terça-feira, novembro 07, 2006

A Vida Familiar do Discípulo (Parte III)


Texto Base: Provérbios 31: 10 - 31
Introdução

Seguindo o modelo familiar que está sendo abordado há duas semanas, modelo baseado na aliança, iremos tratar de assuntos que falam direto a prática familiar. A questão da ausência paterna nunca tem sido tão grande como nestes dias, em busca de emprego e de uma remuneração maior, pais se omitem de sua função educadora deixando por conta dos avós e das babás a responsabilidade, se tornando pais de fins de semana.

No debate atual sobre a educação de filhos na adolescência tem havido grande harmonia no que tange a rebeldia deste período e sobre a forma de conduzi-la. Na igreja cristã é comum a dificuldade de pais e filhos na convivência durante tal fase, para isto estaremos dando alguns passos que podem auxiliar na maturidade do relacionamento.

Outro assunto de vital importância é a relação conjugal na idade senil, o idoso tem o direito e o dever de viver a inteireza do relacionamento, ainda a tempo de se corrigir algumas dificuldades e de ajustar a relação para aproveitarem juntos o que Deus lhe concedeu.

I. Pais Ausentes (Salmo 127: 1 – 2)

Na luta pelo sustento familiar e na competição do mundo moderno alguns casais optam por ter uma vida produtiva que lhes ofereça algum conforto. O problema é que além de terem pouco tempo para a relação conjugal, ambos optam pela gravidez mas não mudam o comportamento, tendo seus, os filhos cuidado por outros. É necessário que ambos conversem para resolver este problema da ausência, antes da gestação ou que discutam isto neste ponto de suas vidas. Os filhos criados por terceiros, podem gerar nos pais um sentimento de culpa e nos filhos um sentimento de rebeldia e abandono.

Alguns pais se isolam de seus filhos, e da responsabilidade de criação, omitindo: a atenção que ele tem direito; o amor desenvolvido nas brincadeiras e nas disciplinas; o diálogo; a responsabilidade sacerdotal diante da casa; deixando para o outro qualquer responsabilidade que lhe coloque em contato com o filho. Isto é péssimo e necessita de mudança já, observe algumas dicas para a mudança:
· Procure comer a mesa e faça deste ambiente e momento algo prazeroso (aqui não é o momento da disciplina e da bronca, ou de assuntos desagradáveis);
· Se envolva nas brincadeiras, por mais que o cansaço do dia de trabalho o fadigue;
· Esteja aberto ao diálogo e demonstre segurança, despertando a confiança (o que foi falado entre os dois deve ser respeitado);
· Demonstre preocupação espiritual (lhe explique, o oriente, os filhos necessitam entender a mensagem de Deus) você é o sacerdote do lar, ministre sobre os filhos, leve-os a responsabilidade com Deus e lhe de exemplo de conduta espiritual;
· Tome as rédeas do lar, Deus lhe deu autoridade sobre a família (isto não é ser um carrasco e sim um sentinela);

1.1. Por Motivo de Trabalho (I Timóteo 5:8 – Mateus 6: 25 - 34)

A vida produtiva moderna levou a competição no mercado do trabalho entre homens e mulheres, ambos deixando extravasar o seu lado profissional. Na ética familiar o cuidado com os filhos limitou-se a provisão financeira, é comum se expressarem da seguinte forma: “Eu sou um bom pai, eu coloco pão sobre a mesa”. Lembre-se que os filhos não se alimentam somente de pão, o trabalho realmente é importante, mas a pergunta é: O que é mais importante no momento? A que devo gastar mais tempo?

Com pais que trabalham tanto, outra postura errada tem sido tomada na qualidade do tempo em família, além de pouco tempo com os filhos acabam se ausentando mesmo estando em casa, a qualidade do tempo vivido é direcionado ao repouso e novamente os filhos ficam a ver navios. Deus deixou a ordem de multiplicar e encher a terra , mas, também orientou ou ordenou o cuidado com os filhos. Mude o hábito familiar para não perder o seu filho para satanás e o mundo.

Tente colocar em prática:
Trate a minha família com maior importância do que o acumulo de bens;
Dê aos filhos o tempo necessário;
Trabalhe no período em que ele desenvolve a atividade escolar;
Caso você for o sustentador da casa, aproveite o máximo o tempo que ficar em casa. Qualidade de tempo é importante.
Se tiver que fazer a opção entre trabalho e tempo com os filhos, opte pelos filhos e Deus honrará a sua postura;

1.2. Por Isolamento Temperamental (Provérbios 13: 12 – 16)

Esta conduta isolacionista pode haver tanto nos pais como nos filhos, é necessário um acompanhamento de um terapeuta familiar (podendo ser: pastores que se dediquem à causa familiar, psicólogo ou psicoterapeutas), é necessário o reconhecimento do problema e o grito de socorro. Como identificar este problema nos pais? Observe o modelo abaixo:
· Você desvia-se de seu filho quando ele lhe procura?
· Você faz de tudo para evitar momentos mais íntimos?
· Procura estar por perto somente no momento da disciplina?
· Troca o elogio por mais uma cobrança? Tipo: “é você poderia ir melhor”.
· Quando solicitado, manda procurar o outro cônjuge?
· Quando ele deita em seu colo, fica desconfortável para lhe oferecer o carinho?

Estas perguntas ajudam a identificar o problema, que em alguns níveis pode ser mudado com muita boa vontade e em outros somente com ajuda. Caso a sua resposta tenha sido positiva em alguma destas perguntas, procure auxílio, a sua família esta em jogo. O temperamento que temos não pode prejudicar o ambiente de nossa casa, é necessário conhecermos nossos pontos fortes e fracos, a fim de trabalharmos em nossas franquezas, por amor.

1.3. Reconduzindo o Diálogo (Gênesis 33: 1 – 17)

Esta é a parte prática do assunto, depois de revisto a conduta familiar e analisarmos no que necessitamos mudar, podemos dizer que “estamos em obras!” Deus nos ajudará, se forte e corajoso. É necessário coragem e muita força para mudar velhos hábitos e lutar com o conformismo: “eu sou assim, nasci assim e vou morrer assim”, de um basta a isto e lute pela transformação, assim como Deus mudou o nosso destino ao inverso, Ele deseja mudar nossas práticas familiares.

Reconquistar o ambiente familiar, mudar o rumo da prosa, realmente exige vontade. Algumas observações são de extrema importância neste momento:
· Tenha momentos em família, para descontração;
· Separe um tempo para conversa em particular;
· Demonstre interesse por cada detalhe;
· Compartilhe experiências que lhe ajude;
· Faça um almoço em família (a família toda fazendo um almoço, participando e filme estes momentos agradáveis para ficarem guardados na memória);
· Monte um mural de fotos da família em atividades em comum;

Possivelmente os primeiros dias serão diálogos desconcertantes ou monólogos, não desista, você entrou nesta batalha para ser um vitorioso. Crie atividades de interação, promova diversão, dialogue sobre a moralidade e a espiritualidade e não tenha medo de errar nem de pedir perdão.

II. Passos Para o Amadurecimento Juvenil (Provérbios 4: 1 - 27)

Quando o filho deixa de ser criança e passa a fase estudantil, onde a inteiração com o mundo que o cerca, o influência de alguma forma, ele começa a sofrer as pressões para o amadurecimento. Lógico que para os pais isto é extremamente difícil, o bebê da casa está crescendo. É importante então firmar os valores que esta casa segue, deixar isto visível e claro (Uma dica importante é que eles visualizem estes valores em algum quadro), lembre-se que algumas informações que vemos como rebeldia, são assimiladas mas ainda não foram orientadas e é necessário que isto ocorra. Pais, um diálogo sobre o palavreado ou sobre o comportamento o ajudará a entender o que é certo e errado.

Algumas dicas úteis:
Firme os valores deste lar no coração de seu filho;
Permita que ele tire dúvidas com você;
Quando ele apresentar um comportamento não aceitável diante da família, o informe disto e lhe de a chance de acertar (o conscientize do porque isto é errado);
Lembre-se que somos os faróis que iluminam o caminho deles;

2.1. Rebeldia ou Formação de Caráter? (Efésios 6:1 – Marcos 7: 21 - 22)

Está é uma pergunta vital, pois norteará o procedimento familiar. O primeiro momento de uma informação pode contribuir para a formação do caráter, mesmo que isto seja expresso em rebeldia, como por exemplo à birra, que se não tratada trará drástica conseqüência na vida adulta. Nossos filhos podem ser disciplinados e isto faz parte da educação, disciplinar sem ira e sem autoritarismo.

Os primeiros anos de vida são vitais nesta formação, lembre-se que a rebeldia pode ser canalizada de forma positiva. Geralmente um rebelde é: sonhador; inovador e cheio de potenciais, estas qualidades positivas devem ser preservadas e orientadas. A rebeldia como forma de protesto a autoridade dos pais deve ser disciplinada. Na formação do caráter do seu filho, foque:
Não reprima um comportamento ou sentimento, o corrija;
Forneça as ferramentas certas para que ele possa identificar o certo e o errado (coloque diante dele algumas situações e o ensine a emitir opinião, isto é bom ou ruim? Certo ou errado? Um exemplo: assista com ele alguns desenhos que ele normalmente assista sozinho, ou um filme e emita juízo de valor.);
Valorize os potenciais, não o despreze juntamente com o erro;
O estimule a independência, ao empreendedorismo (esta é a hora dele errar, porque tem a sua ajuda) valorize seus sonhos;

2.2. Conflito de Interesses (I Samuel 16:23)

O conflito pode acontecer quando o adolescente-jovem escolhe algo em desacordo com o valor familiar. Este é um momento de perigo, de alerta a sua autoridade pode estar sendo colocada em cheque, exemplos mais comuns nos dias de hoje:
Colocar um pircen;
Se vestir na moda gótica;
Tatuagem;

Estes três exemplos foram citados por serem os mais comuns nos conflitos de interesses. Lembre-se que você é quem fornece o rumo de seu lar, ao filho cabe honrá-lo, se a resposta for negativa, lembre-o da aliança entre pais e filhos e que existe um motivo para isto. Existem outros conflitos que podem ser negociados:
Ouvir músicas de estilos diferentes dos pais;
A saída à noite;
O tempo de estudo;

Negociar não significa permitir tudo, e sim o limite para a ação deve ser obedecido. A saída à noite terá lugar definido e hora de retorno, as músicas poderão ser ouvidas desde que em um volume agradável e com entendimento das letras, é necessário respeitar o espaço do outro e entender o que a música diz (será um ótimo momento para estimulá-lo ao estudo de idiomas). Lembre-se que Deus nos deu sabedoria, se houver alguma dúvida sobre o que será permitido ou não, procure informação sobre o assunto (caso ele lhe peça algo que você desconheça se é bom ou ruim, solicite um tempo para investigação dos fatos).

2.3. Direcionamento das Potencialidades

É importante no contato filho e pais que as potencialidades sejam usadas na medida certa e com propósitos. Quando abordamos os filhos com uma exortação não devemos fazer isto para a glória dos pais e sim para a glória de Deus. É importante cultivar alguns hábitos como:
· Abençoar os filhos;
· Semear boas palavras;
· Semear bons exemplos;

Quando Deus nos concede a graça de termos em nosso cuidado um de seus pequeninos, necessitamos estimulá-lo no seu desempenho pessoal, para que ele seja um homem melhor. Algumas formas de estímulo:
Ensine-o a verdade / seja o modelo da verdade;
Ensine-o a prudência / seja o modelo de prudência;
Ensine-o a sinceridade / seja o modelo de sinceridade;
Ensine-o a simplicidade / seja o modelo de simplicidade;
Ensine-o discernimento / seja o modelo de discernimento;
Ensine-o a coragem / seja o modelo de coragem;
Ensine-o a amizade / seja o modelo de amigo;
Ensine-o a importância do estudo / seja o modelo de estudante;
Ensine-o ao respeito / seja modelo de respeitabilidade;

Lembre-se: As crianças, adolescentes e jovens são como esponjas ou antenas, que sugam ou captam tudo o que acontece ao redor, ele refletirá muito o ambiente de seu lar. Ele é o representante, onde ele for é como se você estivesse indo, o que ele dizer é como se você estivesse dizendo, a sua alegria ou tristeza é a sua alegria ou tristeza.

III. Vida Conjugal na Terceira Idade (Gênesis 21:5; 18:11 – Provérbios 15:1)

Para falar com a terceira idade é necessário relembrar que os votos do matrimônio não têm limite de idade, provavelmente é neste período onde melhor podemos gozar da companhia, da amizade e da relação sexual que reflete a unidade plena. Este não é o momento de se afastar, de dormir em cama separada, de se sentir abandonado, é o momento de se aquecer com a presença do outro.


Refletir o amor nesta fase da vida é demonstrar que a aliança superou todos os percalços, sejam eles:
Ofensas;
Traições;
Separações e etc.
Cultive: Momentos a sós; lembrança do que se passou e que pode ser revisto; viagens a sós.

3.1. Mantendo os Princípios

A vida em aliança é válida para toda a vida. União matrimonial é feita em votos de compromisso mútuo: amar, respeitar e cuidar eternamente. Com o tempo sofremos mudanças e é importante que elas nos melhore, nos torne como o vinho.

Amar além de ser a arte de conviver, é a arte de se transformar, de melhorar , servindo ainda melhor ao meu cônjuge. Pode ser expresso no olhar, no apalpar das mãos, nas carícias, nos beijos e na relação sexual (não existe motivo para se envergonhar da relação pois é Deus quem a criou em toda a pureza. O casal que tem uma vida sexual ativa honra a Deus).

O respeito quando precedido pelo amor, ou quando o precede, demonstra a integridade da relação. Pode ser substituído o seu significado por Honra, a mulher honra o seu marido, o marido honra a sua mulher e assim ambos vivem em altruísmo. Algumas formas de respeito: Elogio, romantismo (envia flores, não se esquece das datas importantes...), respostas brandas, o cuidado pessoal com a aparência (eu me cuido para o outro) e cativa.

Cuidar pode ser visto como zelo, com ocupar-se na atenção ao cônjuge, tratar e tomar conta. Quando na juventude se promete amar e respeitar na saúde e na doença, não se tem a mínima noção do que se esta fazendo, mas, é aqui que Deus nos da a oportunidade de cuidar da pessoa amada, seja qual doença for, em qual estado ela estiver, eu serei seu (sua) companheiro (a) até o fim. Cuidar em amor é estar do lado nas debilidades, sem murmúrio guardando o outro em honra.

3.2. Ainda é Tempo de Mudanças

Lembre-se que esta fase da vida não é o fim, e nem o tempo de perfeição. Se tivermos um comportamento ruim até agora no trato com o cônjuge, ainda é tempo de concerto, proponha-se à:
Policiar seus atos (Pergunte-se: Eu mesmo agüentaria que alguém fizesse o que eu faço?);
Seja compreensivo e não rabugento (Para o rabugento algo tem que ser do seu jeito e nunca nada está bom, sempre há defeitos);
Deixe as aparências e viva o melhor com a mulher (ou homem) da sua mocidade;
Seja amoroso e não rancoroso (o amoroso perdoa, o rancoroso não vê a hora de dar o troco);

3.3. Fiéis Amantes

É hora de amar de todas as formas e amar intensamente. Procure saber o que seu cônjuge gosta, quando sair traga algo para mostrar que lembrou-se dele (a), valorize cada ato do seu parceiro, deixe alguns compromissos de lado e passe o dia com a pessoa amada.

Às vezes olhamos para trás e ficamos pensando que se pudéssemos mudaríamos o que se passou, mas isto não é possível, é hora de mudar o que adiante de nós está. O que passou deve servir de modelo para não cometermos os mesmos erros. Exemplo:
Desonrou / honre;
Foi agressivo / seja romântico;
Foi infiel / Seja fiel.


CONCLUSÃO.

Temos que lembrar da ferramenta maravilhosa que Deus nos deu para guiar a conduta familiar. As escrituras contem a regra inefável do amor de Deus e seguindo-a teremos uma melhor conduta. Podemos dizer que Deus deixou um livro como Cantares para orientar a conquista amorosa dos casais, outro livro com propósito similar é Provérbios que nos auxilia na educação de nossos filhos e nossa também, sem nos esquecer dos Evangelhos que revela a forma como Deus nos ama, e nos convida a uma vida de relacionamento integro com o próximo e com Deus.

Que você e sua casa sirvam ao Senhor.

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