quarta-feira, novembro 29, 2006

A Dependência de Deus: Um Estudo nas Bem-Aventuranças (Parte II)


Texto Base: Mateus 5: 1 - 12

Introdução

O caminho da bem-aventurança é a recompensa celestial. Os filhos de Deus fazem a vontade do pai e conhecem o pastor de suas vidas. Quando ouvem a voz do pastor elas o reconhecem, não se deixando enganar por aqueles que tentam se passar por “bom pastor”. A dependência delas é total, pois é o pastor que lhes prove tudo do que tem necessidade.

O andar em novidade de vida é assim: “Cristo em nós a esperança da glória!” Colossenses 1: 27. A vida gloriosa reflete a glória de Deus, tudo o que fazemos é para a sua glória. Se acordarmos, acordamos para a glória de Deus, se caminhamos, caminhamos para a glória de Deus, se falamos, falamos para a glória de Deus, se comemos, comemos para a glória de Deus. Uma vida gloriosa só pode existir se o eu for colocado para fora.

I. Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça.

Nesta condição Cristo está fazendo menção a duas necessidades comuns aos homens e que todos conhecem, a fome e a sede. Seus aspectos reais não podem ser esquecidos, pois são necessidades básicas para a vida. Os discípulos que buscavam o sustento no mar sabiam bem o conceito de fome e a sua realidade próxima, pois se a pesca não fosse bem sucedida eles não teriam o que comer.

A sede era algo também real para o povo que peregrinava em uma terra com sol escaldante, e que tinham que caminhar longos percursos. Ambas as necessidades os homens buscam com todo afinco e quando não a encontram perecem, morrem. Estes elementos são vitais para a vida, o corpo humano necessita deles.

Quando Cristo faz menção a estes dois elementos, é impossível não se lembrar da peregrinação pelo deserto e ver dois milagres que Deus realizou no meio de seu povo. Saindo do Egito a primeira queixa é sobre a água (Êxodo 15: 22 – 26), o povo estava com sede e Deus proveu a transformação da água amarga para água doce. Uma segunda queixa foi o mantimento e Deus proveu o maná (Êxodo 16: 1 – 10) ele ordenou a benção da provisão diária. Mas, o que Deus está dizendo é que este sentido literal tão bem entendido deveria ser levado a esfera da justiça.

1.1. O que significa ter fome e sede de justiça .

Fome e Sede devem ser entendidas como fatos complementares para enfatizar a necessidade do anelo por justiça. Quando estamos famintos ou mortos de sede não medimos os esforços para buscar saciar a fome e a sede. Este mesmo desejo deve ser levado a esfera maior, como a da justiça. O desejo de justiça cristã é diferente da “justiça própria”ou do sentimento de vingança. Todos os que nasceram de novo devem buscar a justiça daquele que é justo.

Esta bem-aventurança pode ser entendida na era apostólica como a relação que o mundo teria com os discípulos, de perseguição e ódio ao discurso desafiador do cristianismo. Quando colocados nos tribunais eles testemunharam daquele que é justo e anelavam pela justiça divina. Nos cárceres eles tinham esta fome e sede que Deus tratou de sacia-la. Mas, lembre-se que por fim a justiça de Deus se revelará do céu contra toda impiedade (Romanos 1: 18), mas, para conosco Ele revelará a sua misericórdia.

1.2. Quem são os que têm fome e sede de justiça.

Os que têm este desejo são aqueles que nasceram do Espírito, tendo suas vidas transformadas. Mas é importante lembrar que nem sempre os “cristãos” tem este desejo, porque sua qualidade é a de joio e não a de trigo. Quando a justiça de Deus se manifestar, estes que não são nada diante do tribunal dos homens, serão honrados pelo seu Senhor.

Algumas observações que acontecem no comportamento do sedento por justiça:
· Não toleram a perversidade humana;
· São obstinados pelo advento de cristo;
· Desejam viver o padrão do reino no agora;
· Reprovam e agem contra a impiedade;
· Reprimem a violência: moral e social cometida pelos menos favorecidos;
· São sedentos para pregarem o evangelho; desejam levar os homens ao conhecimento da justificação em cristo e da ira divina para aqueles que não se encontrarem N’Ele;

1.3. Tendo uma expectativa de justiça.
Quando mencionamos o deleite na justiça vinda do alto, relatamos a confiança na vontade, boa, perfeita e agradável de Deus. Não existe uma justiça tão confiável em seu julgamento como a que D’Ele procede. Em seu infinito amor Ele não ignora o julgamento dos homens pelas suas práticas, a diferença para aquele que é nascido de novo esta em ser representado por Cristo.

Cristo levou sobre si, a condenação que merecíamos por natureza transgressora, tornando-nos participantes da vida que D’Ele procede, logo a justiça que em nós opera é para a liberdade e não para a condenação ou escravidão (Gálatas 5: 1 ao 10). Ser encontrado em Cristo é para o povo escolhido de Deus. Que não devem olhar para a justiça condenatória e sim para a imputação do amor que lança fora o terror das trevas. A nossa justiça provém da fé, da confiança inabalável que temos no nosso redentor.

II. Bem-Aventurados os misericordiosos.

Está qualidade citada é prática cristã que deve ser estimulada. Sendo o povo de Deus luzeiros neste mundo, nesta geração. Refletindo a glória de Deus, fazendo tudo para que o Seu nome seja dignificado na boca dos homens. Misericórdia pode ser expresso na caminhada de vida como o amor em ação, exemplos de amor:
amor pelo próximo;
amor pelos inimigos e
amor incondicional.

A misericórdia em nossas vidas deve ter a qualidade perdoadora. Não significa ignorar o mal ou fechar os olhos para a bruta realidade, e sim entendendo as práticas dos homens, amá-los e condoesse por suas práticas pecadoras. A ação deve ser a de ir ao encontro, levando a palavra que transforma o Deus que liberta, fazendo tudo no poder da palavra, pois o evangelho é o poder de Deus.


2.1. O que significa ser misericordioso. (Salmo 18:25)

Ser misericordioso é revelar ao mundo que assim como fomos alvo da misericórdia divina, refletimos este comportamento as pessoas que nos rodeiam. Lembre-se que a divida que tínhamos para com Deus era inesgotável para o homem, pagaríamos, pagaríamos e nunca conseguiríamos quita-la. Mas, um dia o Rei nos chama e nos concede a sua misericórdia, quer dizer, mesmo tendo o direito de nos encarcerar para todo sempre debaixo do domínio das trevas, ele nos revelou sua misericórdia e nos concedeu o perdão.

A atitude do servo grato e que realmente tem a vida de Deus é de propagar este amor inesgotável. Não devemos negligenciar o perdão aos homens, pois fomos perdoados por Deus daquilo que por nós mesmo nunca alcançaríamos o perdão. Ser misericordioso é ver a realidade do homem, com suas fraquezas e defeitos e amá-lo mesmo assim. Observe:
· Quantas vezes negligenciamos o perdão imediato aos nossos filhos e nem sequer os ensinamos o princípio de errar e reconciliar-se;
· Negligenciamos o perdão ao marido que nos machuca com palavras grosseiras ou com atitudes que nos desabone;
· Negligenciamos o perdão a mulher que nos fere;
· Negligenciamos o perdão aos companheiros de trabalho;
· Negligenciamos o perdão aos parentes que nos criticam;
· Negligenciamos o perdão aos irmãos na fé, que convivem conosco, grande parte de nossa vida, e pior, pensamos em uma oportunidade para lhe retribuir o mal;

Seja sábio, não resista a reconciliação. Quando solicitado para o perdão tenha a disposição interior de perdoar e perceberá que gradativamente a vida fica melhor. Não ligue pessoas a você com laços de rancor, não as leve em seu coração com o desejo de ver o troco, ou a recompensa pelo mal cometido. Interceda por ela, pela mudança de suas práticas, a estime em amor incondicional.

2.2. A relação misericórdia X misericórdia. (Efésios 4:32)

O texto de Mateus fala da relação em ser misericordioso e alcançar misericórdia. Ser misericordioso é o que foi mencionado no tópico acima, mas qual a relação entre exercer a misericórdia e alcançar misericórdia? Parece que existe uma estrita relação entre esta comparação e a Oração do Pai-nosso, onde Cristo expressa: “perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores”, e logo depois reitera: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará...”. Sabemos que não compramos o favor divino, não adianta o “perdão interesseiro”, dizendo: “vou perdoar para ser perdoado” e sim o perdão genuíno, dizendo: “vou perdoar porque fui perdoado”.

Quem alcança o favor divino não deve negar aos homens o ministério da reconciliação. Revele através de um coração perdoador a infindável obra que Deus está operando em seu coração. Pregue a palavra, e anuncie a razão do seu amor.

2.3. A excelência na vida cristã. (Lucas 17: 3 – 10)

Lembre-se da parábola em Mateus 18: 23 – 35, o servo tem que ser misericordioso, pois foi livre de um juízo maior. Não da para entender entre a comunidade cristã, cristãos genuínos sem um coração disposto ao perdão e que exala o bom perfume de Cristo. O rancor, o ódio, a raiva, a ira não devem superabundar o amor cristão. Talvez o pior de todos ainda seja a indiferença perante a situação dos homens, como exemplo Lucas 10: 25 – 37 onde revela ações de indiferença e a ação de misericórdia. Observe o quadro:
· O homem foi roubado;
· Foi deixado ferido e semimorto;
· O sacerdote passou de lado;
· O levita passou de lado;
· Mas o samaritano passou de perto e o socorreu.

Muitas vezes as nossas práticas não acompanham o discurso do evangelho, é uma vida sem a profundidade da palavra. Passar de lado é a ação da indiferença, é lavar as mãos, é não ter nada a ver com o caso, é a omissão do bem. Agora o passar de perto é o envolvimento pessoal, é a prática do amor, é o socorro para com aquele que estava quase morto. História similar é a nossa, estamos mortos mas Cristo nos deu vida. Ele se envolveu em nossa história e mudou o nosso destino.

III. Bem-Aventurados os limpos de coração. (I Crônicas 29: 17)

Esta bem-aventurança tem uma relação com o estado de glória, este é o nosso estado no reino escatológico de nosso Deus. Seremos mantidos neste estado eternamente . Então a pureza ou limpeza do coração é algo que envolve moralidade e santidade, o nosso Deus prova o coração do homem.

Para ter um coração puro que Deus prova e aprova é necessário: Ter comunhão com Ele; Vigilância na obediência aos seus princípios e prática de vida integra. Tudo começa com Deus em nós, se mantemos comunhão com Ele teremos o seu aprovar. A vigilância é o policiamento diário de nossas ações e pensamentos. Devemos refletir o desejo que tenta nos dominar, a luz da palavra e de seus princípios absolutos. Coração puro e consciência pura são paralelas e um não anda sem o outro.

3.1. O que significa ser limpo de coração. (Jeremias 12:3)

O coração aqui mencionado não é simplesmente a questão muscular e sim o centro da vontade humana, de onde provem nossos desejos e vontades. Purificar e limpar o coração é apresentar intenções, práticas e pensamentos íntegros diante de Deus.

O profeta Jeremias sabia que Deus tudo conhece, tudo vê, e que prova o sentimento do coração. A abrangência desta mensagem é o inesgotável conhecimento que Deus tem a nosso respeito, e a consciência que devemos ter de que diante D’Ele e de seus olhos nada fica oculto. Há uma relação estreita entre coração puro e simplicidade, os cristãos devem ter ambos, a simplicidade que revela um coração grato e sem maldades.

3.2. A purificação do coração na vida prática. (Salmo 51:10)

Lembre-se que o coração puro foi dado por Deus juntamente com a vida cristã, sem esta vida somos fadados ao coração maldoso e pernicioso. Quando caminhamos em novidade de vida, as nossas práticas também são inovadas, exemplo:
· O desejo sexual perverso agora é, um desejo sexual correto;
· O pensamento impuro agora é, um pensamento puro;
· A religiosidade da razão e força humana, agora é, a religião verdadeira;
· Aquele que mentia, deixa de mentir;
· Aquele que prostituía, deixa de prostituir;
· Aquele que era glutão, agora é contido;
· Aquele que era covarde, agora é corajoso;
· Aquele que era corrupto, agora é honesto;
· Aquele que fazia intrigas, agora promove a amizade;

É esta transformação maravilhosa operada em nós pela ação do Espírito Santo, que nos concede a regeneração, que nos capacita a agir de modo tão distinto. Nosso coração quando conduzido pela nossa vontade, é a fonte de todos os males, mas quando conduzido por Deus é a fonte de novos desejos e hábitos.

3.3. A Pureza de coração e o relacionamento com Deus. (Deuteronômio 6: 5)

A expressão do genuíno coração que anela por Deus é a busca incessante, de coração, alma e força. Todo o ser em honra e glórias a Deus. Não há sentimento cristão quando o relacionamento para com Deus é fundamentado em troca, interesse, busca material e religiosidade. E sim quando sustentado pela entrega, pela dependência, pela busca, por um coração grato que foi renovado e transformado do seu estado pedregoso para um coração vivo. Deus se relaciona com os homens de boa vontade, porque a razão de sua boa vontade é a vida que procede D’Ele.

CONCLUSÃO.

Quando olhamos o que Jesus estava ensinando com os conceitos aqui apresentados somos convidados a rever nossas práticas diariamente, e submeter nossas ações a semelhança deste discurso. O anelo pela justiça, o convite a ser misericordioso e a ter um coração limpo revelará que realmente como discípulo de Cristo somos sal e luz.

Devemos refletir o sabor e a luminosidade que transforma vidas, o evangelho não é estático e monopolizado. Somos convidados a crer que quando testemunhamos sobre a ação de Deus e revelamos nossa dependência D’Ele, glorificamos o seu nome. Então mãos a obra, a boa abra, e não mais olhamos para nossa capacidade, mas, para a capacitação que Deus nos dá.

Glória ao seu nome!

quarta-feira, novembro 22, 2006

A DEPENDÊNCIA DE DEUS: UM ESTUDO NAS BEM-AVENTURANÇAS. (PARTE I)


Texto Base: Mateus 5: 1 - 12



Introdução

A bem-aventurança é o início do sermão do monte, sermão este que Cristo anuncia logo após a chamada dos discípulos. A sua conotação é lançar os fundamentos da vida cristã, é como se Cristo estivesse dizendo: Serás meu discípulo? Então ouça o que irá acontecer em e com você.

Quando se narra as bem-aventuranças Cristo está revelando-se como o prometido de Deus, o redentor do seu povo, o esperado pelo povo, o anunciado pelos profetas, isto é, o messias. Sendo então está mensagem em muito ligada ao texto de Isaías 61: 1 – 3, o messias marcaria um novo tempo onde o reino de Deus seria promulgado, os oprimidos pelo diabo seriam libertos, os envergonhados seriam exaltados, os que estavam em trevas verão a luz, os que estavam tristes serão alegres, os que choravam serão consolados e aqueles que estavam com vestes de tristezas (rasgadas) teriam vestes novas. Cristo traz um novo modelo de vida para as ovelhas do seu rebanho.

Esta mensagem não tem caráter triunfalista para o cumprimento total somente agora, existem aspectos que se cumpriram cabalmente no Escathon. O triunfo desta mensagem é a libertação daqueles que estavam cativos. Estes que foram alvos desta mensagem não foram salvos e libertos pelo seu próprio poder, observe que, estes são dependentes do que Deus operou e sem Ele nada somos e nada podemos fazer. Este é o aspecto do seu triunfo,

I. Bem-Aventurados os Pobres de Espírito.

A primeira bem-aventurança é marcada por muitas interpretações equivocadas, como exemplo quero citar aqueles que interpretam como sendo os pobres literalmente. Se fosse assim seria a exclusão daqueles que se encontram em abastança, e está abastança só poderia ser punido caso desenvolve-se a desigualdade e a opressão ao próximo. A palavra usada para pobres é: Ptochós (vocábulo grego) que pode ser entendida tanto por pobres como por humilde.

1.1. Quem são os Pobres.

O conceito de pobreza e humildade é entendido como pequenez, fraqueza, dependentes e contristados. “A regra de modéstia, de não escolher nas refeições o primeiro lugar mas o último (ver Provérbios 25:6ss), expressa para Jesus a necessidade da humildade para aquele que quer entrar no Reino de Deus (Lucas 14: 10). Deus dá o seu reino só àqueles que não se gabam de suas próprias ações, mas antes esperam tudo humildemente dele e sabem que eles mesmos são servos inúteis (Lucas 17: 7 – 10). Os que se justificam a si mesmos não podem encontrar a justificação, mas somente os que se humilham perante Deus com coração contrito (Lucas 18: 9 – 14).”[1]

Esta condição imposta por Cristo qualifica os pertencentes ao seu reino e os identifica em caráter. Ser pobre e humilde é ser dependente da graça e favor divino, aqueles que pensam herdar a vida por mérito próprio serão decepcionados e herdarão a morte, pois a vida é uma dádiva impagável ao homem e somente Cristo pode pagar no lugar de pecadores. Veja o comportamento que pode identificar na prática os humildes e pobres de espírito:
· Submissos;
· Desprendido;
· Dependentes e
· Servos.

Um exemplo da dependência é citado em Mateus 21: 31 e 32, dizendo que publicanos e meretrizes precederiam os religiosos no reino dos céus, pois estes haviam crido na mensagem enquanto os religiosos estiveram com o coração endurecido.Veja que Jesus usa duas classes de pessoas desmerecidas pelos homens mas, que abriam suas casas, vidas e corações para as boas novas do evangelho. A humildade está refletida em estar de ouvidos atentos e se sujeitarem a vontade do Pai, enquanto a pobreza esta ligada a miséria de coração, miséria espiritual que aguarda em Deus o seu consolo.

Outro exemplo é o de Lucas 18: 9 – 14, onde o comportamento do fariseu e do publicano são comparados:

Fariseu: Orava de si para si; Qualificava-se superior; Desprezava o próximo; Exaltava as suas obras;
Publicano: Orava ao longe; Portava-se reverentemente; Clamava o favor divino; Reconhecia sua pecaminosidade;

A intenção de Cristo era a de coloca-los em seu devido lugar, e esta parábola tinha o intuito de falar a cerca da confiança em si e o demérito para com o próximo. No fim do texto Cristo revela quem saiu daquele momento justificado, claro, o publicano, pois havia reconhecido a graça e clamado pelo favor de Deus.

Semelhante aos fariseus existe hoje um grupo de cristãos que se acham os donos do mundo, e o senhor até sobre Deus. No uso de palavras imperativas, ousam dar ordem a Deus, como se o colocando contra a parede. Ousam reivindicar direitos e clamarem por restituição. Semelhante ao publicano existe um grupo de pessoas que vem a Deus como Senhor Soberano e que mediante o seu favor e graça é que são justificados, se humilham diante da poderosa mão de Deus e só tem motivo de gratidão.

1.2. A relação pobreza e reino dos céus.

Os pobres e humildes herdarão o reino dos céus, está é a promessa. Mas a pergunta é: Qual a relação? Em primeiro lugar o reino dos céus é governado pelo Senhor da Glória; em segundo lugar a entrada neste reino está vinculada a conversão a Cristo; em terceiro lugar ninguém herdará o reino por sua própria paga e nem como recompensa da sua boa conduta. A relação é Dependente de Deus, reino de Deus; não há espaço para a glória humana e sim para a glória de Deus, porque tudo vem D’Ele e é para Ele.

Os pobres humilham-se para que Cristo seja exaltado e diminuem para que Cristo apareça, a sua vida é Cristocentrica, não existindo espaço para o egoísmo. Os humildes reconhecem a glória de Deus, o exaltam como Senhor e tem prazer em servi-lo. Os valores do reino penetram seu coração e a ansiedade da vida da lugar a paz que vem do alto (Mateus 6: 25 – 34). Há uma certeza inabalável da providência de Deus para a vida Diária, o seu coração não esta no acumulo de bens.

1.3. Sendo alvo da graça de Deus.

Estes que são desprovidos de mérito próprio foram envolvidos pela graça perdoadora e salvadora revelada em Cristo. Os seus pecados foram removidos porque através da morte do justo, estes que eram injustos e tinham como destinos à morte e as trevas (Efésios 2: 1 – 10) agora são parte do reino. A obra que os salva é a de Cristo e foi consumada na Cruz.

Lembre-se que uma definição básica de graça é: favor imeresível. Está dádiva de Deus só pode ser recebida e não adquirida pelo homem[2]. Observe alguns exemplos onde podemos ver a graça de Deus em nossas vidas:
· Certeza da vida eterna;
· Perdão dos pecados;
· Santidade e
· Justificação.

Deus nos concedeu tudo isto no amado. Se formos encontrados em Cristo, sendo ovelhas do seu pastoreio temos a vida e a segurança da vida eterna. N’Ele está consumado todo o plano de Deus para a nossa redenção.

II. Bem-Aventurados os que Choram.

No texto bíblico a expressão chorar é literal, aqueles que choram ou que estão inconsoláveis podem expressar este sentimento em ações de descontentamento ou puro desespero. Uma expressão que pode trazer para perto a realidade deste choro é: “clamor em prantos”. O clamor pode ser uma invocação por socorro de modo desesperado, expressando a angustia e a necessidade real da intervenção divina. Ninguém clama para algo real em total quietude, a inquietude é a marca do clamor, podendo ser expresso na alma ou em atitudes externas.

O povo de Deus tinha um motivo para chorar, chorar pela depravação de uma geração religiosa corrupta, chorar pelos filhos que andavam atrás de falsos mestres, chorar pela calamidade social (alguns grupos viviam a exclusão da sociedade, exemplo: Coxos, cegos, leprosos, os oprimidos e etc.) Este choro seria inconsolável caso Deus não intervise na realidade humana, o homem não pode consolar a si mesmo pois ele não possui o refrigério para a alma. Alguns homens e mulheres do nosso tempo podem estar aguardando o consolo de situações como:
· Um filho desviado;
· Um marido agressor;
· Uma família oprimida;
· Uma doença incurável;
· Sentimentos destruídos;
Estes sabem que não podem consolar a si mesmo, se desviam os seus olhos do problema, somente omitem a realidade, se empenham força em resolve-lo, percebem que vai alem de suas forças. Mas, o consolo não vem para aquele que espera no homem, ou no acaso e sim para aqueles que esperam no Senhor e conhecem o poder do seu redentor.

2.1. Qual o sentido do termo chorar[3]?

O sentido é: “Lamentar, prantear (...) entristecer-se com uma profunda tristeza que toma conta de todo ser de tal maneira que não pode ser oculta.”[4] Um exemplo desta tristeza encontra-se em 2Samuel 1: 1 – 16, onde Davi chora pela morte de Saul e Jônatas. O choro de Ana em 1 Samuel 1: 4 – 13, Deus havia fechado a sua madre e ela clamava do seu intimo (na sua alma) e desejava o consolo que só podia vir do Senhor.

Às vezes choramos como Davi, por algo que se perdeu, ele tinha perdido um amigo e o rei a quem tanto estimava e havia poupado a vida. O seu choro veio acompanhado do rasgar as vestes e do jejum, Davi estava condoído pelo povo de Israel pois estes tinham perecido diante dos filisteus. Homens íntegros e de caráter apurado não desejam o mal ao próximo, o seu comportamento é de chorar com os que choram e de alegrar-se na chegada do consolo.

Uma certeza que devemos ter é que o choro pode durar algum tempo, mas, o socorro do alto nos da a paz, trazendo de volta a quietude. Em meio ao choro, em quem confiamos? O Salmo 20 diz que alguns confiam nos homens e na força bélica que o cerca, mas os que nasceram de Deus esperam N’Ele.

2.2. A relação choro e consolo. (Isaías 49:13 e 52: 9 – 10)

A relação choro e consolo possui um intermediário, aquele que é o prometido das nações, que venceu a morte e triunfou sobre principados e potestades. Isaías fala que este é o grande motivo do nosso consolo, pois Deus enviou o seu ungido e Ele com seu braço forte livrou o seu povo. O convite é: Romper em cânticos. Deus removeu a tristeza e o choro trocando pela alegria da sua salvação. Deus compadece dos chorosos e a sua aflição terá fim, pois o prometido é a fonte da liberdade, N’Ele há brados de vitória.

Observe a relação que o profeta faz de: Consolo, compadecer, remissão e salvação. Tudo que Isaías fala esta ligada à pessoa do nosso Redentor, primeiro Ele é o nosso consolo[5], segundo Ele se compadece de nós[6], terceiro nos remiu[7] e quarto Ele é a nossa salvação[8]. Não importa o que tudo e todos digam, eu sou propriedade do Deus eterno, faço parte do povo santo e de uma nação escolhida.

III. Bem-Aventurados os Mansos.

A mansidão é característica imprescindível a aquele que nasceu do Espírito, sem ela não há temperança, não há longanimidade e nem domínio próprio. Ter uma vida santificada é por em prática os valores do reino de Deus. Apesar de muitos crentes conhecerem estes valores, agem como se desconhecessem.

Lembre-se que o Cristão é identificado pelo Espírito como pertencente ao reino de Deus e isto é concedido em seu Selo[9]. Você já se imaginou pertencente a alguém e ao mesmo tempo tendo um comportamento que desagrada ao seu Senhor? É isto que acontece quando ao invés de colocarmos em prática obras de mansidão, damos vazão a ira. Ser guiado pelo Espírito e abandonar a prática carnal não é um convite e sim uma ordem.

3.1. Qual o sentido do termo manso?

A mansidão tem o significado de: meigo, humilde, sem malícia e não vingador. Isto implica em uma vida com posturas bem distintas a vista no mundo. O manso não é um corrupto que justifica seu erro dizendo: Todos roubam! Não difama o próximo para ganhar uma função dentro da empresa. Não responde ofensivamente aquele que pode ter lhe agredido e nem alimenta pensamentos de mal contra outro. Ao contrário, ele é doce em suas palavras e atitudes, mostra-se seguro, mas, não intransigente, revela-se perdoador e compassivo.

“Jesus extraiu do Salmo 37:11 essa bem-aventurança. Ali, ela aponta mais na direção de uma atitude para com Deus do que de uma disposição para com o próximo. É fácil compreender erroneamente a mansidão. Algumas pessoas acham que ela descreve o homem que não possui convicções firmes, que não toma posição em favor de nenhuma causa (...) Talvez o homem secular considere que o manso não tem personalidade, vendo-o como um covarde, mas, segundo a Bíblia, isso não é ser manso. Ser manso não significa ser fraco, tímido ou medroso.”[10] Alguns confundem mansidão e covardia, sendo que elas são antagônicas.

Ser manso é ter uma postura cristã diante dos problemas da vida[11]. É não olhar para as coisas como se fossem pessoas e para as pessoas como se fossem coisas. Tudo o Cristo fez foi atitude de mansidão, o seu comportamento nunca deixou de ser exemplar, o modelo superior.

3.2. A relação mansidão e herdar a terra.

Homens íntegros reinarão com Cristo. O reinado de Cristo será um reinado de um novo comportamento sobre a face da terra (Isaías 65: 17 – 25), não haverá opressão, nem roubo, nem tristeza, nem balança infiel, o justo juiz reinará. Haverá paz no reino da criação e todos os que estiverem em Cristo reinarão com Ele. O reino do Senhor não tem fundamento em comida e bebida, mas na paz e alegria do Espírito. Todos serão mansos e o governo é comunitário.

O reino do Senhor já foi estabelecido sobre a terra com a vinda de seu filho, todos os que o segue pertence a este reino. Este reino não deve ser confundido com:
A Igreja[12];
Nem com pessoas de aparente espiritualidade;
Nem riquezas temporais.
Este reino é um reino no agora em que os salvos em Cristo participam da glória de Deus de forma testemunhal e propagam o evangelho transformador.

CONCLUSÃO.

A dependência de Deus é uma vida onde o centro é Ele, tudo o que se faz é voltado para o padrão das escrituras. Somos bem-aventurados porque temos o privilégio de pertencer, não somente a comunidade dos crentes, mas ao próprio Deus. Os independentes viverão para a sua própria ruína, são os chamados perversos.

Quando em nossa vida experimentamos o governo de Deus podemos testemunhar o quão maravilhoso é andar em seus caminhos, a tal modo que começamos a prantear diante do Senhor para que outros conheçam e vivam deste mesmo modo. Se até hoje a sua vida tem sido governada ao seu bel prazer, tenha a ousadia de entrega-la a Deus.

O justo viverá por fé!
[1] BAUER, Johannes B. Dicionário de Teologia Bíblica. p.482
[2] É uma ação monergista (de Deus para conosco) e não cinergista (eu cooperando com Deus).
[3] Os que choram seguem o exemplo do mestre pois Jesus chorou e lamentou a incredulidade do povo, o endurecer de seus corações pela mensagem do evangelho. O choro do cristão será extinguido na volta do messias.
[4] RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon. Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. p.9
[5] Esta obra de Cristo em nós nos capacita a reconhecer o seu grandioso poder, como aquele que levou o fardo e pagou o preço (expiação definitiva).
[6] Cristo tomou o nosso lugar e morreu a nossa morte. O seu amor veio através da sua ação encarnadora.
[7] Ele nos remiu, tirou de sobre nós a culpa pelo pecado e a conseqüente condenação que viria com ele.
[8] Somente o seu sangue derramado na cruz pagou o preço de nosso resgate, satisfazendo a vontade do Pai. Erramos condenados pela desobediência à lei de Deus, mas, Ele cumpriu toda a lei. A nossa salvação esta consumada.
[9] Diferente da Santificação que possui um caráter instantâneo e progressivo, o selo é um ato instantâneo e concedido na salvação.
[10] SHEDD, Russell P. A Felicidade Segundo Jesus. p.45
[11] “Os primeiros cristãos foram acusados dos crimes mais horrendos, tais como infanticídio e ateísmo. Escarnecedores espalhavam boatos de que os cristãos, durante suas reuniões fechadas, devoravam seus próprios filhos. Afinal de contas, diziam na ceia do Senhor: “Este é o meu corpo... tomai e comei”. Mas a mansidão dos santos desmentia tais tentativas de arruinar a sua reputação. Não era segredo que sustentavam viúvas e órfãos.” SHEDD, Russell P. A Felicidade Segundo Jesus. p.52
[12] A Igreja é a comunidade que se reúne em nome de Cristo, mas, dentro dela há conversos e não conversos. O que será salvo é a igreja verdadeira, vista pelos olhos do Senhor.


quarta-feira, novembro 15, 2006

A VIDA EM TEMPO DIFÍCEIS.


Texto Base: 2 Reis 25:8 – 22; Salmo 137.

Introdução

Durante algum tempo da teologia do século XX ficou propagado em algumas igrejas o triunfalismo para o agora, quer dizer, se você é cristão e está em sofrimento ou está em pecado ou necessita confessar positivamente que o problema não existe. Graças ao nosso bom Deus este movimento teve vida curta, as escrituras revelam que há sofrimento neste mundo, e que devemos o aguardar como uma etapa do viver.

Viver em tempos de dificuldades é promover o fortalecimento da fé, é mostrar na prática que a fé é inabalável. O Cristão pode sofrer neste tempo por alguns motivos que lhe passam pela vida diária, exemplo:
· Na bonança alguns descuidam de sua vida cristã (na vida prática deixam de orar, de congregar e quando o sofrimento vem ele tem finalidade terapêutica, despertando-o a revitalização espiritual);
· Podem vir motivados pela ira de Deus contra o pecado (no caso dos cativeiros contra Israel, Deus estava indignado pois o povo não mais escutava os seus profetas e não voltavam aos caminhos aplainados e pelo contrário, caminhavam na adoração dos Deuses das outras nações, então o Senhor lhes envia uma tormenta e os seus olhos são abertos nas dificuldades e eles se inclinam a buscar Yaweh);
· Os tempos difíceis também provam a nossa integridade (no caso de Jó que pode ser tido como exemplo, pois o seu sofrimento revelaria a glória de Deus e mostraria a sua confiança no seu redentor. Outros exemplos são os homens de Deus que provaram o tempo do cativeiro sofrendo juntamente com o povo e revelavam ser atalaias ou proclamadores do chamado de Deus).

Somente conseguimos passar este tempo porque Deus nos prove a sua graça e nos conforta em meio às tribulações. Ele nos alcança com seu amor, nos envolve nos seus braços e nos acolhe em suas assas. O Cristão tem lugar seguro, e se mesmo em tempestade ou no vale da sombra da morte, Deus ali está.

I. A Dor. (Isaías 53: 4 – 11)

Este sentimento geralmente é fruto de uma ação contrária aos nossos desejos, sonhos e vontades. A dor pode ser provocada, como no caso de Israel por causa da destruição das casas e do templo. Em nossas vidas temos dores que revelam conflitos reais que passamos no dia-a-dia, como:
· Traição (do colega de trabalho e da família);
· Perda (dos filhos, dos parentes e de amigos);
Nestes momentos nos sentimos destruídos, parece que o chão não existe e que estamos em constante queda. A traição de pessoas próximas nos fere a ponto de em alguns casos provocarem a depressão. A perda pela morte de filhos, parentes e de amigos chegados parece ser uma dor sem fim, e que o consolo nunca virá.

Você já se sentiu assim? Qualquer coisa parecida com o derrotismo? Alem de um sentimento avassalador, devemos lembrar que Deus cura as nossas dores, Ele é o conforto nas dificuldades. Lembre-se de Davi, com o mesmo sentimento de Dor e ele confessou isto a Deus e o Soberano providenciou o balsamo curador, Davi experimentou o refrigério da alma. Porque é lá que a dor nos atinge, é lá que a ferida parece incurável.

A pergunta então poderia ser: Qual a providência de Deus para a dor de seus filhos:
Primeiro: A presença consoladora[1];
Segundo: A presença fortalecedora;
Terceiro: A presença transformadora;
Quarto: A presença preservadora;
Podemos ter uma certeza inquestionável e imutável o nosso Deus não nos abandona e nem nos abandonará. Os seus filhos são por Ele revigorados e quando todos pensam que é o fim, então Deus revela que é simplesmente o começo.

1.1. A dor da destruição (Salmo 40:2)

Esta vivência pode ser vista nas escrituras relacionado a Jó, um homem que tinha família, bens e tudo lhe foi tirado. Sua casa destruída, seus bens levados e a sua saúde e aparência não era nada agradável. A destruição lhe doeu, mas Jó possuía uma fé inabalável, ele sabia que o seu redentor era vivo e operante e que o sofrimento poderia durar algum tempo, mas, isto não destruía a fidelidade de seu Deus.

Experimentar isto na vida prática não é facial. Quando somos colocados diante de um cenário de caos, e principalmente quando isto é conosco, sentimos então o cheiro da morte. Alguns cenários de destruição:
· Filho nas drogas;
· Falência financeira;
· Alvo da maledicência;
· Separação;
· Morte de filho e mulher;

A destruição moral afeta aquilo que construímos durante toda a vida: a reputação. Aquilo que aprendemos e valorizamos como uma ética intocável, fruto da integridade de vida. Geralmente a destruição moral vem através de outro, que usando de má fé levanta injurias e a trata de espalhar no seu circulo social, e derrepente você nota que todos lhe olham de forma diferente, aqueles que dantes confiavam agora ficam com o pé atrás, outro que lhe procurava constantemente não deseja mais a sua presença. Duro não? Mas é assim mesmo, quando nas injurias os “amigos nos deixam” e alguns que restam são escarnecedores ou vivem como urubus, esperando a sua derrocada. E ai você literalmente pode dizer que é abençoado, pois está em identificação com Cristo, isto fizeram com Ele e Ele nos alertou que seria feito conosco.

Existe alguns princípios que não devemos esquecer; primeiro é que Deus conhece a nossa estrutura e sabe até onde suportamos, segundo ele não deixará impune o pecado da injuria, terceiro Ele nos levantará do pó porque o nosso redentor vive, e a sua fidelidade dura para sempre.

1.2. A dor da Opressão (Êxodo 3:9; Lucas 3:18)

A opressão pode ser causada pelo fim da paz, enquanto o povo de Israel permanecia nos retos caminhos do Senhor eles gozavam de paz inesgotável e de livramentos miraculosos. Quando eles se desviavam da lei, e iam após os deuses das nações a paz lhes era tirada, havia um chamado de Deus para voltarem aos caminhos antigos. A opressão com o seu julgo só lhes servia de fardo, mas em um determinado tempo da história da redenção, Deus envia o seu filho para livrar o seu povo da opressão maligna. Algumas dicas para você identificar casos de opressão:

· Deixou de congregar;
· Isolou-se dos pais;
· Transformou o seu comportamento;
· Abalou-se por uma má notícia;
· Só deseja a morte como forma de escape;
· Alimenta a desesperança;
· Não encontra força para buscar ao Senhor;

Neste assunto é importante observar que alguns cristãos se colocam sobre o julgo da opressão, sabendo que não deve fazer algo, faz. É importante entender que Cristo já levou sobre si as amarras da escravidão e temos com Ele uma aliança eterna, inquebrável. Deus nos tirou do reino da opressão e agora somos acolhidos por Ele, no dia mal temos um refugio.

As escrituras dizem que se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. Se estamos em Cristo o inimigo não tem domínio sobre nós. Podemos até passar a opressão circunstancial mas não eterna (Salmo 124; Habacuque 3: 17 - 19). A situação citada nos dois casos é de caos, mas existe uma paz e um horizonte que a visão humana não entende e que a sabedoria do mundo não explica, o livramento que vem do alto, como graça divina.

1.3. A dor da correção (Provérbios 3:11; Jeremias 7:28)

Outro caso de pesar, é a correção de Deus. Quando Ele nos disciplina é para o nosso bem, para a vida e não para a morte. Observe o povo de Israel, foram disciplinados por Deus por causa de sua má conduta, o resultado da disciplina era a restauração do culto e da moralidade que Deus tinha orientado. Mas é obvio que a disciplina é dolorida, observe o que aconteceu:
· Tiveram suas casas destruídas;
· Suas lavouras arrasadas;
· Suas famílias separadas;
· Alguns de seus filhos mortos;
· Foram levados cativos[2];
· O templo foi destruído;

A disciplina cristã é algo belo, pois é seguido da restauração. Deus cuida de nós para que possamos nos reerguer, fortalecidos na força do seu poder, não do nosso, mas, do D’Ele. Ele nos disciplina quando não cumprimos as suas ordens, nos disciplina quando provocamos o mal a outro, nos disciplina com a resposta não, há algumas de nossas orações e nos disciplina na nossa auto-disciplina. Sabe porque Deus nos concede no Espírito qualidades como: mansidão, domínio próprio e longanimidade? Para que possamos ser maleáveis, abdicando dos prazeres da carne e fortalecendo-se na vida cristã. Valorize momentos de disciplinas e aprenda com os erros. Cultive:
· Um coração desprendido;
· Uma relação sincera onde o não também faz parte;
· Uma vida de leitura bíblica;
· A oração seguindo o modelo de Cristo;

Sabe porque Deus nos disciplina agora? Para nos aperfeiçoar a fim de alcançar a estatura de varão perfeito. Os ímpios terão a sua disciplina e a paga pelas suas transgressões em forma de um julgamento com condenação eterna. Os justos, que são justificados pelo Senhor e que D’Ele herdaram a vida, são disciplinados agora e mudarão o seu comportamento agora. Pois para estes não há julgamento para a condenação e sim o gozo eterno.

II. Destruição do Animo

O distúrbio psíquico da falta de animo pode ter resultados destruidores em curto tempo. Positivamente ele pode tirar de nós a confiança na força pessoal[3] e nos conduzir a confiança em Deus. Negativamente ele nos leva ao desprezo pela vida e o desejo de desistir de tudo.

Quando o nosso animo está na força física, mental e espiritual que nós mesmos produzimos, tenho certeza que Deus nos conduz ao estado de desanimo para nos reconduzir ao bom senso do caminhar com Cristo. Quando nosso animo está em Cristo ele não pode ser tirado, pode haver desapontamentos com aquilo que eu desejava e não se realizou e que pode nem se realizar. O animo daquele que está em Cristo pode sofrer abalo por causa de nossos sentimentos e não porque Ele nos abandonou. Exemplo: Desanimo por causa;
· De um filho que entrou nas drogas;
· De uma petição não atendida;
· De uma repreensão;
· De uma busca errada;

Deus é aquele que revigora o animo. Que nos faz entender o seu propósito, por mais que não entendamos o seu modo de agir, as vezes pensamos: “Se eu fosse Deus, não deixaria isto acontecer...”; lembre-se que a vontade D’Ele é: Boa[4], Perfeita[5] e Agradável[6], mas, a maneira de Deus qualificar suas ações não é o padrão do que eu acho ser sobre isto, e nem de se esquivar das situações. Podemos dizer que Ele nos concede o bom animo, o animo N’Ele, o animo na força D’Ele e a esperança de que o aparente sofrimento está com os seus dias contados.

2.1. Não há esperança

Humanamente dizemos esta palavra aos quadros irreversíveis, como: estado vegetativo, morte cerebral, doenças degenerativas e outros quadros clínicos que julgamos complicados, ou sem solução médica. Este veredicto humano tem as suas bases no conhecimento humano e tem a sua razão de ser. Lembro-me de um texto biblico em Ezequiel 37: 1 – 14; está visão do profeta diz respeito a existência dos ossos secos, e quando questionado por Deus se aquele quadro poderia ser reversível o profeta responde: “Senhor Deus, tu o sabes” e o cenário foi revertido.

Quando todos dizem que não há esperança, onde os sentimentos pessoais apontam para o mesmo caminho e a força se exauriu, então Deus mostra que o quadro humano pode ser revertido. Sabe àquela hora onde você não conta com mais ninguém? Quando até os “irmãos de fé” lhe abandonam? E você escuta um silencioso: “Não há esperança”; ou o singelo tapinha nas costas acompanhado de um “brado de silencio”. Realmente as pessoas não têm o que dizer, alguns sentam-se para ver o seu fim e outros vão embora dizendo em seus corações: “é pecado”. Neste momento como em todos os outros Deus está em providência ao seu amado, Ele o levanta triunfalmente e mostra em nossa fraqueza o seu poder.

Deus é um Deus de Esperança. Lembre-se de quadros como: Abraão e Sara, Deus reverteu o quadro de infertilidade e para mostrar a glória ainda maior, fez com que este filho viesse na velhice. José filho de Jacó, foi vendido por seus irmãos, experimentou a escravidão, a calúnia, mas Deus o colocou como providência na época de vacas magras, sendo ele sábio na administração do Egito e se tornando grande. Deus não somente contempla a nossa história de vida, Ele nos conduz aos seus caminhos e restaura a esperança.

2.2. Depressão

Depressão é um quadro clínico que pode ser identificado na seguinte observação: vida isolada; ausência de vontade e em alguns casos o desejo de morte. Lembre-se que a depressão é resultado da forma que lidamos com os problemas da vida. O Depressivo ama: que alguém tome a iniciativa por ele, fugir de qualquer responsabilidade (e durante o quadro é até bom que isto aconteça, pois pode conduzi-lo ao agravamento do caso).

Não queremos omitir o direito que um depressivo tem, de tratar-se psicologicamente e nem ignoramos o beneficio deste tratamento. Mas, não devemos omitir que a postura pessoal ajudará em muito a se antecipar e reagir a tempo. Para detectar o inicio do quadro depressivo observe:
· Esta se isolando do convívio social?
· Tenta fugir das decisões inevitáveis da vida?
· Tranca-se no quarto e dorme durante bom tempo do dia?

Lembre-se que a depressão é um dos males deste século, alguns cristãos têm feito uso indiscriminável de antidepressivos, e isto é uma fulga. Antecipar problemas, pensar demasiadamente sobre o que virá parece que o remédio para este quadro está no sermão do monte (Mateus 6: 25 – 34), não andar ansioso. Pratique ou alimente:
Tenha vontade de viver;
Lute, batalhe não desista;
Tome as rédeas nas mãos, tome decisões;
Não tenha medo de errar (isto irá trazer maturidade);
Não tenha medo de confessar os seus temores diante de Deus, mas, vá em frente;


2.3. Baixa- Estima

Geralmente causada pela imagem que temos de nós mesmo, ou alimentado pelo julgamento que alguns fazem de nós. Crianças que escutem: “você é um burro, você é feio, é fracassado, é desobediente, nunca será ninguém na vida, é um pobre coitado”. Tendem a ser um adulto que projete esta imagem sobre si, acreditando naquilo que escutou durante boa parte da vida. Observe alguns detalhes sobre o que as pessoas pensam de si:
· “Eu não consigo”;
· “Tenho medo”;
· “Sou feio”;
· “Ninguém me ama”;

Possivelmente ao lerem os tópicos acima algumas gargalhadas foram ouvidas na sala, ou aquele sorriso de canto de boca. Não é tão engraçado assim, isto é um problema sério para muitas pessoas. Elas se vêem como no relato dos espias que foram analisar a terra (Números 13: 25 – 33) dizendo: “éramos como gafanhotos”, o povo é forte e nós fracos, eles gigantes e nós pequenos.

Para mudar este conceito que temos de nós mesmo, não é simplesmente valorizar o homem, é sim apontar o caminho do equilíbrio. Devemos nos ver como Deus nos ve, como ele revela que somos. Possivelmente a uma grande diferença da baixa-estima para a visão que Deus tem de nós. Ele nos deixa palavras de orientação para que possamos nos ver como Ele deseja:
Você consegue;
Não tenha medo;
Você é belo;
Eu te amo;

E isto não é confissão positiva, são promessas bíblicas. Do que estamos alimentando o nosso coração? Da palavra de Deus? Então estaremos entrando em equilíbrio. Necessitamos ter a Imagem de Deus e isto Ele nos concede no amado. Você acha que Cristo é um pobre coitado? Se você está N’Ele também não o é. Você acha que Cristo é um derrotado? Se você está N’Ele você também é um vencedor.

III. Quando Tudo Parece estar Perdido (I Reis 17: 8 – 24)

Existe uma grande distinção entre tudo estar perdido e tudo parece estar perdido, a distinção é na percepção. Homens e mulheres conseguem estar atentos a sua percepção e caminham segundo ela, mas na rota da vida cristã sempre que o fim esta próximo em nossa percepção, ele é somente um começo na ótica de Deus. Com certeza se observássemos durante um tempo nossas percepções percebemos que elas nos enganam: para exemplificar; as vezes entra em nossas igrejas ou em nosso relacionamento uma pessoa que nos parece simples, humilde e fazemos de tudo para ajuda-lás. Passa-se algum tempo e vemos que alimentamos uma falsa impressão: a humildade tão era tanta, a simplicidade agora é substituída pela sagacidade.

No texto de I Reis o profeta Elias é enviado por Deus a casa da viúva, uma situação irreversível parecia estar naquele lar. O filho da viúva morreu! A diferença é que o homem de Deus tinha a resposta para aquela aparente tragédia. Elias pega aquele menino e lhe devolve a vida. Não existe situação de aparente tragédia que Deus não possa reverter. Na nossa vida podemos viver momentos de aparente tragédia, mas Deus deve achar em nós a mesma resposta que Jó deu: “... o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!”[7]; e a mesma expressão de Oséias: “... porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará.”[8] Só existe um bálsamo curador nas tragédias da vida e este, vem do Senhor. (Salmo 27)

3.1. Há uma esperança

Algumas perguntas devem ser feitas aqui e respondidas sinceramente: Onde temos colocado a nossa esperança? Esperamos pelo Senhor ou pela carne? A esperança nossa é do alto, para onde foi o nosso Cristo e de onde voltará triunfantemente. Os nossos olhos devem ser colocados no alto, o alicerce cristão já foi lançado e sobre este alicerce fomos firmados.

Chegará um tempo em que nossas lágrimas serão limpas e findarão, a tristeza dará lugar a alegria, o choro ao jubilo, porque o Senhor mudou a nossa sorte. E esta esperança não será frustrada. Também vemos reflexo desta esperança no tempo presente, quando Deus muda a nossa sorte no agora, neste tempo. Exemplo:
Aquele que estava enfermo é curado;
O incrédulo se torna crédulo;
Ao coxo é dado novamente o andar;
O cego vê;
Os pais que estavam a se separar são revitalizados;
Os filhos que estavam nas drogas são libertos;
Aquele que era respondão agora é obediente;
Aquele que era independente agora é dependente;

Está esperança é a esperança do reino, do Reino de Deus. Deus começou a boa obra em nós e a cumprirá, nosso caráter reflete a Ética do Reino o nosso viver com o de Cristo. Aquele que espera na carne o seu triunfo, este perecerá, mas, aquele que espera no alto, verá o fruto da sua expectativa.

3.2. Há a providência de Deus

No livro de Daniel existem lindas histórias da providência divina. Quando Daniel acusado por alguns líderes de não se submeter a ordem religiosa do rei é jogado na cova, os leões não o devora. A presença de Deus com o seu servo fez com que animais ferozes e famintos não tocassem nele, mas, quando seus inimigos são jogados a cova, todos eles são destroçados (Daniel 6).

Outra bela história é a de três jovens: Hananias (Sadraque), Misael (Mesaque) e Azarias (Abede-Nego), estes jovens resistem se dobrarem a estatua do rei Nabucodonosor e este enfurecido os lança na fornalha. Mas, para surpresa geral aqueles homens que tinha sido jogados presos agora passeiam pela fornalha, e ao invés de três existe um quarto[9] homem. O rei manda tira-los e eles estão intactos (Daniel 3). Sabe porque isto aconteceu? Porque Deus proveu o milagre.

Deus honrou os seus servos com a sua graça providenciadora. Podemos até passar por momentos complicados, mas a diferença que há é que Ele sempre está conosco. Homens irredutíveis e de Fé inabalável, comprometido com Deus terão o seu cuidado mesmo em tempos cruéis. [Lembre-se providência não significa livramento, exemplo: João Batista teve a cabeça cortada, Paulo foi preso diversas vezes e provavelmente morreu decapitado, Pedro foi perseguido pelo evangelho e provavelmente morreu crucificado de cabeça para baixo].

CONCLUSÃO.

Ao tratarmos sobre tempos difíceis vemos que na cristandade em geral, há somente um sentimento: “eu preciso me livrar deste fardo”. Mas, Deus não age assim no decorrer da história, Ele pode mudar uma situação, Ele pode reverter um quadro, mas, Deus deseja que mudemos nossa relação com os problemas. Em vez da murmuria, a gratidão; no lugar da inquietude a paz e assim por diante.

Lembre-se Deus esta no comendo!
[1] Existe um ramo da teologia atual que diz: Deus não pode fazer nada mais do que nos consolar, isto é mentira, a teologia relacional não tem base bíblica para tal afirmativa. Que Deus nos consola isto é verdade, mas a sua ação não pode ser impedida pois Ele pode ir além e reverter um quadro inreversível.
[2] Alguns comentaristas sobre a tradição babilônica dizem que o modo de conduzir ao cativeiro era doloroso, pois, quando alguém enfraquecia , era colocado como estandarte, fixado em um estaca que perfurava o corpo do anus até a garganta.
[3] Aquele sentimento que o homem é a medida de todas as coisas, ou é por ele que tudo é conduzido.
[4] As vezes confundimos a qualidade Boa atribuída a vontade de Deus, a um Deus que me dá tudo o que eu peço, pois Ele é bonzinho. Não é assim, Ele qualifica como bom, ou boa aquilo que produz em nós a construção do modelo, que é Cristo. E Cristo reconheceu a boa vontade do Pai: Faça a sua vontade.
[5] A sua vontade perfeita é que nosso Deus não falha em seus propósitos, tudo aquilo que Ele decretou cumprirá. Não há falhas na vontade de Deus. Ele não precisa de conselheiros que lhe guiem a vontade.
[6]Agradável é outra qualidade de sua vontade. A vontade de Deus é temperada, agrada ao mais sublime ato de santidade, não fere aos seus princípios.
[7] Jó 1:21
[8] Oséias 6: 1
[9] Uma provável teofania.

terça-feira, novembro 07, 2006

A Vida Familiar do Discípulo (Parte III)


Texto Base: Provérbios 31: 10 - 31
Introdução

Seguindo o modelo familiar que está sendo abordado há duas semanas, modelo baseado na aliança, iremos tratar de assuntos que falam direto a prática familiar. A questão da ausência paterna nunca tem sido tão grande como nestes dias, em busca de emprego e de uma remuneração maior, pais se omitem de sua função educadora deixando por conta dos avós e das babás a responsabilidade, se tornando pais de fins de semana.

No debate atual sobre a educação de filhos na adolescência tem havido grande harmonia no que tange a rebeldia deste período e sobre a forma de conduzi-la. Na igreja cristã é comum a dificuldade de pais e filhos na convivência durante tal fase, para isto estaremos dando alguns passos que podem auxiliar na maturidade do relacionamento.

Outro assunto de vital importância é a relação conjugal na idade senil, o idoso tem o direito e o dever de viver a inteireza do relacionamento, ainda a tempo de se corrigir algumas dificuldades e de ajustar a relação para aproveitarem juntos o que Deus lhe concedeu.

I. Pais Ausentes (Salmo 127: 1 – 2)

Na luta pelo sustento familiar e na competição do mundo moderno alguns casais optam por ter uma vida produtiva que lhes ofereça algum conforto. O problema é que além de terem pouco tempo para a relação conjugal, ambos optam pela gravidez mas não mudam o comportamento, tendo seus, os filhos cuidado por outros. É necessário que ambos conversem para resolver este problema da ausência, antes da gestação ou que discutam isto neste ponto de suas vidas. Os filhos criados por terceiros, podem gerar nos pais um sentimento de culpa e nos filhos um sentimento de rebeldia e abandono.

Alguns pais se isolam de seus filhos, e da responsabilidade de criação, omitindo: a atenção que ele tem direito; o amor desenvolvido nas brincadeiras e nas disciplinas; o diálogo; a responsabilidade sacerdotal diante da casa; deixando para o outro qualquer responsabilidade que lhe coloque em contato com o filho. Isto é péssimo e necessita de mudança já, observe algumas dicas para a mudança:
· Procure comer a mesa e faça deste ambiente e momento algo prazeroso (aqui não é o momento da disciplina e da bronca, ou de assuntos desagradáveis);
· Se envolva nas brincadeiras, por mais que o cansaço do dia de trabalho o fadigue;
· Esteja aberto ao diálogo e demonstre segurança, despertando a confiança (o que foi falado entre os dois deve ser respeitado);
· Demonstre preocupação espiritual (lhe explique, o oriente, os filhos necessitam entender a mensagem de Deus) você é o sacerdote do lar, ministre sobre os filhos, leve-os a responsabilidade com Deus e lhe de exemplo de conduta espiritual;
· Tome as rédeas do lar, Deus lhe deu autoridade sobre a família (isto não é ser um carrasco e sim um sentinela);

1.1. Por Motivo de Trabalho (I Timóteo 5:8 – Mateus 6: 25 - 34)

A vida produtiva moderna levou a competição no mercado do trabalho entre homens e mulheres, ambos deixando extravasar o seu lado profissional. Na ética familiar o cuidado com os filhos limitou-se a provisão financeira, é comum se expressarem da seguinte forma: “Eu sou um bom pai, eu coloco pão sobre a mesa”. Lembre-se que os filhos não se alimentam somente de pão, o trabalho realmente é importante, mas a pergunta é: O que é mais importante no momento? A que devo gastar mais tempo?

Com pais que trabalham tanto, outra postura errada tem sido tomada na qualidade do tempo em família, além de pouco tempo com os filhos acabam se ausentando mesmo estando em casa, a qualidade do tempo vivido é direcionado ao repouso e novamente os filhos ficam a ver navios. Deus deixou a ordem de multiplicar e encher a terra , mas, também orientou ou ordenou o cuidado com os filhos. Mude o hábito familiar para não perder o seu filho para satanás e o mundo.

Tente colocar em prática:
Trate a minha família com maior importância do que o acumulo de bens;
Dê aos filhos o tempo necessário;
Trabalhe no período em que ele desenvolve a atividade escolar;
Caso você for o sustentador da casa, aproveite o máximo o tempo que ficar em casa. Qualidade de tempo é importante.
Se tiver que fazer a opção entre trabalho e tempo com os filhos, opte pelos filhos e Deus honrará a sua postura;

1.2. Por Isolamento Temperamental (Provérbios 13: 12 – 16)

Esta conduta isolacionista pode haver tanto nos pais como nos filhos, é necessário um acompanhamento de um terapeuta familiar (podendo ser: pastores que se dediquem à causa familiar, psicólogo ou psicoterapeutas), é necessário o reconhecimento do problema e o grito de socorro. Como identificar este problema nos pais? Observe o modelo abaixo:
· Você desvia-se de seu filho quando ele lhe procura?
· Você faz de tudo para evitar momentos mais íntimos?
· Procura estar por perto somente no momento da disciplina?
· Troca o elogio por mais uma cobrança? Tipo: “é você poderia ir melhor”.
· Quando solicitado, manda procurar o outro cônjuge?
· Quando ele deita em seu colo, fica desconfortável para lhe oferecer o carinho?

Estas perguntas ajudam a identificar o problema, que em alguns níveis pode ser mudado com muita boa vontade e em outros somente com ajuda. Caso a sua resposta tenha sido positiva em alguma destas perguntas, procure auxílio, a sua família esta em jogo. O temperamento que temos não pode prejudicar o ambiente de nossa casa, é necessário conhecermos nossos pontos fortes e fracos, a fim de trabalharmos em nossas franquezas, por amor.

1.3. Reconduzindo o Diálogo (Gênesis 33: 1 – 17)

Esta é a parte prática do assunto, depois de revisto a conduta familiar e analisarmos no que necessitamos mudar, podemos dizer que “estamos em obras!” Deus nos ajudará, se forte e corajoso. É necessário coragem e muita força para mudar velhos hábitos e lutar com o conformismo: “eu sou assim, nasci assim e vou morrer assim”, de um basta a isto e lute pela transformação, assim como Deus mudou o nosso destino ao inverso, Ele deseja mudar nossas práticas familiares.

Reconquistar o ambiente familiar, mudar o rumo da prosa, realmente exige vontade. Algumas observações são de extrema importância neste momento:
· Tenha momentos em família, para descontração;
· Separe um tempo para conversa em particular;
· Demonstre interesse por cada detalhe;
· Compartilhe experiências que lhe ajude;
· Faça um almoço em família (a família toda fazendo um almoço, participando e filme estes momentos agradáveis para ficarem guardados na memória);
· Monte um mural de fotos da família em atividades em comum;

Possivelmente os primeiros dias serão diálogos desconcertantes ou monólogos, não desista, você entrou nesta batalha para ser um vitorioso. Crie atividades de interação, promova diversão, dialogue sobre a moralidade e a espiritualidade e não tenha medo de errar nem de pedir perdão.

II. Passos Para o Amadurecimento Juvenil (Provérbios 4: 1 - 27)

Quando o filho deixa de ser criança e passa a fase estudantil, onde a inteiração com o mundo que o cerca, o influência de alguma forma, ele começa a sofrer as pressões para o amadurecimento. Lógico que para os pais isto é extremamente difícil, o bebê da casa está crescendo. É importante então firmar os valores que esta casa segue, deixar isto visível e claro (Uma dica importante é que eles visualizem estes valores em algum quadro), lembre-se que algumas informações que vemos como rebeldia, são assimiladas mas ainda não foram orientadas e é necessário que isto ocorra. Pais, um diálogo sobre o palavreado ou sobre o comportamento o ajudará a entender o que é certo e errado.

Algumas dicas úteis:
Firme os valores deste lar no coração de seu filho;
Permita que ele tire dúvidas com você;
Quando ele apresentar um comportamento não aceitável diante da família, o informe disto e lhe de a chance de acertar (o conscientize do porque isto é errado);
Lembre-se que somos os faróis que iluminam o caminho deles;

2.1. Rebeldia ou Formação de Caráter? (Efésios 6:1 – Marcos 7: 21 - 22)

Está é uma pergunta vital, pois norteará o procedimento familiar. O primeiro momento de uma informação pode contribuir para a formação do caráter, mesmo que isto seja expresso em rebeldia, como por exemplo à birra, que se não tratada trará drástica conseqüência na vida adulta. Nossos filhos podem ser disciplinados e isto faz parte da educação, disciplinar sem ira e sem autoritarismo.

Os primeiros anos de vida são vitais nesta formação, lembre-se que a rebeldia pode ser canalizada de forma positiva. Geralmente um rebelde é: sonhador; inovador e cheio de potenciais, estas qualidades positivas devem ser preservadas e orientadas. A rebeldia como forma de protesto a autoridade dos pais deve ser disciplinada. Na formação do caráter do seu filho, foque:
Não reprima um comportamento ou sentimento, o corrija;
Forneça as ferramentas certas para que ele possa identificar o certo e o errado (coloque diante dele algumas situações e o ensine a emitir opinião, isto é bom ou ruim? Certo ou errado? Um exemplo: assista com ele alguns desenhos que ele normalmente assista sozinho, ou um filme e emita juízo de valor.);
Valorize os potenciais, não o despreze juntamente com o erro;
O estimule a independência, ao empreendedorismo (esta é a hora dele errar, porque tem a sua ajuda) valorize seus sonhos;

2.2. Conflito de Interesses (I Samuel 16:23)

O conflito pode acontecer quando o adolescente-jovem escolhe algo em desacordo com o valor familiar. Este é um momento de perigo, de alerta a sua autoridade pode estar sendo colocada em cheque, exemplos mais comuns nos dias de hoje:
Colocar um pircen;
Se vestir na moda gótica;
Tatuagem;

Estes três exemplos foram citados por serem os mais comuns nos conflitos de interesses. Lembre-se que você é quem fornece o rumo de seu lar, ao filho cabe honrá-lo, se a resposta for negativa, lembre-o da aliança entre pais e filhos e que existe um motivo para isto. Existem outros conflitos que podem ser negociados:
Ouvir músicas de estilos diferentes dos pais;
A saída à noite;
O tempo de estudo;

Negociar não significa permitir tudo, e sim o limite para a ação deve ser obedecido. A saída à noite terá lugar definido e hora de retorno, as músicas poderão ser ouvidas desde que em um volume agradável e com entendimento das letras, é necessário respeitar o espaço do outro e entender o que a música diz (será um ótimo momento para estimulá-lo ao estudo de idiomas). Lembre-se que Deus nos deu sabedoria, se houver alguma dúvida sobre o que será permitido ou não, procure informação sobre o assunto (caso ele lhe peça algo que você desconheça se é bom ou ruim, solicite um tempo para investigação dos fatos).

2.3. Direcionamento das Potencialidades

É importante no contato filho e pais que as potencialidades sejam usadas na medida certa e com propósitos. Quando abordamos os filhos com uma exortação não devemos fazer isto para a glória dos pais e sim para a glória de Deus. É importante cultivar alguns hábitos como:
· Abençoar os filhos;
· Semear boas palavras;
· Semear bons exemplos;

Quando Deus nos concede a graça de termos em nosso cuidado um de seus pequeninos, necessitamos estimulá-lo no seu desempenho pessoal, para que ele seja um homem melhor. Algumas formas de estímulo:
Ensine-o a verdade / seja o modelo da verdade;
Ensine-o a prudência / seja o modelo de prudência;
Ensine-o a sinceridade / seja o modelo de sinceridade;
Ensine-o a simplicidade / seja o modelo de simplicidade;
Ensine-o discernimento / seja o modelo de discernimento;
Ensine-o a coragem / seja o modelo de coragem;
Ensine-o a amizade / seja o modelo de amigo;
Ensine-o a importância do estudo / seja o modelo de estudante;
Ensine-o ao respeito / seja modelo de respeitabilidade;

Lembre-se: As crianças, adolescentes e jovens são como esponjas ou antenas, que sugam ou captam tudo o que acontece ao redor, ele refletirá muito o ambiente de seu lar. Ele é o representante, onde ele for é como se você estivesse indo, o que ele dizer é como se você estivesse dizendo, a sua alegria ou tristeza é a sua alegria ou tristeza.

III. Vida Conjugal na Terceira Idade (Gênesis 21:5; 18:11 – Provérbios 15:1)

Para falar com a terceira idade é necessário relembrar que os votos do matrimônio não têm limite de idade, provavelmente é neste período onde melhor podemos gozar da companhia, da amizade e da relação sexual que reflete a unidade plena. Este não é o momento de se afastar, de dormir em cama separada, de se sentir abandonado, é o momento de se aquecer com a presença do outro.


Refletir o amor nesta fase da vida é demonstrar que a aliança superou todos os percalços, sejam eles:
Ofensas;
Traições;
Separações e etc.
Cultive: Momentos a sós; lembrança do que se passou e que pode ser revisto; viagens a sós.

3.1. Mantendo os Princípios

A vida em aliança é válida para toda a vida. União matrimonial é feita em votos de compromisso mútuo: amar, respeitar e cuidar eternamente. Com o tempo sofremos mudanças e é importante que elas nos melhore, nos torne como o vinho.

Amar além de ser a arte de conviver, é a arte de se transformar, de melhorar , servindo ainda melhor ao meu cônjuge. Pode ser expresso no olhar, no apalpar das mãos, nas carícias, nos beijos e na relação sexual (não existe motivo para se envergonhar da relação pois é Deus quem a criou em toda a pureza. O casal que tem uma vida sexual ativa honra a Deus).

O respeito quando precedido pelo amor, ou quando o precede, demonstra a integridade da relação. Pode ser substituído o seu significado por Honra, a mulher honra o seu marido, o marido honra a sua mulher e assim ambos vivem em altruísmo. Algumas formas de respeito: Elogio, romantismo (envia flores, não se esquece das datas importantes...), respostas brandas, o cuidado pessoal com a aparência (eu me cuido para o outro) e cativa.

Cuidar pode ser visto como zelo, com ocupar-se na atenção ao cônjuge, tratar e tomar conta. Quando na juventude se promete amar e respeitar na saúde e na doença, não se tem a mínima noção do que se esta fazendo, mas, é aqui que Deus nos da a oportunidade de cuidar da pessoa amada, seja qual doença for, em qual estado ela estiver, eu serei seu (sua) companheiro (a) até o fim. Cuidar em amor é estar do lado nas debilidades, sem murmúrio guardando o outro em honra.

3.2. Ainda é Tempo de Mudanças

Lembre-se que esta fase da vida não é o fim, e nem o tempo de perfeição. Se tivermos um comportamento ruim até agora no trato com o cônjuge, ainda é tempo de concerto, proponha-se à:
Policiar seus atos (Pergunte-se: Eu mesmo agüentaria que alguém fizesse o que eu faço?);
Seja compreensivo e não rabugento (Para o rabugento algo tem que ser do seu jeito e nunca nada está bom, sempre há defeitos);
Deixe as aparências e viva o melhor com a mulher (ou homem) da sua mocidade;
Seja amoroso e não rancoroso (o amoroso perdoa, o rancoroso não vê a hora de dar o troco);

3.3. Fiéis Amantes

É hora de amar de todas as formas e amar intensamente. Procure saber o que seu cônjuge gosta, quando sair traga algo para mostrar que lembrou-se dele (a), valorize cada ato do seu parceiro, deixe alguns compromissos de lado e passe o dia com a pessoa amada.

Às vezes olhamos para trás e ficamos pensando que se pudéssemos mudaríamos o que se passou, mas isto não é possível, é hora de mudar o que adiante de nós está. O que passou deve servir de modelo para não cometermos os mesmos erros. Exemplo:
Desonrou / honre;
Foi agressivo / seja romântico;
Foi infiel / Seja fiel.


CONCLUSÃO.

Temos que lembrar da ferramenta maravilhosa que Deus nos deu para guiar a conduta familiar. As escrituras contem a regra inefável do amor de Deus e seguindo-a teremos uma melhor conduta. Podemos dizer que Deus deixou um livro como Cantares para orientar a conquista amorosa dos casais, outro livro com propósito similar é Provérbios que nos auxilia na educação de nossos filhos e nossa também, sem nos esquecer dos Evangelhos que revela a forma como Deus nos ama, e nos convida a uma vida de relacionamento integro com o próximo e com Deus.

Que você e sua casa sirvam ao Senhor.