos os erros. Sendo um só corpo somos chamados à alegria e ao sofrimento juntamente e não deixarmos de lado aquilo que não se relaciona diretamente com a minha vida.

2.2. Pais Separados

Neste ponto não trataremos da legitimidade ou não do divórcio, e sim da conseqüência no lar e sua relação com a Igreja. Geralmente temos a nossa volta cassais que separaram por diversos motivos: Incompatibilidade; agressões verbais; agressões físicas e etc. A nossa preocupação se relaciona com a discriminação que ainda há a este estado social, e a dificuldade de relação continuada quando a relação tem o fruto, um filho ou uma filha.

Receber as pessoas não significa ignorar as dificuldades que podem surgir desta situação, não é se conformar e tornar o divórcio um modelo corriqueiro. Significa: entender; socorrer; auxiliar e amar.

O comportamento dos pais separados preocupa-nos, pois, em alguns casos tem havido a intolerância para com as visitas, deixando assim a criança sem a presença que ela quer. Algumas dicas:
· Não fale mal do seu cônjuge para o seu filho (a);
· Mostre que ele (a) deve honrá-lo (a);
· Estimule a relação para que possam ser bons amigos;
· Deixe que possíveis erros sejam resolvidos entre eles;
Fazendo assim você estará agindo com prudência e restaurando o respeito fraternal entre vocês e seu ex-conjugê, estimulando o relacionamento com o filho, edificando o sentimento entre ambos.

2.3. Filhos Órfãos (Êxodo 22:22 – 24; Tiago 1:27)

Neste momento parece haver menos discriminação, e sim um sentimento de dó, sendo este um sentimento igual ou pior que a discriminação, pelo resultado que provoca. O sentimento deve ser de compaixão, que nos leva a ação fraterna e paterna (se for o caso). Durante anos as famílias cristãs esqueceram-se da adoção, mas isto tem mudado com esta geração, e existem comportamentos que podem mudar ainda mais, exemplo:
Estruture a sua família para o socorro dos órfãos;
Participe de projetos como pais sociais;
Participe de projetos como pais de fim de semana;
Adote financeiramente uma criança e ajude no processo de formação da cidadania;

Aos filhos que vivem este contexto, saibam:
Que Deus suprirá a sua carência emocional;
Viva com os pais que lhe adotaram como filhos amados e obedientes, pois foram agraciados com pessoas que lhe amam e tornaram-se sua verdadeira família;
Lembre-se de ter um coração perdoador em relação aos pais biológicos, e esta ação livrará o seu coração de todo rancor (motivos para serem perdoados: abandono; agressão e abuso sexual.)


III. Orientações

Estas orientações são para a observação e prática. Quando recebemos uma orientação devemo-nos avaliar e reconhecer as estruturas que devem ser modificadas. Geralmente alguns erros tendem a se repetir quando não estamos atentos à gravidade que ele trás.

3.1. Papeis

Na criação Deus criou homem e mulher, o homem criado primeiro e a mulher posteriormente, foram feitos para se completarem. “Quando Deus criou o homem e a mulher (Gn. 1:26 e 2:22), Ele capacitou cada um com qualidades que eram necessárias ao outro, a fim de que os dois se complementassem e não competisse um com o outro. Cada qualidade ou habilidade traz consigo a responsabilidade de desempenhar um determinado papel. Se um dos cônjuges não desempenha seu papel ou coloca sobre o outro suas responsabilidades, faz com que seu companheiro se sobrecarregue em funções não fazendo nem suas próprias funções”[1].

Papéis do Homem:
Líder (I Co. 11:3 e Pv. 13:16)
Protetor (I Co. 7 :3-5)
Amante (Ef. 5:25-28)
Perdoador (Mt. 6:14,15)
Provedor (Gn. 3:19; I Tm. 5:8; Dt.6:6-9)
Intercessor (hb. 3:13; Tg. 4:7; 5:16)

Papéis da Mulher:
Submissão (Ef. 5:22-24)
Apoiadora (I Pe. 3:1,2)
Auxiliar/Companheira (Gn. 2:18; Pv. 31:10-12)
Administradora (Pv. 31:13-30)
Perdoadora (I Jô. 4:19-21; Jô. 13:35)
Intercessora/Discernimento (Ef. 6:18; I Ts. 5:17)

3.2. Comunicação Eficiente

“Uma boa comunicação pode se basear em alguns princípios como:
Seja sempre sincero e transparente com os outros;
Escolha o tempo certo para falar;
Não brigue na frente dos filhos;
Fale sempre a verdade em amor (Cl. 3:9; Ef.4:25)
Não use o silêncio como manipulação;
Não agrida verbalmente os outros;
Pense antes de responder;
Não responda com raiva, evite explodir;
Faça elogios, evite críticas;
Preste atenção no seu filho quando ele fala, que ele prestará atenção quando você fala”[2].

CONCLUSÃO.

Para ter um ambiente agradável em casa é necessário o diálogo aberto sobre tudo que envolve a todos e a cada um individualmente. Pense na prática do ajuste financeiro como algo indispensável, pois uma vida financeira descontrolada poderá provocar brigas, que podem ser evitadas. Outro aspecto inevitável é tornar o lar receptivo aos que necessitam de auxílio, quando nos comprometemos como família a este comportamento, com certeza estaremos deixando de lado a indiferença e valorizando a humanização.

Pais, não deixem de assumir aquilo que Deus lhe concedeu. Os papéis são inevitáveis para uma relação genuinamente cristã. Os execute e não seja omisso. Na condução de seu lar lembre-se de que olhos abertos, ouvidos atentos e sensibilidade para captar os perigos, formam a nossa parte nesta tarefa. Mas, é Deus quem cuidará para que nenhum mal nos suceda.
[1] CUSTÓDIO, Sarah Paula de Oliveira. Vida Familiar. p.4
[2] CUSTÓDIO, Sarah Paula de Oliveira. Vida Familiar. p.11

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